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Velocidade de Experimentação: como calcular a sua (template)

Template grátis para calcular a sua velocidade de experimentação: teto estatístico, tempo de ciclo real, aproveitamento e os 4 indicadores que importam.

Ilustração de uma ampulheta ao lado de uma esteira transportadora carregando cartões arredondados igualmente espaçados

Velocidade de experimentação é quantos experimentos válidos o seu time conclui por ano, medidos ponta a ponta. Quase todo mundo calcula isso errado, porque conta só os dias em que o teste ficou no ar e ignora os dias de construção, de espera e de resultado parado esperando alguém decidir. O resultado é um programa que acredita ter capacidade de 26 testes por ano e entrega 11. Este artigo traz o template completo para calcular os dois números que importam, o teto estatístico que o seu tráfego permite e a velocidade real que o seu processo entrega, mais o indicador que sai da razão entre eles e diz exatamente onde o programa está vazando. Faz parte do guia de como construir uma cultura de experimentação.

Os dois números que formam a velocidade de experimentação

Velocidade de experimentação não é um número, são dois, e a diferença entre eles é o diagnóstico.

Teto estatístico. Quantos testes o seu tráfego banca por ano, se o processo fosse instantâneo. Sai da amostra necessária dividida pelo tráfego diário, respeitado o piso de duração de duas semanas. É um limite físico: nenhum processo, por melhor que seja, passa dele.

Velocidade real. Quantos testes o time efetivamente conclui por ano, contando o ciclo completo de cada um. Sai de 365 dividido pelo tempo de ciclo médio.

Aproveitamento. A razão entre os dois. É onde a conversa fica útil, porque diz se o próximo ganho vem de comprar tráfego ou de arrumar o processo. Um aproveitamento de 40% significa que 60% do potencial do seu tráfego está sendo desperdiçado em fricção, e nenhum aumento de audiência recupera isso.

Teto estatístico contra velocidade realO teto estatístico de 26 testes por ano corresponde a 14 dias de coleta por teste. O tempo de ciclo real de 34 dias inclui 8 dias de construção, 14 de coleta, 4 de leitura e decisão e 8 de espera, o que entrega apenas 10,7 testes por ano, um aproveitamento de 41 por cento.Teto estatístico: 14 dias de coleta por testecoleta 14 dias26 testes por anoTempo de ciclo real: 34 dias por testeconstrução 8coleta 14 diasleitura 4espera 810,7 testes por ano, aproveitamento de 41%Os 20 dias fora da coleta não produzem nenhum dado. Encurtá-los aumenta a velocidade sem tocar no rigor de nenhum teste.Aumentar o tráfego, neste cenário, não move o número: o gargalo não está na amostra.
A distância entre o teto e a velocidade real é toda feita de dias que não coletam dado. É a parte do programa que melhora sem custo de mídia.

Passo 1: calcule o teto estatístico

O teto sai de três entradas: a taxa de conversão base do fluxo, o efeito mínimo detectável que você quer conseguir enxergar e o tráfego diário nesse fluxo. Vale lembrar que é o tráfego do fluxo testado, nunca o do site inteiro.

Rode com os seus números:

Calculadora de velocidade de testes A/B
-Testes por mês
-Testes por ano
-Dias por teste

Amostra por variação a 95% de confiança e 80% de poder (bilateral), pela sua taxa e MDE. Ajuste os campos e veja a capacidade ao vivo.

Um detalhe do teto surpreende quase todo mundo na primeira vez: acima de certo ponto, ficar mais ambicioso no MDE não compra mais testes. No exemplo trabalhado abaixo, com 90.000 visitantes por mês, dimensionar para +15% relativo e dimensionar para +25% relativo dão exatamente a mesma capacidade, porque nos dois casos o piso de duas semanas manda. A ambição extra vira só perda de sensibilidade, sem nenhum ganho de cadência.

Passo 2: meça o tempo de ciclo de verdade

O tempo de ciclo é o relógio que começa quando a hipótese é aprovada e para quando a decisão é registrada. Ele tem quatro pedaços, e três deles não coletam nenhum dado.

Etapa do ciclo O que conta Sinal de que essa etapa é o seu gargalo
Construção Da hipótese aprovada até a variação no ar A fila de testes prontos para rodar está sempre vazia
Coleta Do início ao fim da janela fixada O teste roda menos que o piso de duas semanas
Leitura e decisão Do fim da coleta até a decisão registrada Resultados prontos esperando uma reunião
Espera Dias entre a decisão e o próximo teste começar O slot fica vazio enquanto a próxima variação é discutida

Anote os quatro para cada teste concluído. Três ou quatro testes bastam para a média ficar informativa, e o padrão aparece rápido: na maioria dos programas iniciantes, construção e espera juntas superam a coleta.

Um cuidado de medição que muda o resultado: a etapa de espera é a mais fácil de esquecer, porque ninguém é responsável por ela. Ela não aparece em nenhum ticket, não tem dono e por isso raramente entra na conta. É também, com frequência, a maior das quatro.

Passo 3: o template preenchível

Copie a tabela abaixo para a sua planilha. As três primeiras linhas são entradas, o resto é cálculo.

Campo Como preencher Exemplo
Visitantes por mês no fluxo Só quem entra no fluxo testado 90.000
Taxa de conversão base Métrica primária do fluxo 3,5%
MDE alvo Efeito relativo que vale detectar +15%
Amostra por variação Saída da calculadora 20.622
Amostra total (2 variações) Amostra por variação vezes 2 41.244
Tráfego diário Visitantes por mês dividido por 30 3.000
Dias de coleta Maior valor entre amostra total dividida pelo tráfego diário e o piso 14
Teto estatístico anual 365 dividido pelos dias de coleta 26,1
Dias de construção (média) Medido nos últimos testes 8
Dias de leitura e decisão (média) Medido nos últimos testes 4
Dias de espera (média) Medido nos últimos testes 8
Tempo de ciclo Soma das quatro etapas 34
Velocidade real anual 365 dividido pelo tempo de ciclo 10,7
Aproveitamento Velocidade real dividida pelo teto 41%
Testes com hipótese registrada Proporção no trimestre anotar
Resultados documentados Proporção no trimestre, incluindo empates anotar

As duas últimas linhas não entram no cálculo de velocidade e estão ali de propósito. Velocidade sem qualidade de hipótese é só produzir empates mais rápido, e um número de cadência exibido sozinho vira meta perversa em questão de semanas.

Exemplo trabalhado: um SaaS de 90 mil visitantes por mês

O fluxo de cadastro recebe 90.000 visitantes por mês, converte 3,5% em início de trial, e o time dimensiona para detectar +15% relativo com 95% de confiança e 80% de poder.

Confira a amostra com a sua própria taxa base:

Calculadora de tamanho de amostra
-Visitantes por variação
-Total (2 variações)
-Duração estimada

Cálculo por aproximação normal de duas proporções, 2 variações (50/50). Mexa nos campos e veja o impacto ao vivo.

Agora o outro lado. Medindo os últimos quatro testes desse time: 8 dias de construção, 14 de coleta, 4 de leitura e decisão, 8 de espera até o próximo começar. Tempo de ciclo de 34 dias.

O time está deixando 15 testes por ano na mesa, e nenhum deles exige um visitante a mais. Vale notar o que a conta diz sobre a alternativa mais cara: se esse mesmo time dobrasse o tráfego do fluxo para 180.000 visitantes por mês, o teto continuaria em 26 testes por ano, porque a coleta já está no piso de duas semanas. O tráfego extra compraria sensibilidade (a chance de enxergar efeitos menores), o que é valioso, mas não compraria nenhum teste a mais. A cadência só melhora atacando os 20 dias fora da coleta.

O que fazer com cada gargalo

Gargalo Alavanca Custo real
Construção longa Manter a próxima variação pronta antes do slot vagar Exige decidir a fila com antecedência
Construção longa Padronizar as mudanças mais frequentes em componentes reutilizáveis Investimento inicial de engenharia
Coleta acima do piso Subir a métrica primária no funil ou aumentar o MDE alvo Perde sensibilidade ou mede um proxy
Leitura demorada Escrever a regra de decisão antes de rodar Exige combinar critério quando ninguém sabe o resultado
Espera entre testes Paralelizar em fluxos independentes Só funciona se os fluxos não compartilharem público
Espera entre testes Reservar o slot no calendário antes do teste anterior acabar Exige tratar o slot como recurso, não como intenção

A alavanca mais subestimada é a regra de decisão escrita antes do teste. Ela encurta a etapa de leitura porque remove a discussão mais cara do ciclo, que é decidir o critério depois de já conhecer o resultado. Como efeito colateral, ela também protege contra a troca de métrica primária, que é um dos caminhos silenciosos para inflar a taxa de vitória do programa. O custo estatístico de decidir depois de ver os dados está detalhado em o problema do peeking em testes A/B.

Uma advertência sobre paralelizar: rodar dois testes ao mesmo tempo aumenta a velocidade real sem tocar no ciclo individual, mas só quando os dois fluxos não disputam o mesmo público e a mesma métrica primária. Dois testes na mesma jornada dividem a amostra entre quatro combinações, alongam os dois e embutem a interação no resultado de ambos. A regra prática é um teste por fluxo.

Quanto custa um aproveitamento de 41%

Discussão de processo costuma perder para discussão de mídia porque o custo da fricção nunca é expresso em número. Neste caso ele é fácil de expressar.

O time do exemplo deixa 15,4 testes por ano na mesa (26,1 de teto contra 10,7 de velocidade real). Aplicando a proporção que Ronny Kohavi documentou para experimentos na Microsoft, aproximadamente um terço das ideias testadas melhora a métrica alvo (Kohavi, KDD 2015), esses 15,4 testes não rodados equivalem a cerca de 5 melhorias por ano que o time nunca vai encontrar, mais outras 5 mudanças ruins que ele não vai descobrir a tempo de evitar.

O que o aproveitamento de 41% deixa na mesaDe um teto de 26,1 testes por ano, o time conclui 10,7 e deixa 15,4 sem rodar. Aplicando a proporção de um terço de ideias que melhoram a métrica, isso equivale a cerca de cinco melhorias por ano que nunca serão encontradas.Capacidade anual do tráfego: 26,1 testes10,7 testes concluídos15,4 testes que o processo não deixou rodarO que esses 15,4 testes teriam produzido, na proporção de um terço documentada por Kohavi:cerca de 5 melhoriasnunca encontradascerca de 5 neutrosaprendizado não obtidocerca de 5 piorassubidas sem serem testadasNenhum desses testes exigia um visitante a mais. Todos exigiam 20 dias a menos de ciclo.
O custo da fricção fica visível quando os testes não rodados são traduzidos em melhorias não encontradas e mudanças ruins não interceptadas.

O terceiro bloco é o mais fácil de esquecer e costuma ser o mais caro. Testes que não rodam não deixam a mudança parada: a mudança sobe assim mesmo, sem medição, e o prejuízo aparece meses depois como uma queda de métrica que ninguém consegue atribuir.

Duas armadilhas ao encurtar o ciclo

Encurtar o ciclo é a alavanca certa, mas duas formas de encurtá-lo destroem o programa em vez de acelerá-lo.

Encurtar a coleta. É a tentação óbvia, porque a coleta é a maior fatia contígua do ciclo. Também é a única fatia que produz dado. Cortar a coleta de 14 para 8 dias aumenta a cadência no papel e derruba o poder do teste, o que aumenta a taxa de vitória aparente enquanto reduz a proporção de vitórias reais. As outras três etapas podem ser comprimidas sem custo estatístico nenhum; essa não.

Construir antes de aprovar a hipótese. Manter a próxima variação pronta é uma boa prática, mas só depois que a hipótese, a métrica primária e a duração estiverem escritas. Construir antes disso inverte a ordem: o time passa a escolher a hipótese que justifica a variação que já existe, e o roadmap vira uma fila de coisas prontas em vez de uma fila de perguntas.

Como acompanhar sem virar meta perversa

Velocidade é um indicador de meio, não de fim, e exibi-lo sozinho num painel produz o comportamento errado em poucas semanas: testes encurtados para caber no mês, hipóteses frouxas para preencher o slot, empates reclassificados como vitória. Três cuidados evitam isso:

Para ordenar a fila que essa capacidade comporta, o template de roadmap de experimentação já traz a coluna de duração estimada, que é a ponte entre este cálculo e o planejamento. E para saber o que esperar dos testes que couberem, vale ler a taxa de vitória em teste A/B e o que os dados mostram, porque cadência multiplicada por uma expectativa irreal de acerto produz promessa que a matemática não sustenta.

Faça isso automático na Donnu

Metade deste template é conta que a ferramenta deveria fazer sozinha. A Donnu dimensiona cada teste contra o seu tráfego real e mostra a duração estimada antes de você começar, o que já entrega o teto estatístico sem planilha, e mantém a duração fixada para que a etapa de coleta não seja encurtada no meio por uma espiada no painel. O que sobra para o time medir são os dias fora da coleta, que é exatamente onde está o ganho de velocidade que ninguém compra com mídia.

Comece um teste grátis de 14 dias e veja a duração de cada teste antes de comprometer o trimestre. Para dimensionar a cadência que o seu tráfego banca, veja quantos testes A/B você deveria rodar por mês.

Referências

Leia também:

Perguntas frequentes

O que é velocidade de experimentação?
É quantos experimentos válidos o time conclui por unidade de tempo, medida ponta a ponta e não só pelo tempo em que o teste ficou no ar. A distinção importa porque a maior parte da lentidão de um programa não está na coleta de dados: está nos dias de construção, de espera por aprovação e de teste terminado que ninguém leu. Um programa que roda testes de 14 dias e entrega 10 experimentos por ano tem um problema de processo, não de tráfego.
Como calcular a velocidade de experimentação?
São dois números e uma divisão. O teto estatístico é 365 dividido pela duração de cada teste, onde a duração é o maior valor entre a amostra necessária dividida pelo tráfego diário e o piso de duas semanas. A velocidade real é 365 dividida pelo tempo de ciclo completo, que soma os dias de construção, de coleta, de leitura e de espera. O aproveitamento é a razão entre as duas, e quase sempre fica bem abaixo de 100%.
Qual é uma boa velocidade de experimentação?
A referência útil não é um número absoluto, é o seu próprio teto. Um time que aproveita 70% da capacidade que o tráfego permite está indo bem, mesmo rodando 12 testes por ano; um time que aproveita 35% de um teto de 26 está perdendo metade do programa em fricção que nenhum aumento de tráfego resolve. Compare-se com o seu teto antes de comparar-se com qualquer empresa.
O que fazer quando o gargalo é o tempo de construção, não o tráfego?
Atacar a fila, não a duração dos testes. As alavancas que funcionam: manter uma variação já construída aguardando o slot livre, padronizar as mudanças mais frequentes em componentes reutilizáveis, e separar a decisão de subir do fim da coleta, definindo a regra de decisão antes de começar. Nenhuma delas exige mais tráfego, e as três encurtam o ciclo sem encurtar o teste.
Aumentar a velocidade de experimentação sempre aumenta o resultado?
Não. Velocidade multiplica a qualidade das hipóteses, então dobrar a cadência de um programa com hipóteses fracas apenas produz mais empates mais rápido. Segundo dados publicados por Ronny Kohavi sobre experimentos na Microsoft, aproximadamente um terço das ideias testadas melhora a métrica alvo, um terço fica neutro e um terço piora. Acelerar sem melhorar a origem das hipóteses acelera principalmente os dois últimos terços.
Com que frequência recalcular o template de velocidade?
Uma vez por trimestre para o teto estatístico, porque tráfego e taxa base mudam devagar, e a cada teste concluído para o tempo de ciclo, que é onde as melhorias aparecem. Registrar o tempo de ciclo teste a teste é o que transforma o template de um diagnóstico único em um indicador acompanhável.