Estatística

Análise Interina em Teste A/B: fronteiras de parada

Análise interina em teste A/B: como planejar 2 ou 3 olhares com gasto de alfa, o custo em amostra e por que 3 olhares a 5% dão 10,73% de falso positivo.

Ilustração plana de três arcos verdes de alturas diferentes lado a lado sobre fundo verde-menta, o do meio bem mais alto e os laterais progressivamente mais baixos

Olhar o resultado três vezes usando o corte de 5 por cento em cada olhada leva o falso positivo real para 10,73 por cento, mais que o dobro do combinado. A saída não é parar de olhar: é planejar cada análise interina antes de começar e dar a cada uma um corte próprio, de forma que a soma feche em 5 por cento. No plano deste artigo, três olhares com fronteira tipo O Brien-Fleming custaram 2,21 por cento de amostra máxima a mais e devolveram, quando o efeito existia, um teste que terminou 14,9 por cento antes. Este guia mostra de onde vem a inflação, como uma função de gasto de alfa reparte o risco, quanto cada família de fronteira cobra, e traz um exemplo trabalhado com os três olhares para colar na calculadora. Faz parte do nosso guia completo de teste A/B e é o contraponto planejado do problema do peeking.

De onde vem a inflação: 5 por cento por olhada não é 5 por cento no total

Um teste de horizonte fixo promete uma coisa só: se você olhar uma vez, no N combinado, e chamar de vencedor quando o valor-p ficar abaixo de 0,05, a chance de gritar vitória sem efeito nenhum é de 5 por cento. Cada leitura extra é uma chance nova de cruzar a linha por acaso, e as chances se acumulam.

Dá para calcular exatamente quanto. As estatísticas z lidas em momentos diferentes do mesmo teste não são independentes, elas formam um passeio browniano: o z do segundo olhar carrega dentro de si todos os dados do primeiro. Integrando essa dependência numericamente, com olhares igualmente espaçados e corte de 5 por cento em cada um, o falso positivo real fica assim:

Falso positivo real conforme o número de olhares com corte de 5 por cento em cada umGráfico de barras com seis colunas verdes de altura crescente. Com um olhar a taxa é de 5 por cento, o valor combinado, marcado por uma linha tracejada horizontal. Com dois olhares sobe para 8,31 por cento, com três para 10,73, com cinco para 14,17, com dez para 19,34 e com vinte para 24,79 por cento. Todas as colunas a partir da segunda ultrapassam claramente a linha tracejada.5%, o combinado5,00%8,31%10,73%14,17%19,34%24,79%1 olhar2351020Chance de declarar vitória sem efeito nenhumOlhares igualmente espaçados, corte de 5 por cento bicaudal em cada um. Integração numérica do passeio browniano.
Cada leitura extra com o mesmo corte é uma aposta a mais na mesma rodada. Vinte olhares transformam a promessa de 5 por cento numa chance real de uma em quatro.

Esses números não são novidade nem opinião: são o resultado clássico que aparece em qualquer texto de análise sequencial, e a nossa integração os reproduz. O ponto prático é outro. A resposta óbvia, “então não olhe”, é impossível de cumprir em um time que tem um painel aberto. Johari, Pekelis e Walsh, no artigo que descreve a inferência sempre válida de uma plataforma comercial de testes, abrem exatamente com esse diagnóstico: os valores-p e intervalos de confiança tradicionais ficam completamente pouco confiáveis quando o usuário escolhe o tamanho da amostra de forma endógena, monitorando o teste continuamente. A ilustração que eles usam é um teste A/A cuja “chance de vencer” cruza o limiar de 95 por cento só por ser observado o tempo todo.

Há dois caminhos honestos a partir daí. Um é a inferência sempre válida, que já cobrimos em teste sequencial e inferência sempre válida e que aceita qualquer número de olhares. O outro, mais antigo e mais barato em amostra, é o assunto deste artigo: marcar poucos olhares antes de começar e repartir o alfa entre eles.

Gasto de alfa: a ideia de Lan e DeMets

Pense nos 5 por cento como um orçamento. O desenho de horizonte fixo gasta o orçamento inteiro numa compra só, no fim. Um desenho de grupo sequencial gasta um pedaço em cada leitura planejada, e a soma tem que fechar em 5 por cento.

A função de gasto de alfa é a regra que diz quanto do orçamento já pode ter sido gasto quando você chegou a uma certa fração da informação. A orientação da FDA sobre desenhos adaptativos descreve o método de Lan e DeMets exatamente assim: uma função que especifica como a probabilidade de erro tipo I é gasta ao longo do estudo, com a flexibilidade de escolher o número e o momento das análises interinas. Duas funções dominam a prática, e elas discordam sobre quando gastar.

Duas funções de gasto de alfa ao longo da coletaGráfico de linhas com o eixo horizontal indo de zero a cem por cento da amostra planejada e o vertical do alfa acumulado gasto, de zero a cinco por cento. A curva de Pocock sobe rápido no começo, passando de dois por cento gastos já na metade da coleta, e depois achata. A curva tipo O Brien-Fleming fica colada no zero até cerca de metade da coleta e sobe de forma acelerada só no terço final. As duas terminam exatamente nos cinco por cento no fim. Três marcadores redondos indicam os olhares em um terço, dois terços e no fim.Quanto dos 5% de alfa já foi gasto5% (orçamento total)Pocock: gasta cedoO Brien-Fleming: guarda para o fim033%67%100%fração da amostra máxima já coletada
As duas funções fecham no mesmo orçamento. O que muda é o ritmo do gasto, e o ritmo do gasto é o que decide se o teste consegue parar cedo.

Traduzido para o corte que cada leitura exige, com três olhares igualmente espaçados:

Olhar Fração da amostra Alfa acumulado (OBF) z crítico (OBF) valor-p exigido (OBF) Alfa acumulado (Pocock) z crítico (Pocock) valor-p exigido (Pocock)
1 33% 0,00069 3,395 0,00069 0,02264 2,279 0,02264
2 67% 0,01637 2,407 0,01610 0,03817 2,295 0,02174
3 100% 0,05000 2,015 0,04388 0,05000 2,296 0,02168

Repare no que a tabela diz sobre a última linha. Com a fronteira tipo O Brien-Fleming, quem chegou até o fim ainda tem quase todo o corte tradicional disponível (0,04388 contra 0,05). Com Pocock, o preço de ter podido parar cedo é que a leitura final ficou mais dura que a de um teste normal: 0,02168 em vez de 0,05. Não existe almoço grátis, existe escolha de onde pagar.

Formato das fronteiras de parada nos três olharesGráfico de linhas com três posições no eixo horizontal, uma para cada olhar. A linha tipo O Brien-Fleming começa muito alta, em z de 3,395 no primeiro olhar, cai para 2,407 no segundo e para 2,015 no terceiro. A linha de Pocock é praticamente horizontal, em torno de 2,28 a 2,30 nos três olhares. Uma linha tracejada marca o corte ingênuo de 1,96, abaixo das duas fronteiras em todos os pontos.corte ingênuo z = 1,963,3952,4072,0152,2792,296olhar 1 (33%)olhar 2 (67%)olhar 3 (100%)z exigido em cada leitura planejadaQuanto mais alta a fronteira, mais persuasivo o resultado precisa ser para parar ali.
A fronteira tipo O Brien-Fleming desce ao longo do teste. A de Pocock é plana. Quem escolhe o formato está escolhendo em que momento quer poder parar.

A FDA descreve a diferença entre as duas famílias em uma frase que vale copiar: a abordagem de O Brien e Fleming tende a exigir resultados iniciais muito persuasivos para parar o estudo por eficácia, enquanto abordagens alternativas como a de Pocock exigem resultados iniciais menos persuasivos e têm probabilidade maior de parada precoce.

O que a análise interina custa em amostra

Fronteira mais dura no meio significa fronteira um pouco mais frouxa no fim, e para manter os mesmos 80 por cento de poder o desenho precisa de um N máximo maior que o do horizonte fixo. Calculamos o fator exato para os dois formatos, com três olhares:

Desenho N máximo (fator sobre o fixo) N esperado quando o efeito existe N esperado quando não existe Chance de parar no olhar 1
Horizonte fixo 1,0000 100% 100% não se aplica
3 olhares, O Brien-Fleming 1,0221 85,1% do N fixo 101,6% do N fixo 3,93%
3 olhares, Pocock 1,1703 81,9% do N fixo 114,7% do N fixo 29,82%

A leitura é direta. A fronteira tipo O Brien-Fleming é quase de graça: 2,21 por cento de amostra máxima a mais, e se o efeito não existir o teste custa apenas 1,6 por cento a mais que o desenho fixo. Em troca, ela quase nunca para no primeiro olhar (3,93 por cento das vezes). Pocock é o oposto: quase um terço dos testes com efeito real param na primeira leitura, mas quando não há efeito o teste custa 14,7 por cento a mais de tráfego. Se o seu problema é fila de experimentos, Pocock devolve tempo de calendário; se o seu problema é tráfego escasso, a escolha é a outra.

O plano concreto: base 5 por cento, MDE de 10 por cento, 40 mil por semana

Vamos aterrissar isso num teste real. A calculadora de tamanho de amostra devolve, para taxa base de 5 por cento, efeito mínimo detectável de 10 por cento relativo, 95 por cento de confiança e 80 por cento de poder, 31.234 visitantes por variação, o que dá 11 dias com 40 mil visitantes por semana. Esse é o desenho de horizonte fixo, e é dele que o plano sequencial parte.

Item Horizonte fixo 3 olhares, O Brien-Fleming 3 olhares, Pocock
N máximo por variação 31.234 31.926 36.555
Duração máxima 11 dias 12 dias 13 dias
Olhares (visitantes por variação) 31.234 10.642 / 21.284 / 31.926 12.185 / 24.370 / 36.555
valor-p exigido em cada olhar 0,05000 0,00069 / 0,01610 / 0,04388 0,02264 / 0,02174 / 0,02168
N esperado se o efeito existir 31.234 (11 dias) 26.575 (10 dias) 25.592 (9 dias)
N esperado se não existir 31.234 (11 dias) 31.744 (12 dias) 35.814 (13 dias)

Esse é o plano inteiro em uma tabela, e ele cabe num parágrafo do documento de análise pré-registrada. Se você ainda não escreve esse documento, o plano de análise pré-registrado é o lugar onde as três datas e os três cortes precisam morar.

Um exemplo trabalhado, com a calculadora

Simulamos um teste com efeito real de 10 por cento relativo (5,0 contra 5,5 por cento) e o lemos nos três olhares do plano O Brien-Fleming. Os números abaixo são visitantes e conversões acumulados; cole cada linha na calculadora e você vê o mesmo valor-p.

Olhar Controle Variação valor-p Lift relativo Abaixo de 0,05? Cruza a fronteira?
1 (n = 10.642) 549 de 10.642 (5,1588%) 593 de 10.642 (5,5723%) 0,180757 8,01% não não (z 1,338 contra 3,395)
2 (n = 21.284) 1.078 de 21.284 (5,0648%) 1.182 de 21.284 (5,5535%) 0,024567 9,65% sim não (z 2,248 contra 2,407)
3 (n = 31.926) 1.598 de 31.926 (5,0053%) 1.768 de 31.926 (5,5378%) 0,002608 10,64% sim sim (z 3,011 contra 2,015)

A linha 2 é a razão de existir deste artigo. O valor-p de 0,024567 está abaixo de 0,05, e um time sem plano teria parado ali, declarado 9,65 por cento de ganho e passado para o próximo teste. O plano diz para continuar, porque 0,024567 ainda não é o 0,01610 que aquele olhar exigia. O teste segue e termina com 10,64 por cento, mais perto do efeito verdadeiro de 10 por cento, e com um valor-p uma ordem de grandeza menor.

Calculadora de significância estatística
Controle (A)
Variação (B)
Controle (A) · Taxa-
Variação (B) · Taxa-
Melhora relativa-
valor-p-
IC 95% da diferença-

Teste z bilateral de duas proporções. "Sem significância" quase sempre quer dizer que falta amostra, não que as versões são iguais.

Vale conferir a segunda linha na calculadora acima: 21.284 visitantes e 1.078 conversões no controle, 21.284 e 1.182 na variação. O intervalo de confiança devolvido vai de 0,0627 a 0,9146 ponto percentual, ou seja, encosta no zero. É um resultado que já é “significante” pelo critério tradicional e que ainda assim, olhando o plano, não é evidência suficiente para encerrar o experimento naquele momento.

Reproduzindo o número da FDA

A orientação da FDA afirma que um desenho de grupo sequencial com uma única análise interina e uma fronteira de eficácia comumente usada reduz o tamanho de amostra esperado do estudo em aproximadamente 15 por cento em relação a um desenho comparável de amostra fixa. A nota de rodapé especifica o cenário: interina na metade da amostra máxima, fronteira tipo O Brien-Fleming, e a hipótese alternativa em que o desenho tem 90 por cento de poder.

Rodamos exatamente esse cenário no nosso integrador. As fronteiras saíram em z de 2,7718 e 1,9793, o N máximo ficou 0,79 por cento acima do desenho fixo, e o N esperado sob a alternativa deu 84,72 por cento do N fixo, ou seja, uma redução de 15,28 por cento. Sob a nula, o custo é de 0,51 por cento a mais que o desenho fixo. O número da agência se reproduz sem ajuste, e agora você sabe de que cenário exato ele veio, o que importa porque com três olhares e 80 por cento de poder a economia esperada cai para 14,9 por cento e o custo sob a nula sobe para 1,6 por cento.

Como validação do próprio integrador, calibramos por ele as fronteiras clássicas conhecidas: para três olhares igualmente espaçados e alfa bicaudal de 5 por cento, ele devolveu 3,4711, 2,4544 e 2,0040 para a forma clássica de O Brien-Fleming (literatura: 3,471, 2,454 e 2,004) e 2,2895 para a constante de Pocock (literatura: 2,289).

Quatro coisas que a fronteira não conserta

1. A estimativa de um teste interrompido cedo é otimista. A FDA registra que estimativas convencionais, como a média amostral, tendem a ficar enviesadas na direção de efeitos maiores que o verdadeiro quando o desenho é sequencial, e que os intervalos de confiança perdem a cobertura nominal. Existe método para corrigir, e o plano precisa nomear qual será usado. É o mesmo fenômeno que descrevemos em a maldição do vencedor, agravado de propósito por um desenho que só para cedo quando o resultado veio forte.

2. Mudar o cronograma olhando o resultado quebra tudo. A flexibilidade do gasto de alfa é sobre número e momento das leituras, não sobre reagir ao que elas mostraram. O texto da FDA dá o exemplo do que não fazer: antecipar a próxima análise interina porque a atual chegou perto da fronteira. A recomendação da agência é ter um número alvo de análises, um calendário aproximado e um critério escrito de mudança que dependa de informação independente do efeito estimado, como o ritmo de coleta.

3. Parada por futilidade é outra conversa. Fronteira de eficácia responde “já dá para dizer que funciona”. Fronteira de futilidade responde “já dá para dizer que não vale continuar”. A FDA observa que acrescentar regras de futilidade não vinculantes a um desenho de amostra fixa ou a um desenho com fronteiras de eficácia adequadas não aumenta a probabilidade de erro tipo I, e costuma ser apropriado. Regras vinculantes permitem afrouxar o limiar de eficácia, mas só controlam o erro se forem obedecidas de verdade. Tratamos do lado prático disso em parada por futilidade.

4. Nada disso substitui as verificações de sanidade. Um teste com fronteira impecável e divisão de tráfego quebrada continua sendo um teste errado, só que com aparência mais formal.

Grupo sequencial ou inferência sempre válida?

As duas famílias resolvem o mesmo problema e cobram em moedas diferentes.

Critério Grupo sequencial (gasto de alfa) Inferência sempre válida
Número de leituras finito e marcado antes qualquer número, inclusive contínuo
Precisa marcar datas antes? sim, ou ao menos o número alvo e o critério de mudança não
Custo em amostra máxima baixo com O Brien-Fleming (2,21% no nosso plano) mais alto, porque reserva risco para infinitos olhares futuros
Quem lê o painel todo dia não está autorizado a decidir fora dos olhares pode decidir a qualquer momento
Melhor caso de uso ritual fixo de decisão, poucas leituras, tráfego escasso painel aberto para o time inteiro, decisão oportunista

Se a sua operação tem uma reunião semanal de resultados e ninguém decide fora dela, o grupo sequencial é mais barato. Se qualquer pessoa pode abrir o painel e agir, a inferência sempre válida é o desenho honesto, porque ela descreve o que realmente acontece na sua empresa.

Faça isso automático na Donnu

O erro que este artigo descreve raramente é de estatística, é de operação: ninguém escreveu quando o teste seria lido e com que corte, então cada leitura vira uma decisão nova a 5 por cento. Na Donnu o plano de leitura faz parte da criação do experimento: você escolhe o número de olhares, o painel mostra o corte que cada um exige e trava a decisão de vencedor quando a leitura não cruzou a fronteira daquele momento, em vez de mostrar um valor-p solto que qualquer pessoa interpreta como sinal verde. As leituras planejadas ficam registradas com data, para que ninguém possa antecipar uma delas depois de ver o resultado sem que isso apareça no histórico.

Perguntas frequentes

As respostas curtas estão na seção de perguntas frequentes desta página, montadas a partir dos mesmos cálculos apresentados aqui.

Referências

Leia também

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Perguntas frequentes

O que é análise interina em teste A/B?
É uma leitura do resultado feita antes do fim do teste, em um momento marcado no plano antes de o teste começar, com um critério de parada próprio para aquele momento. A diferença entre análise interina e espiar o painel é a palavra "planejada": o número de leituras e o valor-p que cada uma exige são fixados antes de a primeira pessoa entrar no experimento, e o alfa total de 5 por cento é repartido entre elas.
Quantos olhares posso fazer sem inflar o falso positivo?
Nenhum, se cada olhar usar o corte de 5 por cento. Na nossa integração numérica, dois olhares a 5 por cento dão 8,31 por cento de falso positivo, três dão 10,73 por cento, cinco dão 14,17 por cento e vinte dão 24,79 por cento. Com fronteiras de gasto de alfa, o número de olhares deixa de ser o problema: dois, três ou cinco olhares planejados ficam todos em 5 por cento no total, porque cada um recebe um corte mais duro que compensa a repetição.
Qual a diferença entre O Brien-Fleming e Pocock?
É o formato da fronteira, ou seja, como o alfa é distribuído no tempo. A função de gasto tipo O Brien-Fleming quase não gasta alfa no começo e deixa quase tudo para o fim: com três olhares, ela pede valor-p abaixo de 0,00069 na primeira leitura e permite 0,04388 na última. A de Pocock reparte de forma quase uniforme: 0,02264, 0,02174 e 0,02168. A primeira quase não encarece a amostra máxima (2,21 por cento no nosso plano) e raramente para cedo; a segunda para cedo com frequência, mas cobra 17,03 por cento de amostra máxima a mais.
Análise interina é o mesmo que teste sequencial?
Não. Grupo sequencial é um número FINITO de leituras marcadas de antemão, cada uma com o seu corte. Inferência sempre válida, do tipo que Johari, Pekelis e Walsh descrevem, permite olhar a qualquer momento, quantas vezes quiser, inclusive continuamente. O grupo sequencial cobra menos amostra quando você só precisa de duas ou três leituras; a inferência sempre válida cobra mais, e em troca tira do seu caminho a exigência de marcar as datas antes.
Posso mudar as datas dos olhares depois que o teste começou?
Só por motivos que não olhem o resultado. A orientação da FDA é explícita nesse ponto: antecipar a próxima leitura porque a atual chegou perto da fronteira não é apropriado e infla o erro tipo I. Mudar a data porque o tráfego veio mais devagar que o previsto é aceitável, desde que o critério de mudança tenha sido escrito antes e dependa de informação estatisticamente independente do efeito estimado, como o ritmo de coleta.
O efeito medido quando o teste para cedo é confiável?
A direção costuma ser, o tamanho não. A FDA registra que estimativas convencionais de efeito, como a média amostral, tendem a ficar enviesadas para efeitos maiores que o verdadeiro quando o desenho é de grupo sequencial, e que os intervalos de confiança perdem a cobertura nominal. Por isso o plano precisa dizer, desde o começo, qual método de estimativa corrigida vai ser usado para reportar o resultado de um teste interrompido cedo.