Desenho de Encorajamento: sortear o convite, medir o uso
Quando o recurso não pode ser desligado, sorteia-se o convite. O que o desenho de encorajamento mede, quanto ele custa em amostra e onde ele quebra.

📚 Este artigo faz parte do guia Significância Estatística em Teste A/B: O Guia.
Quando o recurso não pode ser desligado, o que sobra é sortear o convite. No exemplo deste guia, um banner sorteado moveu a adoção de 8 para 20 por cento e a conversão de 6,000 para 6,300 por cento, com valor-p 0,0306. Esses 0,30 ponto divididos pelos 12 pontos de adesão adicional devolvem mais 2,50 pontos nos aderentes, e o preço dessa conta é rodar o teste com quase 60 vezes mais gente do que se o recurso pudesse ter sido sorteado direto. O desenho de encorajamento é a saída legítima quando o tratamento está fora do seu controle, e ele cobra caro em amostra e em premissas. Este guia mostra a conta completa, o custo, e o ponto exato em que o desenho quebra. Faz parte do nosso guia completo de teste A/B e é o lado do desenho da análise que descrevemos em intenção de tratar.
O problema: o recurso não pode ser desligado
O teste A/B comum sorteia a coisa que você quer medir. Metade vê o botão novo, metade vê o antigo, e a diferença é o efeito do botão. Existe uma classe inteira de perguntas em que isso simplesmente não está disponível:
- o recurso já está no ar para todo mundo. Tirar de metade da base é uma remoção de valor, e às vezes uma quebra de contrato. Ninguém autoriza.
- o uso depende de um passo do usuário. Conectar uma integração, importar contatos, criar o primeiro projeto. Você pode oferecer, não pode obrigar.
- o canal não é seu. Instalar o app, aceitar a chamada do time de vendas, responder a um e-mail. Você controla o envio, não a ação.
- o tratamento é um hábito. Usar o relatório semanal, revisar o painel, abrir o resumo. A frequência é escolha da pessoa.
Nesses casos, a comparação óbvia é entre quem usou e quem não usou, e ela é enviesada pelos mesmos motivos que descrevemos em escore de propensão: quem adota é diferente de quem não adota, e a diferença entre as pessoas entra inteira no resultado.
O desenho de encorajamento resolve isso mudando o objeto do sorteio. Você não sorteia o uso. Sorteia o convite para usar, que é uma coisa que você controla por completo. O sorteio volta a existir, e com ele volta a garantia de que os dois grupos são iguais no início.
O desenho: sorteie o convite, meça o uso
A estrutura tem três variáveis, e confundir as três é o erro mais comum da área:
| variável | o que é | quem controla | é sorteada? |
|---|---|---|---|
| o convite | banner, e-mail, desconto, ligação, notificação | você | sim, esse é o experimento |
| o uso | a pessoa de fato usou o recurso | a pessoa | não, é consequência |
| o desfecho | conversão, retenção, receita | a pessoa | não, é o que você quer explicar |
O que você mede diretamente são dois efeitos de intenção de tratar, um no uso e outro no desfecho, e os dois são honestos porque o convite foi sorteado. O que você quer é o efeito do uso sobre o desfecho, e esse não é medido, é deduzido.
Exemplo trabalhado: o banner que moveu a adoção em 12 pontos
Um produto tem um recurso de relatório automático que já está no ar. Ninguém autoriza desligá-lo. A pergunta é se usar o relatório aumenta a conversão para o plano pago. O time sorteia 120.000 usuários em dois braços e mostra um banner de convite para metade.
| medida | sem banner | com banner | diferença | valor-p |
|---|---|---|---|---|
| usaram o relatório (primeiro estágio) | 4.800 de 60.000 = 8,000% | 12.000 de 60.000 = 20,000% | mais 12,000 pontos | abaixo de 0,0001 |
| converteram (intenção de tratar) | 3.600 de 60.000 = 6,000% | 3.780 de 60.000 = 6,300% | mais 0,300 ponto | 0,0306 |
Cole as duas linhas na calculadora abaixo e confira as taxas, a melhora relativa, o valor-p e o intervalo. A primeira linha sai com valor-p abaixo de 0,0001 e intervalo de confiança de 95 por cento entre mais 11,6133 e mais 12,3867 pontos. A segunda sai com valor-p 0,0306 e intervalo entre mais 0,0281 e mais 0,5719 ponto. A calculadora arredonda o intervalo para uma casa e não mostra o z, que é o passo intermediário do teste: ele vale 59,9002 na primeira linha e 2,1629 na segunda.
Teste z bilateral de duas proporções. "Sem significância" quase sempre quer dizer que falta amostra, não que as versões são iguais.
Agora a conta que interessa. O convite convenceu 12 por cento da população a usar o relatório: 20 menos 8. Todo o efeito de 0,30 ponto no desfecho tem que ter vindo dessas pessoas, porque as outras 88 por cento fizeram exatamente o mesmo nos dois braços. Logo:
efeito nos aderentes = 0,300 ponto ÷ 0,12 = mais 2,500 pontos percentuais.
Sobre uma base de 6 por cento, isso é um efeito relativo grande. E repare no que aconteceu com a leitura: o resultado que apareceu na tela do painel foi um mísero mais 5 por cento relativo, à beira da significância. O efeito real, em quem de fato usou, é oito vezes maior. A diluição é a regra número 2 de Kohavi, Deng, Longbotham e Xu, que registram que melhorar em 10 por cento um segmento de 1 por cento resulta em impacto total de aproximadamente 0,1 por cento.
| leitura | número | o que ela responde |
|---|---|---|
| intenção de tratar | mais 0,300 ponto | quanto vale mostrar o banner para todo mundo |
| primeiro estágio | mais 12,000 pontos | quanto o banner convence |
| efeito nos aderentes | mais 2,500 pontos | quanto vale usar o recurso, para quem o banner convenceu |
As três estão certas e respondem perguntas diferentes. A primeira é a que decide se o banner fica no ar. A terceira é a que decide se vale a pena investir no recurso.
As cinco condições, e por que só uma delas é gratuita
Angrist, Imbens e Rubin organizaram a identificação em cinco suposições na Journal of the American Statistical Association de 1996. Vale ler a lista pensando em qual delas o seu sorteio já garante:
| condição | o que exige | o sorteio garante? |
|---|---|---|
| estabilidade das unidades | o convite de uma pessoa não muda o desfecho de outra | não, depende do produto |
| sorteio do convite | o convite é independente dos desfechos potenciais | sim, é o que você comprou com o sorteio |
| restrição de exclusão | o convite só afeta o desfecho através do uso | não, e não é verificável |
| primeiro estágio não nulo | o convite muda a adesão em média | sim, e é medível |
| monotonicidade | ninguém deixa de usar por ter sido convidado | não, e é raramente checada |
O artigo é explícito sobre a fragilidade: a restrição de exclusão relaciona quantidades que nunca podem ser observadas juntas, e por isso não é diretamente verificável a partir dos dados em mãos. E a advertência que mais importa para quem desenha o estímulo: em geral o estimador é mais sensível a violações da restrição de exclusão e da monotonicidade quando existem poucos aderentes.
Guarde essa frase. Ela é o guia de projeto do desenho inteiro.
Onde o encorajamento morre: o vazamento do próprio convite
Um banner não é um objeto neutro. Ele ocupa espaço, explica, cria urgência, às vezes atrapalha. Qualquer efeito dele sobre a conversão que não passe pelo uso do relatório é vazamento, e a proposição 2 do artigo de 1996 dá o tamanho exato do estrago: o viés do estimador em relação ao efeito nos aderentes é o efeito direto médio do convite sobre os não aderentes multiplicado pela razão de chances de não aderir.
Com adesão adicional de 12 pontos, a razão de chances de não aderir é 0,88 dividido por 0,12, ou seja, 7,33. Cada centésimo de ponto que o banner move por fora do recurso é multiplicado por 7,33. Fixando um efeito real de 2,500 pontos nos aderentes, a tabela fica assim:
| efeito direto do convite | adesão 40 pontos | adesão 20 pontos | adesão 12 pontos | adesão 6 pontos |
|---|---|---|---|---|
| 0,02 ponto | 0,030 (1,2% do efeito) | 0,080 (3,2%) | 0,147 (5,9%) | 0,313 (12,5%) |
| 0,05 ponto | 0,075 (3,0%) | 0,200 (8,0%) | 0,367 (14,7%) | 0,783 (31,3%) |
| 0,10 ponto | 0,150 (6,0%) | 0,400 (16,0%) | 0,733 (29,3%) | 1,567 (62,7%) |
| 0,20 ponto | 0,300 (12,0%) | 0,800 (32,0%) | 1,467 (58,7%) | 3,133 (125,3%) |
A conclusão de projeto sai sozinha: um convite fraco é duplamente ruim. Ele produz um primeiro estágio pequeno, o que amplifica qualquer vazamento, e ainda obriga a rodar o teste com muito mais gente, como a próxima seção mostra. Vale mais desenhar um estímulo forte e cirúrgico, que empurre bastante para o uso e faça o mínimo possível de qualquer outra coisa.
O preço em amostra
O efeito que você precisa detectar na tela não é o efeito real. É o efeito real diluído pela fração de gente que o convite convence. Com base de 6 por cento e efeito real de 2,5 pontos nos aderentes, esta é a conta, feita na fórmula de duas proporções com 95 por cento de confiança e 80 por cento de poder:
| adesão adicional | efeito visível na tela | amostra por variação | contra o sorteio direto |
|---|---|---|---|
| 40 pontos | 1,000 ponto | 9.540 | 5,7 vezes |
| 30 pontos | 0,750 ponto | 16.656 | 9,9 vezes |
| 20 pontos | 0,500 ponto | 36.791 | 21,8 vezes |
| 12 pontos | 0,300 ponto | 100.670 | 59,6 vezes |
| 6 pontos | 0,150 ponto | 398.091 | 235,8 vezes |
Sortear o recurso direto, se fosse possível, pediria 1.688 pessoas por variação. Rode qualquer uma dessas linhas na calculadora abaixo com base de 6 por cento e efeito mínimo absoluto igual à coluna do meio.
Cálculo por aproximação normal de duas proporções, 2 variações (50/50). Mexa nos campos e veja o impacto ao vivo.
A regra de bolso é dividir a amostra pelo quadrado da adesão adicional: com 12 pontos, isso dá 1 dividido por 0,12 ao quadrado, ou seja, 69,4 vezes. A calculadora devolve 59,6 vezes porque a fórmula exata leva em conta que a variância também muda quando a taxa alvo muda. A regra de bolso erra para cima, o que é a direção segura para planejar. Se você quiser ver esse mesmo efeito no calendário, a calculadora de duração converte a amostra em dias com o seu tráfego semanal.
O convite escolhe a população, e a população escolhe a resposta
O número que sai do desenho não é o efeito do recurso na sua base. É o efeito do recurso em quem aquele convite específico conseguiu convencer. Troque o convite e você troca as pessoas.
Na prática isso vira uma escolha de projeto bem concreta:
- desconto como convite convence quem é sensível a preço. O efeito medido é o efeito do recurso nessa gente, que costuma converter diferente do resto.
- e-mail educativo convence quem não sabia que o recurso existia. População mais parecida com a média, efeito geralmente mais transportável.
- chamada do time de vendas convence contas grandes e engajadas. É o topo da base, e o número que sai não descreve a cauda.
- acesso antecipado por fila convence quem já queria e estava esperando. A população mais motivada possível, e a estimativa mais otimista possível.
Escolha o estímulo que se parece com a alavanca que você pretende puxar depois da decisão. Se a decisão será mandar um e-mail para a base inteira, encoraje por e-mail. Medir com desconto e depois agir com e-mail é trocar de população no meio do caminho.
Como verificar antes de acreditar
Nenhuma das premissas é testável, mas todas têm sintomas. Três checagens que cabem no mesmo dia de análise:
- Primeiro estágio, com intervalo. Se o intervalo de confiança da adesão adicional cruza zero ou chega perto, pare por aqui. A divisão por um número pequeno e incerto produz estimativas instáveis, o problema clássico de instrumento fraco que Imbens (2014) descreve como a preocupação central da literatura econométrica sobre o tema.
- Efeito direto onde ele não deveria existir. Separe quem já usava o recurso antes do experimento, ou quem não tinha acesso técnico a ele. Nessas pessoas, o uso não pode ter mudado. Se a conversão delas mexe com o convite, você achou o vazamento.
- Desistência. Compare o uso do recurso entre quem foi convidado e quem não foi dentro de segmentos que já usavam bastante. Se o convite derruba o uso em algum lugar, a monotonicidade está quebrada e o cálculo perde a interpretação.
Vale acrescentar uma quarta, que é de higiene e não de premissa: rode o teste de proporção de amostra nos dois braços antes de qualquer leitura. Um desenho de encorajamento com divisão desigual esconde o problema melhor do que um teste comum, porque a atenção fica toda na adesão.
Um roteiro de sete passos
- Escreva a pergunta na forma certa. “Usar o relatório aumenta a conversão?” é a pergunta causal. “Quem usa o relatório converte mais?” é uma correlação e não precisa de experimento nenhum para ser respondida, nem serve para decidir nada.
- Confirme que o sorteio direto está fora. Escreva o motivo: contrato, remoção de valor, dependência de ação do usuário. Se o motivo for apenas “dá trabalho”, volte e sorteie, porque o desenho indireto custa dezenas de vezes mais gente.
- Escolha o convite pela alavanca, não pela conveniência. O estímulo define a população medida. Prefira o convite mais parecido com a ação que a empresa vai tomar depois da decisão.
- Estime o primeiro estágio antes de rodar. Um piloto pequeno, ou o histórico de campanhas parecidas, já dá a ordem de grandeza. Com esse número e o efeito que valeria a pena detectar, a tabela de amostra acima diz se o teste cabe no seu tráfego.
- Instrumente três eventos separados. Atribuição ao braço, exposição ao convite e uso do recurso, cada um com carimbo de tempo próprio. Sem essa separação, a análise é impossível depois.
- Leia na ordem: proporção de amostra, primeiro estágio, intenção de tratar, efeito nos aderentes. Se qualquer um dos três primeiros falhar, o quarto não deve nem ser calculado.
- Reporte os três números juntos. O efeito de intenção de tratar decide o destino do convite. O primeiro estágio explica o tamanho do efeito. O efeito nos aderentes decide o destino do recurso. Publicar só o terceiro é a forma mais rápida de a diretoria se decepcionar depois com um lançamento que não moveu a linha do negócio.
Erros comuns
- Reportar o efeito nos aderentes como se fosse o efeito na base. São coisas diferentes por construção, e a segunda é o que o negócio sente. Reporte as duas, sempre lado a lado.
- Comparar convidados que usaram contra não convidados que não usaram. Isso destrói o sorteio: você acabou de voltar para a comparação observacional que o desenho existia para evitar.
- Aceitar um primeiro estágio pequeno porque o valor-p do desfecho saiu bonito. A ordem é inversa: o primeiro estágio decide se a conta pode ser feita.
- Trocar o convite no meio do teste. Cada convite define a sua própria população de aderentes. Trocar o estímulo é começar outro experimento.
- Esquecer que o convite continua no ar depois. Se o banner ficou, o efeito que a empresa vai colher é o de intenção de tratar, não o dos aderentes.
- Usar o encorajamento quando dava para sortear. É o erro mais caro dessa lista, e o mais comum. Antes de partir para o desenho indireto, confira com a calculadora de tamanho de amostra se o sorteio direto cabia no seu tráfego.
Faça isso automático na Donnu
O desenho de encorajamento exige guardar três eventos separados, com carimbo de tempo, sem misturá-los: a atribuição ao braço, a exposição ao convite e o uso do recurso. Quando o banco só tem uma coluna dizendo que a pessoa usou, não há como reconstruir o primeiro estágio, e a análise inteira fica impossível depois do fato.
A Donnu separa a atribuição do evento de exposição e do evento de uso por padrão, o que deixa as três leituras da tabela acima disponíveis na mesma tela, sem consulta manual. E ela existe primeiro para o caso simples: sempre que o recurso puder ser sorteado, sorteie, porque isso dispensa a restrição de exclusão e a monotonicidade inteiras. A calculadora de significância fecha a leitura do primeiro estágio e do desfecho com os mesmos números que você colaria à mão.
Referências
- Angrist, J. D., Imbens, G. W. e Rubin, D. B. Identification of Causal Effects Using Instrumental Variables. Journal of the American Statistical Association, volume 91, número 434, junho de 1996, páginas 444 a 455. Fonte das cinco suposições numeradas no artigo (estabilidade das unidades, sorteio do instrumento, restrição de exclusão, efeito causal médio não nulo do instrumento sobre o tratamento e monotonicidade); do registro de que a restrição de exclusão relaciona quantidades que nunca podem ser observadas conjuntamente e por isso não é diretamente verificável a partir dos dados em mãos; da afirmação de que o efeito médio local não é o efeito médio nem para a população inteira nem para qualquer subpopulação identificável a partir dos valores observados; da proposição 2, segundo a qual o viés do estimador em relação ao efeito médio local é o efeito direto médio do instrumento sobre os não aderentes multiplicado pela razão de chances de não aderir; e da observação de que o estimador é mais sensível a violações da restrição de exclusão e da monotonicidade quando há poucos aderentes. uio.no.
- Imbens, G. W. Instrumental Variables: An Econometrician’s Perspective. Statistical Science, 2014 (arXiv 1410.0163). Fonte da atribuição da origem dos desenhos de encorajamento aos trabalhos de Zelen de 1979 e 1990, fora da tradição econométrica de variáveis instrumentais; e da descrição do problema de instrumento fraco, em que a correlação entre instrumento e tratamento precisa ser substancial para permitir inferência precisa, com referência a Staiger e Stock (1997) e Andrews e Stock (2007). arxiv.org.
- Kohavi, R., Deng, A., Longbotham, R. e Xu, Y. Seven Rules of Thumb for Web Site Experimenters. KDD 2014. Fonte da regra de que métricas devem ser diluídas pelo tamanho do segmento afetado, com o exemplo de uma melhora de 10 por cento num segmento de 1 por cento resultando em impacto total de aproximadamente 0,1 por cento, e do registro de que em sites como o Bing os experimentos bem-sucedidos movem métricas-chave entre 0,1 e 1,0 por cento depois de diluídos. exp-platform.com.
Leia também: Intenção de tratar · Escore de propensão · Análise por gatilho e diluição · Unidade de sorteio · Calculadora de tamanho de amostra · Read in English
Perguntas frequentes
- O que é um desenho de encorajamento?
- É um experimento em que você sorteia o convite para usar alguma coisa, e não o uso em si. Serve para o caso em que o recurso não pode ser desligado para metade das pessoas, seja por contrato, por regra de produto ou porque ele já está no ar. O sorteio recai sobre o banner, o e-mail, o desconto ou a chamada do time de vendas, e o uso vira consequência da pessoa, não do experimento. Imbens (2014) atribui a origem do desenho aos trabalhos de Zelen, de 1979 e 1990.
- O que exatamente um desenho de encorajamento mede?
- Ele mede duas coisas. A primeira é o efeito do convite sobre todo mundo que foi sorteado, que é a intenção de tratar, e essa medida é honesta por construção. A segunda é o efeito do uso sobre quem só usou porque foi convidado, o chamado aderente, e ela sai da divisão do efeito de intenção de tratar no desfecho pelo efeito de intenção de tratar na adesão. No exemplo deste guia, mais 0,30 ponto percentual dividido por 12 pontos de adesão adicional devolve mais 2,50 pontos nos aderentes.
- Quanto custa em amostra rodar um encorajamento em vez de sortear o recurso?
- Muito. O efeito real fica diluído pela fração de gente que o convite convence. Com base de 6 por cento e um efeito real de 2,5 pontos nos aderentes, sortear o recurso direto pede 1.688 pessoas por variação; encorajar com um convite que move a adoção em 12 pontos pede 100.670 por variação, quase 60 vezes mais. A regra de bolso é dividir pelo quadrado da adesão adicional.
- Qual é a premissa mais frágil desse desenho?
- A restrição de exclusão: o convite não pode afetar o desfecho por nenhum caminho que não seja o uso. Um banner que também ensina, apressa ou irrita viola isso. Angrist, Imbens e Rubin (1996) mostram que o viés resultante é o efeito direto médio do convite sobre quem não aderiu multiplicado pela razão de chances de não aderir, ou seja, um vazamento minúsculo vira um erro enorme quando pouca gente adere.
- Dois encorajamentos diferentes podem dar respostas diferentes e ambas estarem certas?
- Sim, e isso não é contradição. Cada convite define o seu próprio grupo de aderentes. Um desconto convence quem é sensível a preço, um e-mail educativo convence quem não sabia que o recurso existia, e o efeito do uso nessas duas populações não tem obrigação nenhuma de ser igual. O número que sai é sempre local ao estímulo que você escolheu, e por isso o estímulo deve parecer com a alavanca que você pretende puxar depois.
- Como testar as premissas antes de acreditar no número?
- Três checagens. Primeiro, confira o primeiro estágio: se o convite não move a adesão de forma clara, pare, porque a divisão fica instável. Segundo, procure efeito direto do convite em quem não podia ter aderido, por exemplo em quem já usava o recurso antes ou em quem não tinha acesso a ele. Terceiro, olhe se alguém desiste por causa do convite, o que quebra a monotonicidade. Nenhuma das três prova a premissa, mas as três encontram violações grandes.