CRO

Otimização de Checkout: o Playbook de Teste A/B

Playbook completo de otimização de checkout com teste A/B: as causas reais de abandono, o que testar por ordem de alavancagem e como dimensionar.

Ilustração abstrata de um funil em degraus descendentes em verde escuro, estreitando até uma sacola de compras, sobre fundo verde menta

Otimizar checkout com teste A/B é atacar, em ordem de evidência, as causas documentadas de abandono: custos extras que só aparecem no fim, exigência de criar conta, formulários longos demais e falta de sinais de confiança e de meios de pagamento. É provavelmente o trecho mais bem estudado do e-commerce inteiro: o Baymard Institute documenta uma taxa média de abandono de carrinho de 70,22%, calculada a partir de 50 estudos, e estima que o site grande médio pode ganhar cerca de 35,26% de aumento na taxa de conversão corrigindo problemas de usabilidade de checkout já conhecidos. Este playbook cobre o funil de checkout e onde medir cada etapa, as causas reais de abandono ordenadas por dados, o que testar por ordem de alavancagem, como dimensionar cada teste (com a boa notícia de que a taxa base alta barateia o experimento), um exemplo trabalhado ponta a ponta com receita incremental, e as métricas de guarda que impedem uma vitória falsa.

Por que o checkout é o melhor lugar do site para testar

Três razões, e nenhuma delas é “porque é onde está o dinheiro”, que é verdade mas é raso.

A primeira é volume de evidência. As causas de abandono no checkout estão entre as mais estudadas do e-commerce, com levantamentos repetidos ao longo de mais de uma década. Você não parte do zero: parte de uma lista de hipóteses já validada em larga escala, o que é raro em CRO.

A segunda é taxa base alta. Um teste de conversão do site inteiro trabalha sobre uma base de 2 a 3%, o que exige um volume enorme para detectar qualquer coisa. Um teste de conclusão de checkout trabalha sobre uma base de 40 a 60%, e taxa alta significa amostra muito menor para o mesmo rigor. Um teste que seria inviável no site inteiro cabe numa semana no checkout.

A terceira é ausência de diluição. Quem você recupera no topo do funil ainda precisa atravessar todas as etapas seguintes, e a maior parte não atravessa. Quem você recupera no último passo do checkout converte um para um. Isso não faz do checkout automaticamente o maior gargalo (veja a próxima seção), mas faz de cada pessoa recuperada lá a mais valiosa do funil.

O tamanho do prêmio, segundo o Baymard: aplicando os 35,26% às vendas combinadas de e-commerce dos EUA e da União Europeia, de 738 bilhões de dólares, chega-se a cerca de 260 bilhões de dólares em pedidos abandonados que seriam recuperáveis apenas com melhor fluxo e design de checkout (Baymard Institute). É uma estimativa agregada de instituto de pesquisa, não uma promessa para uma loja individual, e deve ser lida como dimensão do problema, não como projeção de receita.

O funil de checkout e onde medir cada etapa

Antes de testar qualquer coisa, é preciso saber qual passagem está vazando. E aqui vem a primeira honestidade deste playbook: o checkout nem sempre é o maior gargalo do seu funil.

Funil de e-commerce do visitante à compra, com as taxas de passagemDe 100.000 visitantes, 42.000 veem produto (42% de passagem), 14.000 adicionam ao carrinho (33,33%), 5.600 iniciam checkout (40%) e 2.688 compram (48%). A taxa ponta a ponta é de 2,688%. A maior perda bruta está no topo, mas a maior perda em conversões finais recuperáveis está na passagem de produto para carrinho.Visitantes · 100.000Viram produto · 42.000passagem 42%Adicionaram ao carrinho · 14.000passagem 33,33%Iniciaram checkout · 5.600passagem 40%Compraram · 2.688passagem 48%taxa ponta a ponta: 2,688%maior perda bruta: visitantes para produto (58.000 pessoas)maior ganho em conversões finais: produto para carrinho (diluição considerada)
Números ilustrativos. Recuperar 10% da queda em cada passagem rende 371, 538, 403 e 291 conversões finais respectivamente: o topo perde mais gente, mas o ganho final é maior no meio, porque quem se recupera no topo ainda precisa atravessar tudo que vem depois.

A conta por trás disso é a diluição. Recuperar 10% da queda em cada passagem, considerando que quem é recuperado ainda precisa atravessar as etapas seguintes, rende:

Passagem Pessoas perdidas Recuperando 10% Conversões finais extras
Visitantes para produto 58.000 5.800 pessoas ≈ 371
Produto para carrinho 28.000 2.800 pessoas ≈ 538
Carrinho para checkout 8.400 840 pessoas ≈ 403
Checkout para compra 2.912 291 pessoas ≈ 291

Nesse funil, o maior ganho está no meio, não no checkout. A leitura correta não é “então não mexa no checkout”, é: confira o seu funil antes de decidir onde investir, e saiba que no checkout cada pessoa recuperada vale exatamente uma conversão, sem desconto.

Rode o seu próprio funil na calculadora abaixo, trocando os números pelos do seu analytics:

Calculadora de funil de conversão

Etapas do funil (nome e quantas pessoas chegaram)

-Taxa de conversão do funil
-Pessoas perdidas no caminho
-Conversões extras se atacar o gargalo

-

PassagemEntramSaemPassagemQuedaGanho ao recuperar

Taxa de passagem = pessoas da etapa seguinte ÷ pessoas da etapa. O ganho considera a diluição: quem você recupera no topo ainda precisa atravessar as etapas seguintes. Deixe uma etapa em branco para usar menos de cinco.

Cada passagem tem uma métrica própria e uma família de hipóteses própria:

Passagem Métrica Tipo de hipótese que cabe aqui
Visitante para página de produto Taxa de visualização de produto Navegação, busca interna, categorias, velocidade
Produto para carrinho Taxa de adição ao carrinho Foto, descrição, prova social, disponibilidade, preço visível
Carrinho para início de checkout Taxa de início de checkout Custos totais visíveis no carrinho, chamada para ação, distrações
Início de checkout para compra Taxa de conclusão de checkout Campos, conta obrigatória, meios de pagamento, confiança, erros

Este playbook trata da última linha, e um pouco da penúltima, porque a decisão sobre custos extras acontece nas duas.

As causas reais de abandono, ordenadas por dados

O Baymard Institute mantém o levantamento mais citado sobre por que as pessoas abandonam durante o checkout. Excluindo quem estava apenas navegando sem intenção de comprar, a distribuição de motivos é:

Motivos de abandono durante o checkout, segundo o Baymard InstituteCustos extras altos demais lidera com 40%, seguido de entrega lenta demais com 20%, desconfiança em passar o cartão com 19%, exigência de criar conta com 18%, checkout longo ou complicado com 17%, erros no site com 17%, política de devolução insatisfatória com 13%, não ver o custo total antecipadamente com 12%, cartão recusado com 10% e poucos meios de pagamento com 9%.percentual de quem abandonou por algum motivo além de estar só navegandoCustos extras altos (frete, taxas)40%Entrega lenta demais20%Desconfiança em passar o cartão19%Exigência de criar conta18%Checkout longo ou complicado17%Erros ou travamentos no site17%Devolução insatisfatória13%Não ver o custo total antes12%Cartão recusado10%Poucos meios de pagamento9%as respostas somam mais de 100% porque cada pessoa podia apontar mais de um motivoFonte: Baymard Institute
Duas leituras importantes: a causa número um é de transparência de preço, não de design de formulário, e somando “custos extras altos” com “não ver o custo total antes” a questão do preço aparece em mais da metade das menções.

Repare em três coisas nessa lista.

Primeiro, a causa líder não é de usabilidade, é de transparência de preço. Custos extras altos demais (40%) e não conseguir ver o custo total antecipadamente (12%) são o mesmo problema em dois momentos: a pessoa descobre tarde que o preço não era aquele. Nenhuma reorganização de campo resolve isso.

Segundo, erros técnicos aparecem alto (17%). Antes de testar copy, vale conferir se o seu checkout simplesmente funciona em todos os navegadores, tamanhos de tela e meios de pagamento. Isso não é um teste A/B, é um bug.

Terceiro, a exigência de conta (18%) é a maior causa com solução mais barata. É uma decisão de produto, não uma reconstrução.

Otimização de checkout: o que testar, por ordem de alavancagem

A tabela abaixo organiza o playbook em ordem: começa pelo que a evidência aponta como maior causa e pelo que é mais fácil de isolar, e termina no que muda muita coisa de uma vez.

Ordem O que testar Hipótese Causa que ataca Esforço
1 Custo total (frete e taxas) visível já no carrinho Mostrar o total antes do checkout evita a surpresa que faz a pessoa sair Custos extras (40%) e não ver o total antes (12%) Baixo
2 Compra como visitante contra conta obrigatória Deixar comprar sem cadastro remove a barreira antes da compra Exigência de conta (18%) Baixo
3 Redução do número de campos do formulário Menos campos, menos fricção e menos chance de erro Checkout longo ou complicado (17%) Médio
4 Sinais de confiança perto do campo de cartão Selo, política de segurança e avaliações reduzem o receio de pagar Desconfiança em passar o cartão (19%) Baixo
5 Prazo de entrega explícito no checkout Ver a data real de chegada evita o abandono por incerteza Entrega lenta demais (20%) Médio
6 Política de devolução visível no fluxo Saber que dá para devolver reduz o risco percebido da compra Devolução insatisfatória (13%) Baixo
7 Mais meios de pagamento e recuperação de recusa Oferecer alternativas evita perder quem teve o cartão recusado Cartão recusado (10%) e poucos meios (9%) Alto
8 Indicador de progresso e ordem das etapas Saber quanto falta reduz a desistência no meio Checkout longo ou complicado (17%) Médio
9 Checkout de uma página contra checkout em etapas Menos telas reduzem a chance de sair no caminho Várias ao mesmo tempo Alto

Uma regra que vale para a tabela inteira: isole uma variável por teste. Trocar o número de campos e adicionar selo de segurança no mesmo experimento produz um vencedor que ninguém consegue explicar, e explicar é o que permite aplicar o aprendizado na próxima página. O mesmo raciocínio do guia de como fazer um teste A/B passo a passo vale aqui, com o agravante de que o checkout tem mais elementos acoplados que qualquer outra tela do site.

Custos extras: a causa número um

Se a sua loja cobra frete, taxa de serviço ou qualquer valor que só aparece na última tela, esse é o primeiro teste a rodar. Duas variações honestas:

A segunda tem um efeito colateral que precisa de guardrail: ela pode aumentar a conclusão do checkout e ao mesmo tempo alterar o ticket médio para os dois lados (para cima, se as pessoas adicionam itens para atingir o limiar; para baixo, se o frete que você absorve custa mais que o ganho). Meça receita por sessão de checkout, não só a taxa de conclusão.

Compra como visitante: a mudança mais barata da lista

18% de quem abandona aponta a exigência de criar conta. A resposta não é abrir mão do cadastro, é inverter a ordem: deixe a compra acontecer como visitante e ofereça a criação de conta na tela de confirmação, quando o pedido já está garantido e a pessoa já digitou quase todos os dados necessários. O teste é limpo (uma variável, um botão a mais) e a métrica é direta.

Redução de campos

O Baymard aponta que, para a maioria dos checkouts, é possível reduzir de 20% a 60% a quantidade de elementos de formulário exibidos no fluxo padrão. Onde essa redução costuma estar:

Campo Por que costuma sobrar Alternativa
Complemento de endereço separado Raramente obrigatório Campo opcional, ou dentro do endereço
Confirmação de e-mail Duplica digitação Validação na hora, com aviso de erro claro
Endereço de cobrança separado Igual ao de entrega na maioria dos casos Marcado como igual por padrão, com opção de mudar
Telefone obrigatório Nem toda operação precisa Opcional, com explicação de por que é útil
Campo de cupom em destaque Manda a pessoa procurar cupom fora do site Link discreto, recolhido por padrão

Esse último merece nota: um campo de cupom grande e visível é um convite para a pessoa abrir outra aba e procurar um código, e uma parte dessas pessoas não volta. É uma hipótese testável clássica, e é fácil de isolar.

Confiança na hora de pagar

19% de quem abandona aponta desconfiança em passar o cartão no site, o terceiro maior motivo da lista. É uma causa incômoda porque não se resolve com argumento: ninguém muda de opinião sobre segurança lendo um parágrafo institucional. O que costuma ser testável são sinais concretos e próximos do momento da decisão:

Cada um desses é uma variável isolável. Empilhar os quatro numa variação só produz um vencedor que não ensina nada sobre qual sinal importou.

Meios de pagamento e recusa de cartão

Somando “cartão recusado” (10%) e “poucos meios de pagamento” (9%), quase um quinto das menções de abandono está na camada de pagamento, e essa é a parte mais cara de mexer, porque envolve integração e não interface. Duas frentes testáveis com esforço bem diferente:

A primeira é a recuperação de recusa: o que a sua tela faz quando o pagamento é negado. Uma mensagem genérica de erro perde a venda; uma tela que explica o que aconteceu, mantém os dados do pedido e oferece outro meio de pagamento tem chance de recuperar parte dela. É um teste de interface, barato, e ataca 10% das menções.

A segunda é adicionar um meio de pagamento novo, que exige integração e não é reversível com um clique. Vale tratar como decisão de produto informada por dados de tentativa de pagamento (quantas pessoas chegam ao pagamento e não concluem, e o que elas tentaram usar), não como um teste A/B casual.

O que não vale a pena testar no checkout

Nem toda alavanca que move o número deveria ser puxada. Três categorias que este playbook recomenda deixar de fora, e o motivo é prático, não moral:

O critério prático é simples: se a variação vence porque a pessoa entendeu melhor, ela se sustenta no fechamento do mês; se ela vence porque a pessoa entendeu pior, o ganho volta como devolução.

Como dimensionar um teste de checkout

Aqui está a boa notícia matemática do checkout: como a taxa base é alta, o teste sai barato. A tabela abaixo parte de uma taxa de conclusão de checkout de 48%, a 95% de confiança e 80% de poder:

Efeito mínimo buscado (relativo) Taxa alvo Amostra por variação Dias a 3.500 checkouts/semana
+10% 52,8% ≈ 1.703 ≈ 7
+5% 50,4% ≈ 6.811 ≈ 28
+3% 49,4% ≈ 18.913 ≈ 76

Compare com o mesmo exercício numa taxa de conversão de site inteiro de 2,7%: detectar 5% relativos exigiria cerca de 231.776 visitas por variação, ou cerca de 130 dias a 25.000 visitas por semana. O mesmo rigor, no mesmo negócio, custa cerca de 34 vezes mais amostra quando medido na base pequena.

Amostra por variação para detectar 5% relativos em duas taxas base diferentesSobre uma taxa base de conclusão de checkout de 48%, detectar uma melhora relativa de 5% exige cerca de 6.811 pessoas por variação. Sobre uma taxa de conversão de site inteiro de 2,7%, o mesmo efeito relativo exige cerca de 231.776 pessoas por variação.6.811base 48%(conclusão de checkout)231.776base 2,7%(conversão do site inteiro)mesma exigência: detectar +5% relativos, 95% de confiança, 80% de poder
É a mesma matemática de duas proporções aplicada a duas bases diferentes. Testar perto do fim do funil, onde a taxa é alta, é ordens de grandeza mais barato em volume do que testar a conversão do site inteiro.

Calcule para o seu caso, usando checkouts iniciados por semana como volume:

Calculadora de tamanho de amostra
-Visitantes por variação
-Total (2 variações)
-Duração estimada

Cálculo por aproximação normal de duas proporções, 2 variações (50/50). Mexa nos campos e veja o impacto ao vivo.

Ajuste a calculadora acima para taxa base 48, efeito mínimo detectável 5 (relativo) e 3.500 visitantes por semana para reproduzir os 6.811 por variação e os 28 dias da tabela.

Uma ressalva de rigor que vale para o checkout mais que para qualquer outra tela: o efeito que você consegue detectar cai junto com o volume disponível, e o checkout tem, por definição, menos gente que o resto do site. Não caia na tentação de resolver isso rodando o teste no site inteiro e medindo só quem chegou ao checkout: quem chega ao checkout já é uma população selecionada, e comparar essa fatia entre variações que mudaram algo antes do checkout introduz exatamente o viés de seleção que invalida a leitura.

Um exemplo trabalhado, do teste à receita

Uma loja com 5.200 checkouts iniciados por braço testa mostrar o custo total (produto mais frete mais taxas) já na tela do carrinho, contra o comportamento atual de revelar o frete só no último passo do checkout. A métrica primária é a conclusão do checkout:

Cole esses números na calculadora abaixo para conferir:

Calculadora de significância estatística
Controle (A)
Variação (B)
Controle (A) · Taxa-
Variação (B) · Taxa-
Melhora relativa-
valor-p-
IC 95% da diferença-

Teste z bilateral de duas proporções. "Sem significância" quase sempre quer dizer que falta amostra, não que as versões são iguais.

O resultado: lift absoluto de 3,00 pontos percentuais (lift relativo de +6,25%), escore z de aproximadamente 3,06, valor-p bilateral de cerca de 0,0022, e intervalo de confiança de 95% da diferença entre 1,08 e 4,92 pontos percentuais. O intervalo não cruza o zero e o valor-p fica bem abaixo de 0,05: a variação B vence com significância real.

Exemplo trabalhado: conclusão de checkout e receita incremental projetadaA versão A, com o frete revelado no fim, conclui 48,00% dos checkouts iniciados. A versão B, com o custo total visível no carrinho, conclui 51,00%. A diferença é significativa, com valor-p de aproximadamente 0,0022, e projeta receita incremental de R$134.400 por mês.Conclusão do checkout48,00%A · frete no fim51,00%B · total no carrinhosignificativo · p ≈ 0,0022 · IC 1,08 a 4,92 p.p.Receita incremental projetadaR$134.400por mês, adotando B14.000 checkouts iniciados/mêsdiferença de 3,00 p.p.ticket médio de R$320= R$1.612.800 projetados no ano
A tradução do ponto percentual em dinheiro usa a mesma fórmula da calculadora de receita incremental: volume × diferença de taxa × ticket médio. O número anual é uma projeção linear, não uma garantia, e ignora sazonalidade.

A conta de receita incremental: com 14.000 checkouts iniciados por mês, uma diferença de 3,00 pontos percentuais e um ticket médio de R$320, a receita incremental projetada é de R$134.400 por mês, ou cerca de R$1.612.800 no ano, apenas mostrando o custo total mais cedo. Trate o número anual como projeção linear: ele assume volume e ticket estáveis, o que raramente se sustenta ao longo de doze meses.

As métricas de guarda que um teste de checkout exige

O checkout é a tela onde é mais fácil vencer na métrica primária e perder dinheiro no total. Três guardrails, declarados antes de rodar:

Guardrail O que ele impede Como ler
Receita por sessão de checkout Vencer na conclusão e derrubar o ticket médio (típico de teste com frete grátis ou desconto) Se a conclusão sobe e a receita por sessão cai, a vitória é falsa
Taxa de erro de pagamento Uma mudança de formulário quebrar validação em algum meio de pagamento ou navegador Qualquer alta relevante é motivo de parada, não de discussão
Cancelamento ou reembolso em 30 dias Compra apressada por urgência artificial voltando como devolução Compare a janela inteira, não só o dia da compra

Vale o mesmo cuidado com checagem antecipada de qualquer teste: como o checkout costuma acumular amostra rápido (taxa base alta), a tentação de parar no primeiro dia bom é maior. O custo estatístico disso está quantificado no guia de significância estatística em testes A/B: defina o prazo antes, e cumpra.

Mobile e desktop são checkouts diferentes

Um teste de checkout que roda agregado esconde que as duas experiências são, na prática, produtos diferentes: teclado virtual, campos que exigem zoom, autopreenchimento inconsistente, carteiras digitais nativas. Uma variação pode vencer no desktop e perder no mobile, e o resultado agregado dizer “empate”.

A saída não é rodar dois testes separados por padrão, o que dobra o custo de amostra. É declarar antes se você espera efeito diferente por dispositivo. Se espera, dimensione o teste para o segmento que importa. Se não espera, rode agregado e olhe a quebra por dispositivo como diagnóstico, sabendo que cada recorte tem menos amostra e portanto menos poder, e que uma diferença que aparece só na quebra não é um resultado, é uma hipótese para o próximo teste.

Os erros que mais aparecem em teste de checkout

Erro Sinal de alerta Correção
Mudar várias coisas de uma vez Redesenhou o checkout inteiro num teste só Isole uma variável; deixe a reestruturação para depois das mudanças isoláveis
Medir só a conclusão O relatório tem uma métrica só Declare receita por sessão, erro de pagamento e reembolso como guardrails
Medir a fatia de quem chegou ao checkout num teste que mudou o que vem antes “No checkout a variação B converteu mais” Quem chega ao checkout já é população selecionada; meça sobre a entrada do teste
Parar no primeiro dia bom Taxa base alta acumula amostra rápido e tenta Fixe o prazo antes de rodar e cumpra até o fim
Comparar semanas diferentes A rodou numa semana, B na seguinte Rode simultaneamente; sazonalidade de e-commerce é forte
Assumir que o checkout é o gargalo Investiu tudo lá sem olhar o funil Rode o funil primeiro; o maior ganho pode estar antes
Copiar limiar de frete grátis de concorrente “Todo mundo usa R$199” O limiar certo é uma variável testável, e depende do seu ticket e da sua margem

Faça isso automático na Donnu

Otimizar checkout é a parte do CRO com mais evidência acumulada e, ao mesmo tempo, a mais fácil de estragar com uma leitura apressada: uma taxa base alta acumula amostra rápido, e isso convida a parar cedo e a comemorar uma diferença que ainda não é diferença. Some a isso os guardrails que quase ninguém declara antes (receita por sessão, erro de pagamento, reembolso) e você tem a receita de uma vitória que some no fechamento do mês. A Donnu resolve exatamente essa parte: você define a mudança e as métricas que não podem piorar, a Donnu dimensiona a amostra a partir da sua taxa base real, segura o veredito até o prazo combinado e devolve o intervalo de confiança inteiro, não só um selo de “significativo”.

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Referências

Leia também:

Perguntas frequentes

Qual é a taxa média de abandono de carrinho?
O Baymard Institute documenta uma média de 70,22%, calculada a partir de 50 estudos diferentes sobre abandono de carrinho em e-commerce. Ou seja, cerca de sete em cada dez pessoas que colocam algo no carrinho não concluem o pedido. Esse é o número agregado de mercado, e o seu próprio número pode estar bem acima ou abaixo dele, o que só o seu analytics responde.
Quanto dá para ganhar melhorando o checkout?
Segundo o Baymard Institute, o site de e-commerce grande médio pode ganhar cerca de 35,26% de aumento na taxa de conversão corrigindo problemas de usabilidade de checkout já documentados. Aplicado às vendas combinadas de e-commerce dos EUA e da União Europeia, de 738 bilhões de dólares, isso equivale a cerca de 260 bilhões de dólares em pedidos abandonados recuperáveis apenas por melhor fluxo e design de checkout. É uma estimativa de instituto de pesquisa, não uma garantia para uma loja específica.
Qual é a principal causa de abandono durante o checkout?
Custos extras altos demais (frete, taxas e impostos) lidera com 40% das menções entre quem abandonou por algum motivo além de estar apenas navegando, segundo o Baymard Institute. Depois vêm entrega lenta demais (20%), desconfiança em passar o cartão no site (19%), exigência de criar conta (18%), checkout longo ou complicado (17%) e erros ou travamentos no site (17%). Repare que a causa número um é uma questão de transparência de preço, não de design de formulário.
O checkout é sempre o maior gargalo do meu funil?
Não, e vale conferir antes de investir. No exemplo trabalhado deste guia, o maior gargalo em conversões finais recuperáveis está na passagem de quem viu o produto para quem adicionou ao carrinho, não no checkout. O que torna o checkout especialmente valioso é outra coisa: quem você recupera lá converte um para um, sem diluição das etapas seguintes, e as causas de abandono nessa etapa estão entre as mais bem documentadas do e-commerce.
Quantas visitas eu preciso para testar uma mudança de checkout?
Depende do efeito que você quer detectar. Sobre uma taxa base de conclusão de checkout de 48%, com 95% de confiança e 80% de poder, são cerca de 1.703 checkouts iniciados por variação para detectar uma melhora relativa de 10%, 6.811 para 5% e 18.913 para 3%. A boa notícia do checkout é que a taxa base é alta, então ele exige muito menos volume do que um teste de conversão do site inteiro sobre uma base de 2 a 3%.
Devo obrigar o cliente a criar conta no checkout?
Os dados de mercado desaconselham, e é uma das mudanças com melhor relação entre esforço e retorno: 18% de quem abandona o checkout aponta a exigência de criar conta como motivo, segundo o Baymard Institute. A alternativa não é abrir mão do cadastro, é inverter a ordem: deixe a compra acontecer como visitante e ofereça a criação de conta na tela de confirmação, quando o pedido já está garantido.
Quais métricas de guarda um teste de checkout precisa ter?
Pelo menos três, declaradas antes de rodar: receita por sessão de checkout (uma variação pode aumentar a conclusão e derrubar o ticket médio), taxa de erro de pagamento (uma mudança de formulário pode quebrar validação em algum meio de pagamento) e taxa de cancelamento ou reembolso nos dias seguintes (uma compra apressada por urgência artificial volta como devolução). Sem essas três, é possível declarar vitória numa métrica e perder dinheiro no total.
Vale testar checkout de uma página contra checkout em etapas?
Vale, mas é o teste mais caro do playbook e não deveria ser o primeiro. Ele muda várias coisas ao mesmo tempo (quantidade de informação por tela, percepção de progresso, momento em que os custos aparecem), então um resultado positivo não explica qual parte funcionou. Comece pelas mudanças isoláveis (custos visíveis, checkout como visitante, redução de campos) e deixe a reestruturação completa para depois que essas estiverem resolvidas.