Múltiplas Métricas em um Teste A/B: controlar o FDR
Ler 20 métricas num teste A/B gera 64% de chance de pelo menos um falso positivo. Como Bonferroni e Benjamini-Hochberg corrigem múltiplas métricas.

📚 Este artigo faz parte do guia Significância Estatística em Teste A/B: O Guia.
Um teste A/B moderno não reporta uma métrica, reporta dezenas. E cada métrica lida ao nível de 5 por cento é um sorteio independente com 5 por cento de chance de acusar um efeito que não existe: com 20 métricas sem efeito real e independentes, a chance de pelo menos um falso positivo é 64,15 por cento. Este guia mostra como ler múltiplas métricas sem se enganar: a conta exata, a diferença entre controlar FWER e controlar FDR, o procedimento de Benjamini-Hochberg passo a passo sobre um painel real de 20 métricas, e a decisão prática de qual correção usar em qual parte do relatório. Faz parte do nosso guia completo de teste A/B e é o par, no eixo das métricas, do que testar várias variações trata no eixo das variações.
Múltiplas métricas são uma família de testes
A correção de múltiplas comparações costuma ser ensinada com variações: um teste A/B/n com 4 braços faz 3 comparações contra o controle, e todo mundo aceita que isso precisa de ajuste. O caso das métricas é maior e recebe menos atenção, porque o painel cresce por conveniência e não por decisão.
Kohavi, Deng, Frasca, Walker, Xu e Pohlmann descrevem exatamente isso na operação do Bing: eles relatam que reportam resultados não em uma métrica, mas em centenas, sobretudo para ajudar na depuração e na análise. A resposta organizacional deles ao problema de múltiplos desfechos foi padronizar o critério de sucesso em um conjunto pequeno de métricas, como sessões por usuário. Ou seja: a solução primária não foi estatística, foi reduzir a família.
A conta do teto é simples. Se k métricas são independentes e nenhuma tem efeito real, a probabilidade de nenhuma delas sair significante ao nível alfa é 1 menos alfa, elevado a k. A probabilidade de ao menos uma sair é o complemento:
| métricas lidas ao nível de 5% | chance de ao menos um falso positivo |
|---|---|
| 5 | 22,62% |
| 10 | 40,13% |
| 20 | 64,15% |
| 50 | 92,31% |
| 100 | 99,41% |
| 200 | 99,996% |
Vale registrar a ressalva honesta: as métricas de um mesmo experimento não são independentes. Cliques no menu e visitas à página de produto sobem juntos. A correlação reduz a probabilidade real de falso positivo em relação à curva acima. O que a correlação não faz é derrubá-la para perto de 5 por cento, e a direção do erro é sempre a mesma: o painel inteiro tem taxa de erro maior que a nominal de cada linha.
Erro por família e proporção de falsas descobertas
Existem dois jeitos diferentes de dizer “controlei o erro”, e escolher entre eles é uma decisão de negócio, não de estatística.
FWER (familywise error rate) é a probabilidade de cometer ao menos um erro Tipo I na família inteira. Controlar o FWER em 5 por cento significa: se nada tem efeito, a chance de eu anunciar qualquer coisa é 5 por cento. É a régua certa quando uma única afirmação falsa já estraga a decisão.
FDR (false discovery rate) foi definido por Benjamini e Hochberg em 1995 como a esperança da proporção de hipóteses rejeitadas erroneamente entre todas as hipóteses rejeitadas. Controlar o FDR em 10 por cento significa: entre tudo que eu anunciar, espero que no máximo 10 por cento seja ruído. É a régua certa quando você está explorando um painel e algumas falsas descobertas no meio de várias verdadeiras são um custo aceitável.
Os autores demonstram duas propriedades que ligam as duas réguas, e elas são o argumento inteiro a favor do FDR:
- Quando todas as hipóteses nulas são verdadeiras, FDR e FWER coincidem. Nesse caso o número de rejeições verdadeiras é zero, então a proporção de erros é 0 ou 1, e a esperança dela vira a probabilidade de ao menos um erro. Controlar o FDR implica controlar o FWER no sentido fraco.
- Quando algumas hipóteses nulas são falsas, o FDR é menor ou igual ao FWER, e os dois podem ser bem diferentes. Qualquer procedimento que controla o FWER também controla o FDR, mas um procedimento que controla só o FDR pode ser menos rigoroso, e daí vem o ganho de poder. Os autores observam ainda que quanto mais hipóteses forem falsas, maior a diferença entre as duas taxas, e portanto maior o potencial de ganho.
O procedimento de Benjamini-Hochberg, passo a passo
O procedimento cabe em três linhas. Sejam m os valores-p ordenados do menor para o maior, e q a taxa de falsas descobertas que você aceita:
- Ordene os valores-p: P(1) menor ou igual a P(2), e assim por diante até P(m).
- Encontre o maior índice i tal que P(i) é menor ou igual a i dividido por m, vezes q.
- Rejeite todas as hipóteses das posições 1 até i.
Benjamini e Hochberg provam, no Teorema 1 do artigo, que para estatísticas de teste independentes e para qualquer configuração de hipóteses nulas falsas, esse procedimento controla o FDR em q. Eles registram ainda, numa observação explícita, que a independência entre as estatísticas correspondentes às hipóteses falsas não é necessária para a prova.
O passo 3 é a parte que quase todo mundo aplica errado. O procedimento é de passo para cima: a decisão sai do maior índice que satisfaz a desigualdade, e todas as posições abaixo dele são rejeitadas junto, mesmo que alguma delas, isoladamente, não passasse no próprio limite. Comparar linha a linha e rejeitar só as que passam é um procedimento diferente, mais conservador, e não é o de Benjamini-Hochberg. O exemplo trabalhado a seguir cai exatamente nesse caso.
Exemplo trabalhado: 20 métricas, um teste
Uma loja roda um teste com 60.000 usuários por braço e reporta 20 métricas. Todos os valores-p abaixo saem do teste z de duas proporções bilateral sobre as contagens brutas, e você pode reproduzir qualquer linha colando os quatro números na calculadora.
Teste z bilateral de duas proporções. "Sem significância" quase sempre quer dizer que falta amostra, não que as versões são iguais.
| métrica | A (de 60.000) | B (de 60.000) | z | valor-p | lift relativo |
|---|---|---|---|---|---|
| Conversão geral | 3.000 | 3.126 | 1,6526 | 0,098418 | +4,20% |
| Adição ao carrinho | 9.000 | 9.210 | 1,6897 | 0,091091 | +2,33% |
| Início de checkout | 6.000 | 6.132 | 1,2640 | 0,206225 | +2,20% |
| Cadastro de conta | 4.200 | 4.116 | -0,9548 | 0,339674 | -2,00% |
| Uso da busca | 15.000 | 15.390 | 2,5889 | 0,009629 | +2,60% |
| Clique no menu | 21.000 | 20.790 | -1,2725 | 0,203211 | -1,00% |
| Visita à página de produto | 30.000 | 30.450 | 2,5981 | 0,009373 | +1,50% |
| Aplicação de cupom | 2.400 | 2.478 | 1,1402 | 0,254199 | +3,25% |
| Lista de desejos | 1.800 | 1.746 | -0,9205 | 0,357296 | -3,00% |
| Clique em avaliações | 5.400 | 5.508 | 1,0845 | 0,278126 | +2,00% |
| Newsletter | 1.200 | 1.266 | 1,3429 | 0,179292 | +5,50% |
| Abertura do chat | 900 | 858 | -1,0091 | 0,312915 | -4,67% |
| Clique no frete | 7.200 | 7.092 | -0,9625 | 0,335784 | -1,50% |
| Filtro de categoria | 12.000 | 12.180 | 1,2954 | 0,195179 | +1,50% |
| Compartilhamento | 600 | 633 | 0,9447 | 0,344833 | +5,50% |
| Clique no rodapé | 3.600 | 3.528 | -0,8793 | 0,379229 | -2,00% |
| Login | 10.800 | 10.692 | -0,8131 | 0,416165 | -1,00% |
| Segunda sessão em 7 dias | 8.400 | 8.568 | 1,3919 | 0,163962 | +2,00% |
| Devolução solicitada | 780 | 822 | 1,0564 | 0,290777 | +5,38% |
| Contato com suporte | 1.500 | 1.443 | -1,0638 | 0,287406 | -3,80% |
Lido linha a linha ao nível de 5 por cento, o painel entrega duas vitórias: visita à página de produto (p igual a 0,009373) e uso da busca (p igual a 0,009629). E entrega uma derrota silenciosa que ninguém coloca no slide: a métrica primária, a conversão geral, não é significante (p igual a 0,098418).
Aplicando as duas correções
Ordenando os 20 valores-p e aplicando Bonferroni (limite fixo de 0,05 dividido por 20, ou seja, 0,0025) e Benjamini-Hochberg com q igual a 0,10 (limite móvel de i dividido por 20, vezes 0,10):
| posição | métrica | valor-p | limite Bonferroni | limite BH | P(i) abaixo do limite BH? |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Visita à página de produto | 0,009373 | 0,00250 | 0,00500 | não |
| 2 | Uso da busca | 0,009629 | 0,00250 | 0,01000 | sim |
| 3 | Adição ao carrinho | 0,091091 | 0,00250 | 0,01500 | não |
| 4 | Conversão geral | 0,098418 | 0,00250 | 0,02000 | não |
| 5 | Segunda sessão em 7 dias | 0,163962 | 0,00250 | 0,02500 | não |
| 6 | Newsletter | 0,179292 | 0,00250 | 0,03000 | não |
| 7 | Filtro de categoria | 0,195179 | 0,00250 | 0,03500 | não |
| 8 | Clique no menu | 0,203211 | 0,00250 | 0,04000 | não |
| … | (as demais 12 linhas) | acima de 0,20 | 0,00250 | até 0,10000 | não |
O maior índice que satisfaz a desigualdade é i igual a 2. Portanto o procedimento rejeita as posições 1 e 2, ou seja, as duas, mesmo que a posição 1 (0,009373) esteja acima do próprio limite dela (0,00500). É o passo para cima em ação: a linha 1 é carregada pela linha 2.
| régua aplicada | métricas declaradas significantes |
|---|---|
| valor-p bruto abaixo de 0,05 | 2 |
| Bonferroni (alfa dividido por 20) | 0 |
| Benjamini-Hochberg (q igual a 0,10) | 2 |
Três leituras do mesmo painel, três respostas diferentes, e nenhuma delas é “errada”: elas controlam coisas diferentes. Bonferroni diz que, se você exige menos de 5 por cento de chance de fazer qualquer afirmação falsa neste painel, não há nada a afirmar. Benjamini-Hochberg diz que, se você aceita que até 10 por cento das afirmações sejam ruído, essas duas passam.
O que o exemplo não muda
Nenhuma das duas correções torna a conversão geral significante, e nenhuma das duas transforma “uso da busca subiu” numa razão para lançar. A leitura honesta do painel é: o teste não moveu a métrica primária, e duas métricas secundárias mostraram sinal que sobrevive ao controle de FDR mas não ao controle de FWER. Isso é uma hipótese para a próxima rodada, não um resultado.
O problema também cresce pelo tempo e pelas variações
Métricas são um dos três eixos de multiplicidade, e os três se multiplicam entre si.
Kohavi e coautores quantificam o eixo das iterações com precisão. Supondo que a funcionalidade não faz nada, rodar k iterações faz a probabilidade de significância estatística (movimento positivo num teste bilateral) crescer de 2,5 por cento para 1 menos 0,975 elevado a k. Eles registram que, se um time testa cinco tratamentos, a taxa de 2,5 por cento vira 12 por cento; e que seis iterações de experimentos com cinco tratamentos dão mais de 50 por cento de chance de conseguir um resultado positivo estatisticamente significante. Reproduzindo a conta: 1 menos 0,975 elevado a 5 dá 11,89 por cento, e 1 menos 0,975 elevado a 30 dá 53,21 por cento.
Os dois mecanismos que eles usam contra isso são explícitos e vale copiar: ajuste de limiar (exigir valores-p menores em projetos com muitos tratamentos ou muitas iterações) e estágio de replicação (depois do funil estreitar, uma rodada final, de preferência com mais poder estatístico, que determina o resultado). No mesmo artigo, para a análise em fatias (segmentos), eles relatam que educam os experimentadores sobre falsos positivos e os incentivam a ajustar o limiar de probabilidade, focando em sinais fortes e valores-p menores, na ordem de 0,0001.
Kohavi, Deng, Longbotham e Xu fazem o mesmo alerta pelo lado do volume: como rodam milhares de experimentos por ano, uma taxa de falso positivo de 0,05 implica centenas de falsos positivos para uma dada métrica, e isso piora quando várias métricas não correlacionadas são usadas.
Qual régua usar em qual parte do relatório
A resposta prática não é escolher uma correção para tudo, é partir o relatório em famílias com regras diferentes, e declarar essa partição antes de rodar.
| parte do relatório | pergunta que ela responde | régua recomendada |
|---|---|---|
| Métrica primária (1 métrica) | esse teste ganha? | sem correção; a família tem tamanho 1 por construção |
| Métricas secundárias de sucesso | o que mais se moveu junto? | Benjamini-Hochberg com q entre 0,05 e 0,20 |
| Métricas de guardrail | isso quebrou alguma coisa? | alerta sensível, sem correção que reduza sensibilidade |
| Cortes por segmento | para quem funcionou? | pré-declarados no plano, ou tratados como exploração |
| Decisão de lançamento com várias variações | qual braço lança? | correção de FWER (Bonferroni ou similar) |
A linha das métricas de guardrail costuma surpreender, e ela merece o detalhe. Uma métrica de guardrail existe para detectar dano, não para detectar ganho. A hipótese nula útil ali é “nada piorou”, e o erro caro é o Tipo II: deixar passar uma piora real. Corrigir para múltiplas comparações torna mais difícil rejeitar a nula, o que aumenta exatamente esse erro. Aplicar Bonferroni no painel de guardrails é otimizar contra o objetivo do painel. O tratamento próprio está em métricas de guardrail.
A linha da métrica primária também merece uma nota. Ela só tem tamanho 1 se você declarou qual é antes de olhar. Escolher a primária depois de ver os valores-p é o caso em que a família tem tamanho 20 e você está fingindo que tem tamanho 1. É a razão de existir do plano de análise pré-registrado.
O contra-argumento honesto
Existe uma linha respeitável que discorda de todo esse enquadramento, e omiti-la seria desonesto. Gelman, Hill e Yajima defendem que o problema de múltiplas comparações pode desaparecer inteiramente quando visto de uma perspectiva bayesiana hierárquica. O argumento deles tem duas partes:
- Eles questionam o próprio paradigma do erro Tipo I, porque raramente acreditam que a hipótese nula possa ser estritamente verdadeira.
- Eles sustentam que o problema não é testagem múltipla e sim modelagem insuficiente da relação entre os parâmetros. Um modelo multinível faz encolhimento (as estimativas e os intervalos são puxados uns na direção dos outros), enquanto os procedimentos clássicos mantêm os centros parados e alargam os intervalos. Segundo eles, as comparações feitas com estimativas multiníveis ficam apropriadamente mais conservadoras sem sacrificar poder do jeito que muitos métodos tradicionais sacrificam.
Os mesmos autores reconhecem, no entanto, que métodos de controle de FDR fazem sentido particular em campos onde se espera um punhado de efeitos reais no meio de uma quantidade enorme de efeitos nulos, e que o FDR leva a um procedimento menos conservador em relação ao erro Tipo I, mas mais poderoso para detectar efeitos reais.
A tradução prática para quem roda testes A/B: se o seu motor é bayesiano, o caminho de modelar a hierarquia das métricas é legítimo e provavelmente melhor. O que não é legítimo é usar esse argumento como licença para ler 20 valores-p crus e escolher o que agradou. O tratamento bayesiano das decisões de teste está em teste A/B bayesiano e em perda esperada.
Checklist antes de ler o painel
- A família de testes está declarada por escrito? Quantas métricas, quantos braços, quantos segmentos, tudo antes do primeiro olhar.
- A métrica primária está nomeada isoladamente? Uma, não “as três principais”.
- O painel secundário tem uma régua declarada? Benjamini-Hochberg com q escolhido antes, não depois.
- Os guardrails estão fora da correção? Eles precisam de sensibilidade, não de rigor.
- Os segmentos que serão lidos estão listados? Corte não listado é exploração e sai rotulado como tal.
- Alguém contou quantas iterações esse tema já teve? A conta de 1 menos 0,975 elevado a k é acumulativa entre rodadas.
- Existe um estágio de replicação previsto? É o mecanismo mais confiável e o mais fácil de esquecer.
Erros comuns
- Definir a família depois de ver os resultados. Toda correção pressupõe que o denominador foi escolhido antes. Escolher depois anula a garantia.
- Aplicar Benjamini-Hochberg linha a linha. Comparar cada valor-p com o próprio limite e rejeitar só os que passam não é o procedimento. O correto é achar o maior índice que passa e rejeitar tudo abaixo dele.
- Usar Bonferroni no painel inteiro e concluir que nada nunca funciona. Com 100 métricas, o limiar vira 0,0005 e o painel fica permanentemente mudo. Isso é sinal de família mal definida, não de rigor.
- Corrigir guardrails. Aumenta a chance de deixar passar um dano real.
- Contar só as métricas e esquecer segmentos e iterações. Os eixos se multiplicam.
- Tratar q e alfa como a mesma coisa. Um q de 0,10 no FDR não é “mais frouxo que 0,05”: é outra grandeza, com outro numerador e outro denominador.
- Anunciar a métrica secundária que passou como se fosse o resultado do teste. Sobreviver ao FDR qualifica a métrica para uma rodada de confirmação, não para o slide de vitória.
Faça isso automático na Donnu
O erro caro aqui não é escolher a correção errada, é o painel não deixar claro quantas perguntas foram feitas. Vinte métricas numa tabela, todas com o mesmo intervalo de confiança e a mesma cor, escondem que a régua de 5 por cento foi projetada para uma pergunta e está sendo usada em vinte.
Na Donnu, a métrica primária é declarada na criação do experimento e fica visualmente separada do painel secundário, que carrega o valor-p ajustado por Benjamini-Hochberg ao lado do bruto, com o q usado escrito na tabela. Métricas de guardrail ficam num painel próprio, com limiar de alerta próprio e sem correção que reduza a sensibilidade delas. Se você quiser refazer qualquer linha na mão, a calculadora de significância aceita as contagens brutas e a calculadora para várias variações trata o eixo dos braços.
Referências
- Benjamini, Y. e Hochberg, Y. Controlling the False Discovery Rate: A Practical and Powerful Approach to Multiple Testing. Journal of the Royal Statistical Society, Série B, volume 57, número 1, páginas 289 a 300, 1995. Fonte da definição do FDR como a esperança da proporção de hipóteses nulas rejeitadas que foram rejeitadas erroneamente, da tabela de erros com as quatro células, das duas propriedades (FDR igual ao FWER quando todas as nulas são verdadeiras, implicando controle fraco do FWER; e FDR menor ou igual ao FWER quando algumas nulas são falsas, com o potencial de ganho de poder crescendo com o número de nulas falsas), do procedimento de passo para cima (o maior i com P(i) menor ou igual a i sobre m vezes q, rejeitando todas as posições até i), do Teorema 1 de controle do FDR em q para estatísticas independentes, e da observação de que a independência das estatísticas correspondentes às nulas falsas não é necessária para a prova. math.tau.ac.il.
- Kohavi, R., Deng, A., Frasca, B., Walker, T., Xu, Y. e Pohlmann, N. Online Controlled Experiments at Large Scale. KDD 2013. Fonte do relato de que o Bing reporta resultados em centenas de métricas, sobretudo para depuração e análise, e de que a resposta ao problema de múltiplos desfechos foi padronizar o critério de sucesso num conjunto pequeno de métricas como sessões por usuário; da fórmula 1 menos 0,975 elevado a k para k iterações e dos números derivados dela (cinco tratamentos elevando 2,5 por cento para 12 por cento, e seis iterações de experimentos com cinco tratamentos passando de 50 por cento); dos dois mecanismos de proteção (ajuste de limiar e estágio de replicação com maior poder estatístico); da orientação de usar valores-p menores, na ordem de 0,0001, na análise em fatias por segmento; e do uso de um algoritmo bayesiano empírico de controle de FDR na detecção de interações, num sistema que às vezes roda centenas de milhares de testes de hipótese. exp-platform.com.
- Kohavi, R., Deng, A., Longbotham, R. e Xu, Y. Seven Rules of Thumb for Web Site Experimenters. KDD 2014. Fonte da observação de que, rodando milhares de experimentos por ano, uma taxa de falso positivo de 0,05 implica centenas de falsos positivos para uma dada métrica, situação agravada quando várias métricas não correlacionadas são usadas, e da distinção entre falsos positivos esperados pela estatística e falsos positivos causados por desenho ruim, anomalia de dado ou erro de instrumentação. exp-platform.com.
- Gelman, A., Hill, J. e Yajima, M. Why We (Usually) Don’t Have to Worry About Multiple Comparisons. 2009. Fonte do contra-argumento: o questionamento do paradigma de erro Tipo I, a tese de que o problema é modelagem insuficiente da relação entre parâmetros e não testagem múltipla, o contraste entre encolhimento (modelos multiníveis puxam as estimativas umas na direção das outras) e o alargamento de intervalos com centros parados dos procedimentos clássicos, e o reconhecimento de que o controle de FDR é menos conservador quanto ao erro Tipo I e mais poderoso para detectar efeitos reais, fazendo sentido particular quando se espera poucos efeitos reais em meio a muitos nulos. arxiv.org/abs/0907.2478.
Leia também: Testar várias variações sem falso positivo · Métricas de guardrail · Plano de análise pré-registrado · Métrica primária e OEC · O problema do peeking · Calculadora de significância · Read in English
Perguntas frequentes
- Qual a chance de um falso positivo quando leio 20 métricas num teste A/B?
- Se as 20 métricas fossem independentes e nenhuma tivesse efeito real, a chance de pelo menos uma sair com valor-p abaixo de 0,05 é 1 menos 0,95 elevado a 20, ou seja, 64,15 por cento. Com 5 métricas são 22,62 por cento, com 10 são 40,13 por cento e com 50 são 92,31 por cento. Na prática as métricas de um mesmo teste são correlacionadas e o número real fica abaixo desse teto, mas a ordem de grandeza é essa: ler muitas métricas sem correção quase garante encontrar alguma coisa.
- Qual a diferença entre FWER e FDR?
- FWER é a probabilidade de cometer ao menos um erro Tipo I na família inteira de testes. FDR, definido por Benjamini e Hochberg em 1995, é a esperança da proporção de hipóteses rejeitadas erroneamente entre todas as rejeitadas. Os autores mostram que, quando todas as hipóteses nulas são verdadeiras, as duas coisas coincidem; quando algumas são falsas, o FDR é menor ou igual ao FWER, e por isso procedimentos que controlam só o FDR podem ser menos rigorosos e ganhar poder.
- Como funciona o procedimento de Benjamini-Hochberg?
- Ordene os m valores-p do menor para o maior. Encontre o maior índice i para o qual o valor-p na posição i é menor ou igual a i dividido por m, vezes a taxa alvo q. Rejeite todas as hipóteses da posição 1 até essa posição i. É um procedimento de passo para cima: a decisão é tomada pelo maior índice que passa, e todas as posições abaixo dele são rejeitadas juntas, mesmo que alguma delas isoladamente não passasse no próprio limite. Benjamini e Hochberg provam que isso controla o FDR em q para estatísticas de teste independentes.
- Bonferroni ou Benjamini-Hochberg para métricas de teste A/B?
- Depende do custo do erro. Bonferroni compara cada valor-p com alfa dividido pelo número de testes e controla o FWER: use quando uma única afirmação falsa já compromete a decisão, tipicamente na métrica primária de uma decisão de lançamento. Benjamini-Hochberg controla a proporção de falsas descobertas e é mais apropriado para a leitura exploratória do painel de métricas secundárias, onde algumas falsas descobertas entre muitas verdadeiras são toleráveis. As duas abordagens exigem declarar a família de testes antes de olhar os dados.
- Métricas de guardrail entram na correção de múltiplas comparações?
- Não devem entrar da mesma forma. A pergunta de uma métrica de guardrail é invertida: você não quer detectar um efeito, quer descartar um dano. Corrigir para múltiplas comparações torna mais difícil rejeitar a nula, o que aumenta a chance de deixar passar uma piora real. Guardrails pedem alerta sensível e limiar próprio, discutido em separado, não a mesma correção aplicada às métricas de sucesso.
- Existe quem defenda não corrigir para múltiplas comparações?
- Sim, e o argumento é sério. Gelman, Hill e Yajima defendem que, num modelo multinível bayesiano, o problema de múltiplas comparações pode desaparecer: o modelo puxa as estimativas umas na direção das outras (encolhimento) em vez de manter os centros parados e alargar os intervalos, o que segundo eles produz estimativas mais eficientes, sobretudo quando a variação entre os grupos é baixa, que é justamente onde múltiplas comparações mais preocupam. É uma alternativa ao paradigma de erro Tipo I, não uma licença para ler 20 métricas cruas e escolher a que agradou.