PostHog: Análise Completa 2026 (Recursos, Preço e Uso)
Análise do PostHog em 2026: franquia gratuita por produto, preço por unidade, experimento cobrado junto com feature flag e o que o self-host entrega.

📚 Este artigo faz parte do guia Ferramentas de Teste A/B Comparadas: Visão Neutra (2026).
O PostHog não é uma ferramenta de teste A/B, é uma plataforma de produto onde o teste A/B é um dos módulos, e entender essa diferença resolve a maior parte das dúvidas de quem está avaliando. Você não contrata o PostHog para testar uma landing page; você adota o PostHog para instrumentar um produto e, no meio disso, ganha experimentação amarrada às feature flags que já usa. Esta análise cobre o que ele faz, quanto cobra de fato por unidade, quanto um teste real consome da franquia gratuita, o que o self-host entrega e para quem essa conta fecha. Para o panorama da categoria, veja a comparação neutra de ferramentas de teste A/B.
Aviso de transparência antes de qualquer linha: a Donnu é uma ferramenta de teste A/B e concorre com o PostHog em parte do escopo. Este texto foi escrito para ser útil mesmo para quem vai escolher o PostHog no fim.
O que o PostHog é, em uma frase por peça
| Peça | O que faz | Como é cobrada |
|---|---|---|
| Analytics de produto | Eventos, funis, retenção e coortes | Por evento, a partir de US$ 0,00005 |
| Gravação de sessão | Replay do comportamento em web e mobile | Por gravação, a partir de US$ 0,0050 em web e US$ 0,0100 em mobile |
| Feature flags | Liga e desliga funcionalidade por segmento | Por requisição, a partir de US$ 0,0001 |
| Experimentos | Teste A/B em cima das flags | Cobrado junto com feature flags |
| Pesquisas | Perguntas dentro do produto | Por resposta, a partir de US$ 0,10 |
| Rastreamento de erro | Captura de exceções | Por exceção, a partir de US$ 0,00037 |
A leitura honesta dessa tabela: o experimento não tem preço próprio. Ele pega carona na cobrança de feature flags, o que é uma decisão de modelo com consequência prática forte, tratada na seção de custo mais abaixo.
Preço: franquia gratuita por produto
O modelo não tem assinatura de entrada. Cada produto tem a sua franquia mensal gratuita e, acima dela, você paga por unidade consumida, com preço que diminui por faixa de volume (daí o “a partir de” em cada linha). Números conferidos na página oficial em 10 de agosto de 2026:
| Produto | Franquia gratuita mensal | Preço acima da franquia |
|---|---|---|
| Analytics de produto | 1 milhão de eventos | A partir de US$ 0,00005 por evento |
| Gravação de sessão (web) | 5 mil gravações | A partir de US$ 0,0050 por gravação |
| Gravação de sessão (mobile) | 2,5 mil gravações | A partir de US$ 0,0100 por gravação |
| Feature flags e experimentos | 1 milhão de requisições | A partir de US$ 0,0001 por requisição |
| Pesquisas | 1.500 respostas | A partir de US$ 0,10 por resposta |
| Rastreamento de erro | 100 mil exceções | A partir de US$ 0,00037 por exceção |
| Data warehouse | 1 milhão de linhas | A partir de US$ 0,000015 por linha |
A implicação estratégica desse modelo é que uma operação pequena inteira roda de graça, para sempre, sem contrato e sem call comercial. Isso é raro na categoria e é o principal motivo de o PostHog aparecer tanto em listas de ferramentas de teste A/B grátis e de ferramentas open-source.
Quanto um teste A/B realmente consome
Aqui é onde a análise fica útil. Como o experimento é cobrado como feature flag, o custo de testar depende de duas coisas que você controla: quantas vezes a flag é avaliada e quantos eventos a sua instrumentação dispara.
Ajuste a calculadora com a sua taxa base real para dimensionar o seu caso:
Cálculo por aproximação normal de duas proporções, 2 variações (50/50). Mexa nos campos e veja o impacto ao vivo.
O exemplo trabalhado
Um produto converte 2,5% dos visitantes numa ação medida e recebe 25.000 visitantes por semana no fluxo testado. Para detectar um ganho relativo de 12% (de 2,5% para 2,8%), a 95% de confiança e 80% de poder, a matemática pede 44.996 visitantes por variação, o que leva 26 dias. Mirando 20% relativo (de 2,5% para 3%), o requisito cai para 16.792 por variação e o teste fecha em 10 dias.
O teste de 26 dias envolve cerca de 90 mil visitantes somando as duas variações. Suponha 4 páginas por visitante com avaliação da flag em cada uma, 12 eventos de analytics por visitante e gravação de 10% das sessões. A conta do mês fica assim:
| Consumo | Volume do experimento | Franquia gratuita | Excedente | Custo |
|---|---|---|---|---|
| Requisições de feature flag | ~360 mil | 1 milhão | Nenhum | US$ 0 |
| Eventos de analytics | ~1,08 milhão | 1 milhão | ~80 mil | ~US$ 4 |
| Gravações de sessão | ~9 mil | 5 mil | ~4 mil | ~US$ 20 |
Custo total do mês do experimento: cerca de US$ 24, e repare de onde ele vem. A parte cara não é o teste, é a gravação de sessão. As requisições de flag, que são o que o PostHog chama de custo do experimento, nem saíram da franquia gratuita. Quem quer baratear não deve reduzir a ambição estatística do teste, deve reduzir a taxa de amostragem das gravações.
Lendo o resultado
Suponha que o teste rodou até 45.000 visitantes por variação e fechou com 1.125 conversões no controle (2,50%) contra 1.233 na variação (2,74%).
Teste z bilateral de duas proporções. "Sem significância" quase sempre quer dizer que falta amostra, não que as versões são iguais.
Rodando esses quatro números no motor de significância deste blog: z = 2,25, valor-p ≈ 0,0242, com intervalo de confiança de 95% da diferença entre +0,03 e +0,45 ponto percentual, e melhora relativa observada de +9,6%. É significativo pela régua de 5%, e o intervalo continua largo o suficiente para que a projeção de receita seja feita pelo limite inferior, não pelo ponto central, como detalha o guia de significância estatística.
Uma armadilha específica de plataformas em que o experimento nasce de uma feature flag merece nota, porque ela custa dados e não dinheiro: avaliar a flag não é o mesmo que expor o visitante à variação. Se o seu código pede o valor da flag no carregamento de toda página, inclusive nas que nunca mostram o elemento testado, o denominador do experimento passa a incluir gente que jamais viu a diferença. O efeito medido encolhe, o teste precisa de mais amostra para o mesmo poder e a leitura fica conservadora sem ninguém perceber. A regra prática é registrar a exposição no momento em que o elemento testado é realmente renderizado, e não no momento em que a flag é consultada. Vale para qualquer ferramenta com esse desenho, e é o tipo de defeito que um teste A/A não pega, porque nele os dois lados são idênticos por construção.
Self-host: o que ele é e o que ele não é
Este é o ponto mais mal compreendido do produto. A implantação self-hosted existe, é distribuída sob licença MIT e qualquer um pode subir a sua. Segundo a documentação oficial, porém, ela é oficialmente sem suporte, sem garantias de funcionamento ou desempenho, e só dá acesso aos recursos da camada gratuita: tudo que é de plano pago fica exclusivo da nuvem. A própria documentação recomenda a nuvem para a maioria dos usuários e reserva o self-host para quem tem exigência específica de privacidade de dado ou muita competência de infraestrutura.
A tradução prática: self-host aqui é uma opção de soberania de dado, não uma opção de economia. Quem sobe a própria instância assume operação, atualização e risco para ficar com o mesmo conjunto de recursos que a nuvem já dá de graça na franquia. Faz sentido para quem tem restrição regulatória ou política de dado que impede enviar evento para fora; não faz sentido como estratégia de corte de custo.
Pontos fortes reais
- Franquia gratuita que cobre uma operação inteira. Um produto pequeno roda analytics, replay, flags e experimentos sem gastar nada e sem contrato.
- Experimento sem preço próprio. Times com muitos testes pequenos não pagam por experimento, o que remove o incentivo ruim de “guardar” testes para justificar a assinatura.
- Tudo sobre os mesmos eventos. O número do experimento e o número do analytics vêm da mesma fonte, o que elimina a divergência clássica entre as duas telas.
- Preço por unidade publicado. Dá para projetar a fatura a partir do seu próprio volume, sem cotação.
- Código sob licença MIT disponível. Mesmo com as limitações do self-host, poder ler o código é um argumento real de auditoria e de saída.
Limitações e pontos de atenção
- Não é ferramenta de marketing. Sem editor visual como caminho principal, testar página sem desenvolvedor é atrito, e o time de marketing acaba dependente da fila de engenharia.
- Fatura variável. O modelo por consumo é ótimo quando o volume é pequeno e imprevisível quando o produto cresce rápido. Defina alertas de consumo antes, não depois.
- Gravação de sessão domina o custo. Como o exemplo mostra, é a linha que estoura primeiro, e ela é fácil de ligar por descuido em 100% das sessões.
- Self-host com escopo reduzido. Sem suporte e limitado à camada gratuita, ele não é a versão paga rodando na sua infraestrutura.
- Amplitude de escopo cobra curva de aprendizado. Uma plataforma com mais de dez produtos exige disciplina para não instrumentar tudo e depois pagar por dado que ninguém olha.
Como avaliar num piloto
- Instrumente só o que entra em métrica. A conta de eventos por usuário é a sua principal alavanca de custo.
- Defina a taxa de amostragem das gravações desde o primeiro dia. Gravar 10% costuma responder as mesmas perguntas que gravar 100%, por um décimo do preço.
- Rode um teste A/A. Confirme que a divisão de tráfego bate com o configurado e que a ferramenta reporta corretamente a ausência de efeito.
- Projete a fatura do seu pico, não da sua média. Modelo por consumo se paga na baixa e surpreende na alta.
- Confirme as franquias na página oficial. Limites e preços de faixa mudam, e o valor deste artigo é a data da checagem, não uma promessa permanente.
Análise final: para quem o PostHog faz sentido
Faz sentido para times de produto e engenharia que querem analytics, replay, flags e experimentação no mesmo lugar, com custo variável e início gratuito de verdade. Para uma startup em fase inicial, é difícil bater a combinação de franquia generosa, ausência de contrato e código disponível.
Faz menos sentido para times de marketing que precisam de editor visual para testar landing pages sem deploy, para operações que exigem fatura fixa e previsível, e para quem espera do self-host uma versão paga gratuita. Para comparações diretas na mesma família, veja GrowthBook x PostHog e a análise do Statsig, que resolve um problema parecido com outro modelo de cobrança.
Se o seu caso é testar páginas web com rigor estatístico e sem montar uma plataforma de produto inteira, a Donnu é uma opção mais leve, com preço previsível e leitura conservadora do resultado. Ela não substitui o PostHog em analytics de produto, gravação de sessão, pesquisas ou rastreamento de erro, e dizer o contrário seria desonesto. Se o que você precisa é só a parte de teste, comece um teste grátis de 14 dias.
Leia também: Ferramentas de Teste A/B Comparadas · GrowthBook x PostHog · Ferramentas de Teste A/B Open-Source · Ferramentas de Feature Flag Comparadas
Referências
- PostHog. Pricing. Franquias gratuitas mensais por produto, preços por unidade acima da franquia e a indicação de que Experiments é cobrado junto com feature flags, conferidos em 10 de agosto de 2026. posthog.com/pricing.
- PostHog. Self-host. Licença MIT, ausência de suporte oficial, limitação aos recursos da camada gratuita e recomendação explícita da nuvem para a maioria dos usuários. posthog.com/docs/self-host.
- PostHog. Experiments. Documentação do módulo de experimentação construído sobre feature flags. posthog.com/docs/experiments.
- Kohavi, R., Tang, D. e Xu, Y. Trustworthy Online Controlled Experiments: A Practical Guide to A/B Testing. Cambridge University Press, 2020. Capítulos sobre instrumentação, teste A/A e escolha de plataforma. Material de apoio em experimentguide.com.
Perguntas frequentes
- Quanto custa o PostHog?
- O preço é por unidade consumida, com uma franquia gratuita mensal por produto e nenhum valor fixo de assinatura na entrada. Na checagem feita para este blog em 10 de agosto de 2026, a página oficial listava 1 milhão de eventos de analytics de produto, 5 mil gravações de sessão em web, 2,5 mil em mobile, 1 milhão de requisições de feature flag, 1.500 respostas de pesquisa e 100 mil exceções de erro por mês, todos gratuitos. Acima disso, os preços partiam de US$ 0,00005 por evento, US$ 0,0050 por gravação em web (US$ 0,0100 em mobile) e US$ 0,0001 por requisição de flag.
- O experimento do PostHog é cobrado separado?
- Não. Na tabela oficial, Experiments aparece como cobrado junto com feature flags, e não como produto com preço próprio. Na prática isso significa que o custo de um teste A/B no PostHog é o custo das requisições de flag que ele gera, mais os eventos de analytics que a sua instrumentação dispara. É um modelo diferente do de ferramentas que cobram por visitante testado, e favorece quem tem muitos experimentos pequenos.
- O PostHog é open source e dá para hospedar por conta própria?
- Sim, com ressalvas relevantes documentadas pela própria empresa. A implantação self-hosted é distribuída sob licença MIT e qualquer um pode subir a sua, mas ela é oficialmente sem suporte, sem garantias, e só dá acesso aos recursos da camada gratuita: tudo que é de plano pago fica exclusivo da nuvem. A documentação recomenda explicitamente a nuvem para a maioria dos usuários e reserva o self-host para quem tem exigência de privacidade ou muita competência de infraestrutura.
- A franquia gratuita do PostHog aguenta um teste A/B de verdade?
- Na maioria dos casos sim, e o gargalo costuma ser gravação de sessão, não experimento. O exemplo trabalhado deste artigo mostra a conta: um teste com cerca de 90 mil usuários no total gera em torno de 360 mil requisições de flag, dentro do 1 milhão gratuito, e cerca de 1,08 milhão de eventos, pouco acima do 1 milhão gratuito. O custo do mês fica na casa de dezenas de dólares, e a maior parte dele vem das gravações de sessão, não do teste.
- O PostHog serve para teste A/B de landing page sem engenharia?
- Parcialmente. O produto tem foco em times de produto e engenharia, com SDKs, flags e instrumentação de eventos como caminho principal. Um time de marketing sem apoio de desenvolvedor tende a ter mais atrito aqui do que numa ferramenta client-side com editor visual. Se o seu caso é testar página web sem depender de deploy, compare com as opções de editor visual antes de decidir.
- Para quem o PostHog faz sentido?
- Para times de produto e engenharia que querem analytics, gravação de sessão, feature flags e experimentação no mesmo lugar, pagando por consumo e começando de graça. A franquia mensal cobre uma operação pequena inteira sem contrato, e o modelo por unidade evita o degrau de preço típico de plano fechado. Faz menos sentido para operações de marketing que precisam de editor visual, e para quem quer previsibilidade de fatura fixa em vez de custo variável por volume.