Teste de Equivalência: como provar que não piorou
Teste de equivalência prova que a variação não piorou. Como escolher a margem, ler o intervalo de 90 por cento e dimensionar o teste A/B para empatar.

📚 Este artigo faz parte do guia Significância Estatística em Teste A/B: O Guia.
Um teste A/B sem significância estatística não prova que as duas versões empataram, prova apenas que o teste não conseguiu distinguir as duas. Para afirmar que a variação não piorou é preciso um teste de equivalência: no exemplo trabalhado deste artigo, dois testes com o mesmo veredito de não significância (valor-p de 0,5946 e de 0,8395) chegam a conclusões opostas, porque um deles prova equivalência dentro de meio ponto percentual e o outro deixa aberta a possibilidade de uma perda de mais de meio ponto. Este guia mostra como escolher a margem, como ler o intervalo certo e quanto tráfego custa provar um empate. Faz parte do nosso guia completo de teste A/B e é o complemento direto das métricas de guardrail, que só fazem sentido quando existe uma forma rigorosa de dizer “não piorou”.
O ônus da prova está no lugar errado
O teste A/B tradicional foi desenhado para responder uma pergunta: existe diferença? A hipótese nula é a de que não existe, e o experimento só a derruba quando a evidência a favor da diferença é forte o bastante. Walker e Nowacki descrevem essa estrutura sem rodeio: o ônus da prova recai sobre a hipótese de pesquisa, e ela só se estabelece quando existe evidência suficiente em seu favor. Quando essa evidência não aparece, a conclusão correta é apenas que a igualdade não pôde ser descartada.
O problema começa quando a pergunta do negócio é a inversa. Ninguém pergunta “o novo checkout converte diferente?” quando o objetivo é trocar um checkout caro por um barato. A pergunta real é “o novo checkout converte pior?”, e a resposta desejada é um não. Nessa hora o teste tradicional responde a pergunta errada, e o valor-p alto é lido como prova de empate, o que ele nunca foi.
| tipo de estudo | hipótese nula | hipótese de pesquisa |
|---|---|---|
| comparativo tradicional | não existe diferença entre as opções | existe diferença entre as opções |
| equivalência | as opções não são equivalentes | a nova opção é equivalente à atual |
| não inferioridade | a nova opção é inferior à atual | a nova opção não é inferior à atual |
A tabela é a tradução direta do quadro de hipóteses de Walker e Nowacki. Repare que a equivalência não é o comparativo tradicional com outro nome: é ele de cabeça para baixo. A nula passa a ser a não equivalência, e é ela que precisa ser derrubada pelos dados.
Duas leituras do mesmo “não deu diferença”
O caso trabalhado deste artigo compara duas versões de uma página com conversão de referência de 4 por cento. O primeiro teste rodou grande, o segundo rodou pequeno, e os dois terminaram sem significância estatística.
Teste grande. 60.000 visitantes por variação, 2.400 conversões no controle (4,0000 por cento) e 2.364 na variação (3,9400 por cento). O teste z de duas proporções devolve z igual a menos 0,5322 e valor-p de 0,5946. O intervalo de 95 por cento da diferença vai de menos 0,2809 a mais 0,1609 ponto percentual.
Teste pequeno. 8.000 visitantes por variação, 320 conversões no controle (4,0000 por cento) e 315 na variação (3,9375 por cento). O z é menos 0,2025 e o valor-p é 0,8395. O intervalo de 95 por cento vai de menos 0,6675 a mais 0,5425 ponto percentual.
Pela leitura tradicional, os dois casos são idênticos: nenhuma diferença detectada. Repare, porém, que o teste pequeno tem o valor-p maior, aquele que o hábito lê como “mais parecido”. É exatamente o contrário. O intervalo do teste pequeno é mais que o triplo mais largo, e ele deixa em aberto a possibilidade de a variação estar perdendo dois terços de ponto percentual, o que numa base de 4 por cento é uma queda relativa de quase 17 por cento.
Teste z bilateral de duas proporções. "Sem significância" quase sempre quer dizer que falta amostra, não que as versões são iguais.
Cole os dois pares acima na calculadora para reproduzir os valores-p e os intervalos de 95 por cento. Ela é a mesma implementação usada nos números deste artigo, então a conferência é direta.
O teste de equivalência pelo procedimento TOST
O caminho mais usado para testar equivalência é o procedimento dos dois testes unilaterais, o TOST, proposto por Schuirmann. A regra operacional é simples e cabe numa frase, na formulação de Walker e Nowacki: a equivalência fica estabelecida no nível alfa quando o intervalo de confiança de 1 menos 2 alfa para a diferença está inteiramente contido no intervalo de menos delta a mais delta.
O detalhe que quase todo mundo erra é o nível do intervalo. Com alfa de 0,05, o intervalo correto é o de 90 por cento, não o de 95. A razão é que o procedimento equivale a rodar dois testes unilaterais de 5 por cento, um contra cada borda da margem, e dois testes unilaterais de 5 por cento descrevem justamente um intervalo de 90 por cento. Hoenig e Heisey descrevem o mesmo resultado a partir de Schuirmann, e acrescentam que a abordagem é sempre um pouco conservadora.
Como toda calculadora de significância reporta o intervalo de 95 por cento, converter é trivial: divida a metade da largura do intervalo de 95 por cento por 1,96 para obter o erro-padrão, e multiplique por 1,645 para obter a metade da largura do intervalo de 90 por cento.
No teste pequeno, a metade da largura do intervalo de 95 por cento é 0,6050 ponto percentual. Dividida por 1,96 dá um erro-padrão de 0,3087 ponto. Multiplicado por 1,645 dá 0,5077, então o intervalo de 90 por cento vai de menos 0,5702 a mais 0,4452 ponto percentual. Ele não cabe dentro de menos 0,5 a mais 0,5: a equivalência não foi provada.
No teste grande, o mesmo caminho leva a um erro-padrão de 0,1127 ponto e a um intervalo de 90 por cento de menos 0,2454 a mais 0,1254 ponto percentual, inteiramente dentro da margem. A equivalência está provada no nível de 5 por cento.
Quem prefere um valor-p ao intervalo tem uma saída, também descrita por Walker e Nowacki: como o teste equivale a dois unilaterais, o valor-p da equivalência é o maior dos dois valores-p unilaterais. No teste grande, os dois z contra as bordas são 3,9031 e 4,9676, e o valor-p do TOST é 0,000047. No teste pequeno, os z são 1,4173 e 1,8223, e o valor-p do TOST é 0,0782, acima de 0,05: nada provado. A recomendação dos autores é reportar as duas coisas, intervalo e valor-p.
A margem é a decisão que importa
Walker e Nowacki chamam a determinação da margem de o passo mais crítico do procedimento, e o motivo é aritmético antes de ser conceitual: a margem entra ao quadrado no denominador da amostra. Margem menor significa zona de equivalência mais estreita, mais difícil de provar e muito mais cara.
Duas regras dos autores valem literalmente para experimentação de produto. A primeira: a margem tem que ser fixada antes de os dados serem coletados, ou o controle do erro tipo I vai embora. A segunda: a margem é a maior perda que se aceita em troca dos benefícios não relacionados à eficácia. Em ensaios clínicos esses benefícios são menos efeitos colaterais ou custo menor. Em produto são a mesma coisa com outro nome: uma página mais rápida, uma stack mais barata de manter, uma dependência a menos.
Os autores também registram um dado desconfortável sobre a prática: numa revisão de 162 relatos de estudos de equivalência e não inferioridade publicados em 2003 e 2004, cerca de 80 por cento não justificaram a escolha da margem e 28 por cento não a levaram em conta no cálculo de amostra. A tradução para o nosso contexto é direta: escrever “queremos garantir que não piora” no documento de planejamento não é definir margem. Definir margem é escrever o número e o motivo dele.
Quanto custa provar que empatou
A conta de amostra para o TOST com diferença verdadeira igual a zero segue a fórmula padrão, com a margem no lugar do efeito mínimo detectável e com o percentil de 1 menos beta sobre 2 no lugar do de 1 menos beta:
// N por variação para provar equivalência (diferença verdadeira zero)
// zA = percentil de 1 - alfa; zB = percentil de 1 - beta/2
function nEquiv(p, delta, alpha = 0.05, power = 0.8) {
const zA = normInv(1 - alpha); // 1,6449 para alfa 0,05
const zB = normInv(1 - (1 - power) / 2); // 1,2816 para poder 0,8
return Math.ceil((2 * p * (1 - p) * (zA + zB) ** 2) / delta ** 2);
}
Com base de 4 por cento, alfa de 0,05 e poder de 80 por cento, a tabela fica assim:
| margem de equivalência | N por variação | tráfego total | dias a 60.000 visitantes por semana |
|---|---|---|---|
| 0,10 pp | 657.704 | 1.315.408 | 154 |
| 0,20 pp | 164.426 | 328.852 | 39 |
| 0,30 pp | 73.079 | 146.158 | 18 |
| 0,50 pp | 26.309 | 52.618 | 7 |
| 0,75 pp | 11.693 | 23.386 | 3 |
| 1,00 pp | 6.578 | 13.156 | 2 |
A não linearidade é o ponto a levar: como a margem entra ao quadrado, apertar a margem pela metade multiplica a amostra por quatro. Sair de 1 ponto para 0,1 ponto multiplica por cem. É por isso que a conversa sobre margem precisa ser honesta desde o começo: uma margem estreita demais não deixa o teste mais rigoroso, deixa o teste impossível.
O teste pequeno do exemplo tinha 8.000 visitantes por variação. Para provar equivalência dentro de meio ponto percentual seriam necessários 26.309, mais que o triplo. Ele não fracassou por azar: nasceu pequeno demais para a pergunta que queriam fazer com ele.
Uma conferência contra a literatura
Vale mostrar que essa aritmética não é caseira. Walker e Nowacki publicam uma tabela de amostras calculadas no software PASS para um cenário com eficácias verdadeiras de 28 e 33 por cento, poder de 0,80 e alfa de 0,05. Rodando a mesma fórmula fechada, com a diferença verdadeira de 5 pontos entrando na conta, os números batem:
| margem | PASS (Walker e Nowacki) | fórmula fechada deste artigo |
|---|---|---|
| 0,06 | 26.185 | 26.134 |
| 0,07 | 6.547 | 6.534 |
| 0,08 | 2.910 | 2.904 |
| 0,09 | 1.637 | 1.634 |
| 0,10 | 1.048 | 1.046 |
| 0,11 | 728 | 726 |
| 0,12 | 535 | 534 |
A diferença fica abaixo de 0,3 por cento em todas as linhas, o que é o esperado para convenções ligeiramente distintas de variância. O que a tabela mostra de mais importante não é a coincidência numérica, é o formato da curva: entre uma margem de 6 pontos e uma de 12 pontos, a amostra necessária cai por um fator de quase 50.
Não inferioridade: quando só um lado importa
Boa parte dos casos de produto não precisa de equivalência dos dois lados. Se a variação subir a conversão, ninguém reclama. O que não pode acontecer é ela cair. Essa é a estrutura da não inferioridade, e a regra também é de uma linha: a não inferioridade fica estabelecida no nível alfa quando o limite inferior do intervalo de 1 menos 2 alfa fica acima de menos delta.
No teste pequeno, o limite inferior do intervalo de 90 por cento é menos 0,5702 ponto, abaixo de menos 0,5: nem a não inferioridade se sustenta. No teste grande, o limite inferior é menos 0,2454, confortavelmente acima da margem, então a variação é não inferior ao controle dentro de meio ponto percentual.
| pergunta do negócio | teste correto | critério com margem delta |
|---|---|---|
| a variação muda a conversão? | comparativo tradicional | o intervalo de 95 por cento exclui o zero |
| a variação é praticamente igual? | equivalência (TOST) | o intervalo de 90 por cento cabe entre -delta e +delta |
| a variação pelo menos não piora? | não inferioridade | o limite inferior do intervalo de 90 por cento fica acima de -delta |
Essa é a leitura que falta na maioria dos programas de experimentação: toda métrica de guardrail é, na prática, um teste de não inferioridade disfarçado. Quando a equipe declara que “o guardrail não acusou nada” apenas porque o valor-p ficou alto, ela está usando o teste com o ônus da prova invertido, exatamente o erro que Walker e Nowacki descrevem.
Como isso se encaixa no desenho do teste
Três decisões precisam estar no plano de análise pré-registrado, antes de qualquer dado:
- Qual métrica é de superioridade e qual é de não inferioridade. A métrica primária costuma ser de superioridade; os guardrails, de não inferioridade. Misturar as duas leituras depois do resultado é escolher a régua que favorece a conclusão desejada.
- A margem de cada métrica de guardrail, com justificativa. “Aceitamos até 0,3 ponto percentual de queda na conversão do checkout em troca de 400 milissegundos a menos de carregamento” é uma margem. “Não pode piorar” não é.
- O tamanho de amostra calculado com a margem. Se a amostra planejada não sustenta a margem escolhida, uma das duas precisa mudar antes do teste começar, não depois.
O efeito mínimo detectável e a margem de equivalência são primos: os dois traduzem uma decisão de negócio num número que entra ao quadrado no denominador da amostra. A diferença é a direção da pergunta. O MDE é o menor ganho que vale a pena detectar; a margem é a maior perda que se aceita ignorar.
Erros comuns
- Ler valor-p alto como prova de empate. É o erro central, e ele fica pior quanto menor o teste, porque testes pequenos produzem valores-p altos com facilidade.
- Usar o intervalo de 95 por cento no TOST. Com alfa de 0,05, o intervalo correto é o de 90 por cento. Usar o de 95 torna o teste mais conservador do que o declarado e derruba equivalências verdadeiras.
- Escolher a margem depois de ver o resultado. A margem definida depois dos dados sempre cabe no intervalo observado. Isso não é análise, é decoração.
- Aplicar a mesma margem a métricas de peso diferente. Meio ponto percentual de queda na conversão de checkout e meio ponto na taxa de clique de um banner secundário não custam a mesma coisa.
- Confundir equivalência com não inferioridade nos guardrails. Exigir equivalência dos dois lados num guardrail cobra tráfego a mais para provar algo que ninguém precisava provar: que a variação também não melhorou demais.
- Esquecer que a margem é uma promessa. Declarar equivalência dentro de meio ponto percentual é afirmar que perder meio ponto está combinado. Se a diretoria não assinaria essa frase, a margem está errada.
Faça isso automático na Donnu
A pergunta “piorou?” aparece em todo teste que troca infraestrutura, corta um campo de formulário ou simplifica uma página, e ela é sistematicamente respondida com a ferramenta errada: o valor-p do teste de superioridade.
Na Donnu, cada experimento carrega a métrica primária e as métricas de guardrail declaradas separadamente, com a margem de cada guardrail definida no momento do desenho e não na leitura do resultado, e o relatório mostra o intervalo da diferença ao lado da margem em vez de reduzir tudo a um carimbo de significância. Para conferir qualquer conta na mão, a calculadora de significância devolve o intervalo de 95 por cento de qualquer par de grupos (basta a conversão descrita acima para chegar ao de 90 por cento), a calculadora de intervalo de confiança trabalha a precisão de uma taxa isolada e a calculadora de tamanho de amostra dimensiona o teste antes de ele começar.
Referências
- Walker, E. e Nowacki, A. S. Understanding Equivalence and Noninferiority Testing. Journal of General Internal Medicine, volume 26, número 2, páginas 192 a 196, 2011. Fonte do quadro de hipóteses dos três tipos de estudo, da definição da margem de equivalência como a máxima diferença clinicamente aceitável em troca dos benefícios secundários, da regra do TOST (equivalência estabelecida no nível alfa quando o intervalo de 1 menos 2 alfa está contido em menos delta a mais delta), da regra de não inferioridade pelo limite inferior do mesmo intervalo, do valor-p do TOST como o maior dos dois valores-p unilaterais, da exigência de fixar a margem antes da coleta, da tabela de amostras calculada no PASS para eficácias de 0,28 e 0,33 e do levantamento de Le Henanff com 162 relatos em que cerca de 80 por cento não justificaram a margem e 28 por cento não a consideraram no cálculo de amostra. pmc.ncbi.nlm.nih.gov.
- Hoenig, J. M. e Heisey, D. M. The Abuse of Power: The Pervasive Fallacy of Power Calculations for Data Analysis. The American Statistician, volume 55, número 1, páginas 19 a 24, fevereiro de 2001. Fonte da seção 4 sobre teste de equivalência: a inversão do ônus da prova (não basta falhar em mostrar diferença, é preciso ficar razoavelmente certo de que uma diferença grande não existe), a formulação da nula como o efeito absoluto ser maior ou igual a delta, o resultado de Schuirmann de que um intervalo de 1 menos 2 alfa inteiramente contido entre menos delta e mais delta rejeita a não equivalência no nível alfa, e a observação de que a abordagem é sempre um pouco conservadora. stat-help.com.
- Lakens, D. Equivalence Tests: A Practical Primer for t Tests, Correlations, and Meta-Analyses. Social Psychological and Personality Science, volume 8, número 4, páginas 355 a 362, 2017. Fonte da tese de que é estatisticamente impossível sustentar que um efeito verdadeiro é exatamente zero, e do que é possível em vez disso: rejeitar efeitos grandes o bastante para serem considerados relevantes, definindo as bordas a partir do menor efeito de interesse. pmc.ncbi.nlm.nih.gov.
- Schuirmann, D. J. A comparison of the two one-sided tests procedure and the power approach for assessing the equivalence of average bioavailability. Journal of Pharmacokinetics and Biopharmaceutics, volume 15, páginas 657 a 680, 1987. Artigo original do procedimento TOST, citado aqui pelo relato de Walker e Nowacki e de Hoenig e Heisey, que descrevem seu conteúdo e seus resultados. link.springer.com.
Leia também: Métricas de guardrail · Efeito mínimo detectável · Plano de análise pré-registrado · Significância estatística em teste A/B · Calculadora de significância · Read in English
Perguntas frequentes
- O que é um teste de equivalência?
- É um teste que inverte o ônus da prova: em vez de tentar provar que existe diferença, ele tenta provar que a diferença é pequena o bastante para não importar. Walker e Nowacki descrevem a inversão de forma direta: no estudo comparativo tradicional a hipótese nula é que não existe diferença, e no estudo de equivalência a hipótese nula é que as opções não são equivalentes. Só quando os dados derrubam essa nula é que se pode afirmar equivalência.
- Por que um teste A/B sem significância não prova que empatou?
- Porque a ausência de evidência de diferença não é evidência de ausência de diferença. Um valor-p alto pode significar duas coisas muito distintas: que a diferença é pequena, ou que o teste era pequeno demais para enxergar qualquer coisa. No exemplo trabalhado deste artigo, dois testes com o mesmo veredito de não significância levam a conclusões opostas: um deles prova equivalência dentro de meio ponto percentual, o outro nem chega perto.
- O que é a margem de equivalência e como escolher?
- A margem, normalmente escrita como delta, é a maior diferença que você aceita em troca dos outros benefícios da mudança. Walker e Nowacki chamam a margem de a característica mais distintiva desse tipo de teste e registram que ela precisa ser definida antes de os dados serem coletados, para manter o erro tipo I no nível pretendido. Em experimentação de produto a margem sai da conversa de negócio, não da estatística: quanto de conversão a empresa aceita perder para ganhar meio segundo de carregamento, ou uma página bem mais barata de manter.
- Como o TOST funciona na prática?
- Pelo procedimento dos dois testes unilaterais, o mais usado. Segundo Walker e Nowacki, a equivalência fica estabelecida no nível alfa de significância quando o intervalo de confiança de 1 menos 2 alfa para a diferença cabe inteiro dentro do intervalo de menos delta a mais delta. Com alfa de 0,05, o intervalo que interessa é o de 90 por cento, não o de 95 por cento, justamente porque o procedimento equivale a dois testes unilaterais.
- Qual a diferença entre equivalência e não inferioridade?
- Equivalência olha os dois lados e não inferioridade olha um só. No teste de equivalência o intervalo inteiro precisa caber entre menos delta e mais delta. No de não inferioridade basta que o limite inferior do mesmo intervalo fique acima de menos delta, porque ficar acima do controle nunca foi problema. Em experimentação de produto a não inferioridade é a forma correta de ler quase toda métrica de guardrail.
- Provar que empatou custa mais tráfego que provar que melhorou?
- Costuma custar, e a razão é a margem. Como a amostra cresce com o inverso do quadrado da margem, apertar a margem pela metade multiplica a amostra por quatro. Na base de 4 por cento deste artigo, provar equivalência dentro de 1 ponto percentual pede cerca de 6.578 visitantes por variação, dentro de meio ponto pede cerca de 26.309, e dentro de um décimo de ponto pede cerca de 657.704.