Estatística

Teste de Orçamento: onde o gasto para de compensar

Teste de orçamento mede uma curva, não um vencedor. Retorno marginal contra ROI médio, por que dois braços não acham o ótimo e o custo em poder.

Ilustração plana de uma mão bombeando água por uma mangueira para dentro de copos de tamanhos decrescentes alinhados numa plataforma, o primeiro transbordando e o último quase vazio, sobre fundo verde menta

Um teste de orçamento não tem vencedor, tem uma curva. O tratamento não é uma variação de página nem um criativo, é um nível de gasto, e a pergunta não é “qual braço converteu mais”, é “o próximo real ainda se paga”. Três consequências saem disso e quase nunca aparecem no plano de teste. A primeira: o ROI médio e o retorno marginal são números diferentes, e é o segundo que decide. No exemplo trabalhado deste guia, o nível de gasto mais alto exibe um retorno aparente de 8,0100 enquanto o último real investido rende 0,8100, ou seja, devolve menos do que custou. A segunda: dois braços nunca encontram um ótimo, porque o ótimo mora entre os degraus. A terceira, a mais cara: o degrau adjacente, justamente o que interessa, é o menor efeito do experimento inteiro, e medir o menor efeito exige a maior amostra. Este guia cobre como sortear um nível de gasto, como ler a curva em vez do vencedor, o que a saturação custa em poder e onde termina o experimento e começa o modelo de mix. Este guia faz parte do nosso guia completo de teste A/B.

Um teste de orçamento não devolve um vencedor, devolve uma curva

Num teste A/B de página, o tratamento é uma coisa discreta: existe ou não existe. O visitante vê o botão novo ou vê o antigo, e a pergunta “qual ganha” faz sentido porque não há nada entre as duas versões.

Orçamento não funciona assim. Entre gastar R$ 60.000 e gastar R$ 180.000 numa janela existem infinitos níveis intermediários, e o desfecho muda de forma contínua ao longo desse contínuo. Quando você sorteia dois níveis de gasto e declara um vencedor, o que aconteceu de fato foi isto: você amostrou dois pontos de uma função e chamou o mais alto de campeão. O ponto mais alto de dois pontos quase sempre é o de maior gasto, porque mais mídia costuma comprar mais conversão. O que ninguém perguntou é se ele comprou barato.

A documentação do Meridian, do Google, nomeia as duas quantidades separadamente. O desfecho incremental é definido como a parte do resultado, vendas ou conversões, que foi causada por uma atividade de marketing específica. O ROI é esse desfecho incremental dividido pelo custo, e a documentação o descreve explicitamente como uma média histórica que vale para o canal inteiro. Já o mROI é o retorno de um pequeno aumento de gasto, por exemplo o próximo real, calculado com um incremento pequeno, que a documentação exemplifica com 1 por cento.

A frase que fecha o raciocínio está na mesma página: se o mROI está muito mais baixo que o ROI, o canal está começando a saturar no nível histórico de gasto. O exemplo da própria documentação é uma loja de sapatos com ROI de 2,50 dólares e mROI de 0,80 dólar no mesmo canal. Média confortável, margem negativa.

A curva de resposta do gasto e os dois degraus que o experimento mediuUm gráfico com o gasto da janela no eixo horizontal e as conversões no eixo vertical. Três pontos estão marcados sobre a curva: o nível baixo, com sessenta mil reais e sete mil e duzentas conversões; o nível médio, com cento e vinte mil reais e sete mil setecentas e quarenta conversões; e o nível alto, com cento e oitenta mil reais e oito mil e dez conversões. A curva que passa pelos três pontos sobe com força no primeiro trecho e quase se achata no segundo. Um trecho tracejado antes do nível baixo indica a faixa de gasto que o experimento não cobriu. Dois triângulos de inclinação anotam o que cada degrau comprou: quinhentas e quarenta conversões no primeiro e duzentas e setenta no segundo, pelo mesmo acréscimo de sessenta mil reais.o experimento não devolve um vencedor, devolve dois degraus de uma curvaconversões na janela de 4 semanas, por nível de gasto sorteado entre regiõesfaixa não sorteada+540+2707.2007.7408.010R$ 60.000R$ 120.000R$ 180.000nível baixonível médionível altoo mesmo acréscimo de R$ 60.000 comprou 540 conversões no primeiro degrau e 270 no segundo
Os três níveis sorteados são três pontos de uma função côncava. O que o experimento mede não é qual ponto é mais alto, é a inclinação entre pontos vizinhos, porque é a inclinação que responde se o próximo real se paga.

ROI médio e retorno marginal são números diferentes

Esta é a confusão que custa mais dinheiro em mídia paga, e ela não é estatística, é contábil.

Pegue o nível alto do exemplo trabalhado: 8.010 conversões numa janela que consumiu R$ 180.000, com ticket médio de R$ 180. Multiplique e divida: R$ 1.441.800 de receita atribuída sobre R$ 180.000 de gasto dá um retorno aparente de 8,0100. É o número que o painel mostra, é o número que vai para o relatório, e ele é dez vezes maior que o retorno marginal real daquele nível de gasto, que é 0,8100.

A diferença não é erro de arredondamento, é erro de atribuição. O 8,0100 credita à mídia toda a demanda que apareceu enquanto a mídia rodava, incluindo as 7.200 conversões que o nível baixo já entregava com um terço do gasto, e mais todas as que apareceriam com gasto zero. O 0,8100 pergunta outra coisa, muito mais estreita e muito mais útil: dos R$ 60.000 que você acrescentou por último, quanto voltou?

número o que ele mede valor no exemplo serve para decidir o quê
retorno aparente do nível receita atribuída dividida pelo gasto total 8,0100 quase nada, porque inclui demanda não causada
retorno médio do incremento receita incremental de L até H dividida pelo incremento de gasto 1,2150 se vale a pena estar no nível alto em vez do baixo
retorno marginal do último degrau receita incremental de M até H dividida pelos R$ 60.000 do degrau 0,8100 se o próximo real se paga, que é a pergunta real

Repare no do meio. O retorno médio do incremento, 1,2150, é a média de um degrau que paga 1,6200 e de um degrau que paga 0,8100. Ele está acima de 1, o que dá a impressão de que subir do nível baixo ao alto foi um bom negócio. Foi, em parte: a primeira metade do aumento foi excelente e a segunda metade destruiu valor. A média das duas esconde exatamente a informação que você precisava.

Lewis e Rao explicam por que essa contaminação não se resolve olhando mais dados observacionais. No estudo deles, com 25 experimentos de campo em grandes varejistas e corretoras americanas, 19 varejistas e 6 empresas de serviços financeiros, somando 2,8 milhões de dólares em gasto com publicidade digital, o desvio padrão da venda individual é tipicamente 10 vezes a média na janela típica de avaliação de campanha. Com esse nível de ruído no desfecho, qualquer diferença entre pessoas expostas e não expostas que não tenha vindo de um sorteio está dominada por seleção, e não por efeito.

O retorno aparente do nível alto é dez vezes o retorno do último real gastoTrês barras horizontais comparando retornos sobre investimento no mesmo nível de gasto. A primeira barra, muito longa, representa o retorno aparente de oito vírgula zero um, calculado dividindo toda a receita atribuída pelo gasto total. A segunda barra, curta, representa o retorno médio do incremento, um vírgula dois um cinco. A terceira barra, ainda mais curta, representa o retorno marginal do último degrau, zero vírgula oito um. Uma linha vertical tracejada marca o ponto de equilíbrio em um vírgula zero zero, e apenas a terceira barra termina à esquerda dessa linha, indicando que o último degrau não se paga.o mesmo nível de gasto, três retornos, uma só decisão corretareceita incremental por real gasto, no nível alto do exemplo trabalhadoequilíbrio: 1,0000retorno aparente8,0100média do incremento1,2150retorno marginal0,8100a média do canal pode ser ótima enquanto o último real gasto está destruindo valor
A barra de cima é o número que o painel exibe. A barra de baixo é o número que decide o próximo real. Elas diferem por um fator de dez no mesmo nível de gasto e no mesmo canal.

Como sortear um nível de gasto

Sortear uma página é fácil: o visitante chega, você joga a moeda, ele vê uma versão. Sortear um nível de gasto é mais difícil, porque orçamento é uma propriedade da campanha, não da pessoa. Três unidades de sorteio resolvem isso de maneiras diferentes.

Região. Você agrupa geografias em pares comparáveis e sorteia qual par recebe qual nível de gasto. É o desenho do exemplo trabalhado deste guia e o mais acessível para quem anuncia, porque não depende de nenhum acesso especial à plataforma. O mecanismo, o pareamento e a leitura estão em experimentos geográficos, e a leitura causal do resultado em teste de incrementalidade. O custo é a unidade: você tem poucas regiões, e poucas unidades grandes carregam muito mais variância que muitas unidades pequenas.

Submercado de usuários. Você divide a base de usuários em dois conjuntos disjuntos de tamanho igual e roda um nível de gasto em cada um. Hermle e Martini descrevem esse desenho em detalhe, e ele só está disponível para quem opera a plataforma de anúncios, porque exige isolar submercados inteiros de leilão. É o desenho mais limpo dos três e, por isso mesmo, o menos acessível ao anunciante.

Divisão de orçamento na própria plataforma. A plataforma divide o orçamento total entre os braços do experimento. A documentação do Google Ads é explícita sobre qual mecanismo se aplica a quê: para certos experimentos de Search, App e Display o Google suporta divisão de orçamento, enquanto para outros, como Performance Max, Demand Gen e Vídeo, suporta divisão de tráfego. Na divisão de orçamento, o Google reparte o orçamento total entre os braços; a própria página dá o exemplo de uma divisão 70-30, em que 70 por cento do orçamento vai para o controle e 30 por cento para o tratamento. Na divisão de tráfego, o que se reparte é quantas vezes os anúncios entram em leilão.

unidade de sorteio quem consegue usar o que ela resolve bem o que ela custa
região qualquer anunciante isola o leilão entre braços, permite nível de gasto de conta inteira poucas unidades, variância alta, precisa de pareamento cuidadoso
submercado de usuários só a plataforma sorteio individual sem canibalização de leilão exige controle do leilão, indisponível para o anunciante
divisão de orçamento na plataforma anunciante, nos tipos de campanha suportados rápido de montar, sem infraestrutura própria o mecanismo varia por tipo de campanha e os braços dividem o mesmo total

Duas advertências operacionais da documentação do Google Ads valem para o terceiro caso. A primeira: a recomendação é rodar o experimento por pelo menos 4 a 6 semanas, ou mais se o seu atraso de conversão for longo, mecanismo detalhado em atraso de conversão. A segunda: os primeiros 7 dias de dados são descartados para dar conta do tempo de aceleração do experimento. Ou seja, a plataforma já embute um período de queima, e o seu plano de análise precisa saber disso antes de calcular duração.

Exemplo trabalhado: três níveis, um degrau que decide

O desenho: experimento geográfico com três níveis de gasto sorteados entre regiões pareadas, 900.000 pessoas por nível, 4 semanas de janela, ticket médio de R$ 180. Os números abaixo saíram do mesmo motor de estatística que roda nas calculadoras desta página.

nível gasto na janela conversões taxa
baixo (L) R$ 60.000 7.200 0,8000%
médio (M) R$ 120.000 7.740 0,8600%
alto (H) R$ 180.000 8.010 0,8900%

Três níveis geram três comparações possíveis. Todas bilaterais, a 95 por cento:

comparação A B dif. abs. lift rel. z p IC 95% (pp) veredito
M contra L (dobra o gasto) 7.200/900.000 = 0,8000% 7.740/900.000 = 0,8600% +0,0600 pp +7,5000% 4,4364 0,000009 +0,0335 a +0,0865 M vence
H contra M (degrau adjacente, +50% de gasto) 7.740/900.000 = 0,8600% 8.010/900.000 = 0,8900% +0,0300 pp +3,4884% 2,1609 0,030704 +0,0028 a +0,0572 H vence
H contra L (triplica o gasto) 7.200/900.000 = 0,8000% 8.010/900.000 = 0,8900% +0,0900 pp +11,2500% 6,5957 0,000000 +0,0633 a +0,1167 H vence

Lido como um teste A/B comum, o resultado é trivial: o nível alto venceu as duas comparações em que apareceu, então gaste mais. Cole 7.740 conversões em 900.000 pessoas contra 8.010 em 900.000 na calculadora abaixo para reproduzir a linha do meio: a tela mostra p de 0,0307 e melhora de +3,5%, que são o 0,030704 e os mais 3,4884 por cento da tabela, arredondados.

Calculadora de significância estatística
Controle (A)
Variação (B)
Controle (A) · Taxa-
Variação (B) · Taxa-
Melhora relativa-
valor-p-
IC 95% da diferença-

Teste z bilateral de duas proporções. "Sem significância" quase sempre quer dizer que falta amostra, não que as versões são iguais.

Agora leia o mesmo experimento como uma curva. Cada degrau custou os mesmos R$ 60.000:

O custo por conversão incremental dobrou de um degrau para o outro. O retorno marginal caiu pela metade e cruzou 1 para baixo. O nível alto ganhou o teste de significância e perdeu dinheiro no processo, e as duas afirmações são verdadeiras ao mesmo tempo porque respondem perguntas diferentes: a primeira pergunta se o efeito existe, a segunda pergunta se ele vale o preço.

Dois degraus com o mesmo custo compram quantidades muito diferentes de conversãoDuas colunas comparadas lado a lado. Cada coluna representa um acréscimo de sessenta mil reais no orçamento. A coluna da esquerda, do nível baixo para o médio, mostra uma barra alta de quinhentas e quarenta conversões incrementais, custo de cento e onze reais e onze centavos por conversão e retorno marginal de um vírgula seis dois. A coluna da direita, do nível médio para o alto, mostra uma barra com metade da altura, duzentas e setenta conversões incrementais, custo de duzentos e vinte e dois reais e vinte e dois centavos por conversão e retorno marginal de zero vírgula oito um. Uma faixa inferior registra que o custo marginal dobrou enquanto o retorno marginal caiu pela metade e cruzou o ponto de equilíbrio.o mesmo cheque de R$ 60.000, comprado duas vezes, a preços diferentesconversões incrementais por degrau de orçamentodegrau 1: de L para M+540conversõesR$ 111,11 por conversãoretorno 1,6200degrau 2: de M para H+270conversõesR$ 222,22 por conversãoretorno 0,8100mesmo custoo custo marginal dobrou, o retorno marginal caiu pela metade e cruzou 1 para baixo
O segundo degrau é significante e ruim. Um teste A/B de dois braços reportaria apenas que o nível alto venceu, sem informar que cada conversão nova custou o dobro da anterior e mais que o ticket médio.

O degrau que interessa é o mais caro de medir

Aqui está a aritmética que torna a saturação um problema genuinamente difícil, e não apenas um descuido de leitura.

O tamanho de amostra necessário escala com o inverso do quadrado do efeito que você quer detectar. Perto da saturação, os efeitos entre níveis vizinhos são pequenos por definição, porque a curva está achatando. Logo, quanto mais perto do ponto em que a decisão importa, menor o efeito e maior a amostra exigida. As duas coisas se movem na direção errada juntas.

Com base de 0,86 por cento, teste bilateral a 95 por cento e poder de 80 por cento:

o que medir base MDE relativo N por nível duração com 3 níveis a 900.000 pessoas/semana
degrau H contra M 0,86% 3,4884% 1.512.816 36 dias
degrau M contra L 0,80% 7,5000% 358.916 9 dias
+10% relativo 0,86% 10,0000% 189.927 5 dias
+5% relativo 0,86% 5,0000% 741.784 18 dias
+2% relativo 0,86% 2,0000% 4.568.901 107 dias

O degrau que decide, de M para H, pede 1.512.816 pessoas por nível, quase o dobro das 900.000 que o experimento realmente teve. O degrau que já não interessava, de L para M, pede apenas 358.916. Reproduza a primeira linha na calculadora abaixo com base de 0,86 por cento, efeito mínimo detectável relativo de 3,49 por cento, confiança de 95 por cento e poder de 80 por cento; com 3,49 a tela mostra 1.511.417 por nível, e o 1.512.816 da tabela vem da fração cheia, 3,4884 por cento.

Calculadora de tamanho de amostra
-Visitantes por variação
-Total (2 variações)
-Duração estimada

Cálculo por aproximação normal de duas proporções, 2 variações (50/50). Mexa nos campos e veja o impacto ao vivo.

Com as 900.000 pessoas por nível que o experimento de fato teve, o poder efetivo fica assim:

Lewis e Rao chegam a essa mesma parede por outro caminho, e com números que valem citar. Nos experimentos de varejo deles, o intervalo de confiança mediano sobre o retorno do investimento tem cerca de 100 pontos percentuais de largura. O erro padrão mediano do ROI é de 26,1 por cento nos experimentos de varejo e de 115 por cento nos de corretoras. Para separar de forma confiável uma campanha muito lucrativa, com ROI de mais 50 por cento, de uma que apenas empata, com ROI de zero, a campanha mediana do estudo teria que ser 9 vezes maior. Para uma tolerância de 10 pontos de diferença de ROI, teria que ser 62 vezes maior, o que os autores classificam como praticamente impossível para uma campanha de tamanho realista.

Dois outros números do mesmo estudo ajudam a calibrar a intuição. Num exemplo estilizado de campanha muito lucrativa, os autores calculam que a variável de tratamento explicaria um R² da ordem de 0,0000054. E para render mais 25 por cento de ROI, a campanha mediana precisava causar um aumento de 0,35 dólar na venda média por pessoa, com custos de campanha entre 0,02 e 0,35 dólar por usuário exposto, a maioria perto de 0,10 dólar. Todo experimento do estudo teve mais de 500.000 usuários únicos e a maioria passou de 1.000.000; os autores calculam que experimentos informativos podem facilmente exigir mais de 10 milhões de pessoas-semana.

A amostra exigida explode conforme o efeito a detectar encolheCinco barras horizontais de comprimento crescente, uma para cada efeito mínimo detectável. Para dez por cento relativos a barra é muito curta, com cento e oitenta e nove mil novecentas e vinte e sete pessoas por nível. Para sete vírgula cinco por cento, trezentas e cinquenta e oito mil novecentas e dezesseis. Para cinco por cento, setecentas e quarenta e uma mil setecentas e oitenta e quatro. Para três vírgula quarenta e nove por cento, que é o degrau que decide, um milhão quinhentas e doze mil oitocentas e dezesseis. Para dois por cento, quatro milhões quinhentas e sessenta e oito mil novecentas e uma, uma barra várias vezes mais longa que as outras. Uma linha vertical tracejada marca as novecentas mil pessoas por nível que o experimento realmente tinha, e as duas maiores barras a ultrapassam.quanto menor o efeito, maior a amostra, e o efeito que decide é o menor de todospessoas por nível para 95% de confiança e 80% de poder, base 0,86%o experimento tinha 900.000 por nível+10,0000%189.927+7,5000%358.916 (degrau L para M)+5,0000%741.784+3,4884%1.512.816 (degrau M para H, o que decide)+2,0000%4.568.901o degrau anterior caberia 2,5 vezes na amostra disponível; o que decide não cabe uma vez
A barra escura é o degrau em que o retorno marginal cruza o equilíbrio, ou seja, o único que responde a pergunta do negócio. Ele exige quase o dobro da amostra que o experimento tinha, enquanto o degrau irrelevante caberia com folga.

Por que a plataforma consegue fazer isso e você não

Hermle e Martini, do LinkedIn, atacam exatamente este problema, e a solução deles explica por que medir a curva é fácil de um lado do leilão e difícil do outro.

O ponto de partida é a endogeneidade. Correlacionar orçamento com desempenho não identifica nada, e o viés pode ir para qualquer lado. Um anunciante que espera bom desempenho coloca mais orçamento, o que enviesa a estimativa para cima. Um anunciante que quer atingir um patamar de resultado coloca mais orçamento justamente quando espera desempenho ruim por unidade de gasto, o que enviesa para baixo, e os autores registram que em casos extremos isso produz incrementalidade negativa medida quando o efeito causal verdadeiro é positivo.

A solução proposta é a divisão assimétrica de orçamento, e o detalhe mais importante é o que ela não faz: ela não muda o orçamento total do anúncio. O procedimento tem três passos. Primeiro, dividir a base de usuários em dois conjuntos disjuntos de tamanho igual, criando os submercados M1 e M2. Segundo, criar duas cópias do mesmo anúncio e repartir o orçamento total de forma desigual entre elas, com orçamento alto igual a α vezes B e orçamento baixo igual a 1 menos α vezes B, sendo α maior que 0,5. Terceiro, sortear qual cópia vai para qual submercado, com probabilidade 0,5 para cada alocação.

O estimador usa o componente aleatório do orçamento, definido como o orçamento efetivamente alocado menos 0,5 vezes o orçamento total do anúncio, ou seja, o desvio em relação à divisão igual. Esse desvio é o que o sorteio criou, e isolá-lo é o que separa a variação experimental da variação natural de orçamento entre anúncios.

Vale registrar duas relações. A divisão simétrica de orçamento, aquela usada para resolver interferência entre variações em marketplace, é o caso particular com α igual a 0,5. As duas respondem perguntas diferentes e são compatíveis. E o método, segundo os próprios autores, generaliza para qualquer ambiente em que uma quantidade divisível e esgotável influencie o desfecho, incluindo estoque, cotas de notificação e limites de impressão.

Na implantação em produção no Marketplace de Vagas do LinkedIn, contínua e não uma medição de uma vez só, o fator de assimetria foi fixado em α igual a 0,6, escolhido por um cálculo de poder que considera a variação dos desfechos no marketplace. O eixo dos resultados publicados é censurado por confidencialidade, mas a direção é declarada: o retorno incremental por unidade de orçamento é menor em países com PIB per capita mais alto e menor para vagas de senioridade mais alta, porque nesses casos o preço de mercado do candidato é mais alto.

Divisão assimétrica de orçamento: mesmo total, repartido de forma desigual e sorteado entre submercadosUm diagrama em três etapas. No topo, uma caixa representa o orçamento total do anúncio, que permanece inalterado. Dele saem duas caixas: a cópia de orçamento alto, com sessenta por cento do total, e a cópia de orçamento baixo, com quarenta por cento. Abaixo, um símbolo de sorteio com probabilidade de cinquenta por cento decide qual cópia vai para o submercado um e qual vai para o submercado dois, sendo os dois submercados conjuntos disjuntos de usuários de tamanho igual. Uma faixa inferior registra que o estimador usa apenas o desvio em relação à divisão igual, que é a parte do orçamento criada pelo sorteio.divisão assimétrica: o orçamento total não muda, só a forma de reparti-loorçamento total Bcópia de orçamento alto0,6 de Bcópia de orçamento baixo0,4 de Bsorteio, 0,5 e 0,5submercado M1metade dos usuáriossubmercado M2a outra metade, disjuntao estimador usa só o desvio em relação à divisão igual, que é o que o sorteio criou
O desenho é discreto e barato do ponto de vista da plataforma: não exige grupo de controle nem holdout, então nenhuma receita é abandonada para medir. É também a razão pela qual o anunciante não consegue reproduzi-lo sem operar o leilão.

E o anunciante? Ele não pode isolar submercados de leilão, e não pode simplesmente mexer no próprio orçamento sem consequência, porque mudar orçamento no meio de uma campanha mexe no ritmo de entrega e nos sistemas de otimização que rodam por cima, mecanismo tratado em lances automáticos e em ritmo de entrega do orçamento. O que sobra para o anunciante são duas coisas: a divisão por região, com o seu próprio sorteio, e a divisão de orçamento oferecida pela plataforma nos tipos de campanha em que ela existe, com os limites e o descarte de sete dias já mencionados.

A fronteira com o modelo de mix de marketing

Vale separar com precisão o que é assunto de modelagem de mix de marketing calibrada por experimento e o que é assunto deste guia, porque as duas coisas usam a palavra “curva” e querem dizer objetos diferentes.

Lá, o objeto é um modelo, e o experimento serve de âncora. A curva de resposta, na definição do Meridian, é o desfecho incremental em função do gasto, preservando os padrões históricos de veiculação. Ela é estimada com dados históricos e existe em toda a faixa. Em cima dela rodam os cenários de otimização de orçamento, e a documentação declara três. O cenário 1, orçamento fixo, é o método padrão: encontrar a alocação ótima entre canais e táticas para maximizar o retorno, com restrição padrão de mais ou menos 0,3 por canal, ou seja, cada canal pode variar entre 70 e 130 por cento do gasto alocado. O cenário 2, orçamento flexível com ROI mínimo alvo, pergunta quanto dá para gastar, sem limite de orçamento, até o ROI geral atingir o alvo; a restrição se aplica no nível do ROI total de marketing e não no nível de canal, com faixa padrão de 0 a 200 por cento do gasto alocado. O cenário 3, orçamento flexível com mROI alvo, pergunta quanto dá para gastar até o mROI de cada canal atingir o alvo; aqui a restrição se aplica no nível de canal e não no total, com as mesmas faixas.

Aqui, o objeto é a própria curva, medida por sorteio numa faixa estreita. O experimento não devolve a curva inteira, devolve dois ou três pontos dela, com intervalo de confiança em cada degrau. É muito menos abrangente e muito mais difícil de contestar.

As duas coisas se encaixam, e a razão está declarada na documentação do Meridian: o risco de extrapolação afeta a estimativa de desfecho incremental para pontos da curva de resposta que estão acima do gasto histórico, e esse risco cresce quanto mais longe você vai. O experimento resolve isso na faixa que ele cobriu e só nela. Na prática, o modelo propõe a direção e o tamanho do movimento, o experimento confirma o degrau seguinte, e a próxima rodada do modelo herda um ponto medido em vez de um ponto extrapolado.

Métricas de guarda

Um teste de orçamento falha de maneiras que um teste de página não conhece, porque o tratamento mexe no sistema de entrega e não só no que o visitante vê.

sinal o que observar o que fazer se disparar
gasto realizado por nível o gasto efetivo de cada braço contra o gasto planejado do nível se um nível não gastou o que devia, o tratamento não foi aplicado; não leia a curva ainda
braço limitado por orçamento qualquer nível batendo no teto de entrega antes do fim do dia o nível está estrangulado, não tratado; o degrau medido não é o degrau planejado
pessoas alcançadas por nível divergência entre níveis que cresce com o tempo confira o sorteio das unidades antes de ler conversão; ver desequilíbrio de amostra
ticket médio por nível diferença de ticket entre níveis maior que o ruído histórico mais gasto pode estar comprando outro público; a receita incremental deixa de ser comparável entre degraus
atraso de conversão mediana de dias entre exposição e conversão contra a data de leitura espere pelo menos um ciclo completo depois do fim antes de fechar o retorno marginal
retorno marginal do último degrau o degrau adjacente cruzando 1 para baixo pare de subir; o próximo degrau custa mais amostra e rende menos

A regra que resume todas: antes de ler a curva, confirme que cada nível realmente gastou o que o sorteio mandou gastar. Um nível que não conseguiu gastar o orçamento designado não é um ponto da curva, é um ponto de outra curva.

Erros comuns

Faça isso automático na Donnu

A dor específica deste guia é uma dor de leitura, não de execução: o número que o painel de mídia entrega é uma média de canal, e a decisão que você precisa tomar é marginal. Nenhuma ferramenta conserta isso automaticamente, porque a diferença entre os dois números depende de quanto da demanda existiria sem a mídia, e isso só um sorteio responde.

O que dá para automatizar é a metade estatística: declarar o nível, a janela e o efeito mínimo antes de começar, e ler cada degrau com o intervalo de confiança do lado, em vez do vencedor. Na Donnu o experimento vive no seu site, com data de início, período de queima e data de leitura declarados antes de o teste subir, e o relatório mostra a diferença absoluta com o intervalo ao lado, que é a forma que não se deixa enganar por um degrau de baixo poder. Para quem quiser fazer a conta sem subir nada, a calculadora de tamanho de amostra e a calculadora de significância desta casa são gratuitas e abertas.

A Donnu é uma opção entre várias, e nenhuma ferramenta de teste em página mede a curva de orçamento por você: essa parte exige sorteio na camada de mídia, por região ou pela própria plataforma. O que não muda de ferramenta para ferramenta é o princípio: se você não sorteou mais de um nível de gasto, o retorno marginal que você está usando para decidir não foi medido, foi suposto.

Perguntas frequentes

As perguntas no topo desta página cobrem se teste de orçamento é a mesma coisa que teste A/B, qual a diferença entre ROI e retorno marginal, por que dois níveis de gasto não bastam, quantas pessoas são necessárias para medir saturação, se dá para estimar a curva sem experimento e o que um experimento de orçamento não responde.

Referências

Leia também: Realocação de orçamento · Ritmo de entrega do orçamento · Experimentos geográficos · Teste de incrementalidade · Modelagem de mix de marketing · Efeito mínimo detectável · Quantos visitantes · O problema do peeking · Lances automáticos · Read in English

Perguntas frequentes

Teste de orçamento é a mesma coisa que teste A/B?
É um teste A/B com outro tipo de tratamento. No teste A/B clássico você sorteia pessoas entre duas versões e pergunta qual delas ganha. No teste de orçamento o tratamento é um nível de gasto, e a resposta não é um vencedor, é uma curva: quanto cada real adicional ainda produz. Por isso o desenho costuma ter três ou mais braços, e a leitura olha a inclinação entre braços vizinhos, não apenas qual braço teve o número mais alto.
Qual a diferença entre ROI e retorno marginal?
O ROI é uma média histórica do canal inteiro; o retorno marginal é o que o próximo real produz. A documentação do Meridian define o mROI como o retorno de um pequeno aumento de gasto, com um incremento como 1 por cento, e afirma que quando o mROI está muito abaixo do ROI o canal está começando a saturar no nível histórico de gasto. No exemplo trabalhado deste guia, o retorno aparente do nível alto é 8,0100 e o retorno marginal do último degrau é 0,8100. Quem decide o próximo real é o segundo número.
Por que dois níveis de gasto não bastam?
Porque dois pontos só descrevem uma reta, e a pergunta é sobre curvatura. Com dois braços você mede a inclinação média entre eles e continua sem saber se o ponto de equilíbrio está antes, dentro ou depois do intervalo. No exemplo deste guia, ir do nível baixo ao alto de uma vez rende retorno médio de 1,2150, que parece confortável, mas esse número é a média de um degrau que paga 1,6200 e de outro que paga 0,8100. Três níveis mostram onde a curva cruza o equilíbrio; dois níveis escondem.
Quantas pessoas preciso para medir saturação?
Mais do que a intuição sugere, porque o degrau que decide é o menor efeito do experimento inteiro. No exemplo deste guia, detectar o degrau do nível médio para o alto, de mais 3,4884 por cento relativos sobre uma base de 0,86 por cento, em teste bilateral a 95 por cento com poder de 80 por cento, exige 1.512.816 pessoas por nível. O degrau anterior, que já não interessava, pede apenas 358.916. A amostra escala com o inverso do quadrado do efeito, então cada passo em direção à saturação multiplica a conta.
Dá para medir a curva sem experimento?
Dá para estimar, não para identificar. Hermle e Martini mostram que correlacionar orçamento com desempenho não identifica nada, porque o orçamento é endógeno: quem espera bom desempenho coloca mais orçamento, e quem persegue um patamar coloca mais orçamento justamente quando espera desempenho ruim por unidade de gasto. Um modelo de mix de marketing devolve uma curva de resposta útil, mas a própria documentação do Meridian avisa que o risco de extrapolação cresce quanto mais longe do gasto histórico você vai. O experimento é o que ancora a faixa.
O que o experimento de orçamento não responde?
Ele não diz onde exatamente está o ótimo, nem o que acontece fora da faixa sorteada. Um experimento com três níveis devolve dois degraus e, portanto, dois retornos marginais; o ponto em que a curva cruza o equilíbrio mora entre os degraus, e o experimento apenas o cerca. Ele também não responde como dividir o orçamento entre canais, que é problema de realocação, nem como distribuir o gasto ao longo do dia, que é problema de ritmo de entrega.