Estatística

Recalcular o Tamanho de Amostra no Meio do Teste A/B

Como recalcular o tamanho de amostra no meio do teste A/B quando a taxa base do plano estava errada, sem inflar o falso positivo. Poder de 42% para 78%.

Ilustração plana de um caminho de pedras retangulares verdes atravessando uma superfície clara, com um pequeno marcador fincado numa das pedras do meio e mais pedras continuando depois dele

Existe uma forma legítima de mexer no tamanho de amostra depois que o teste A/B começou: recalcular usando somente a taxa de conversão AGRUPADA dos dois braços, sem olhar a diferença entre eles. Na simulação deste artigo, um plano feito para uma base de 5 por cento rodando sobre uma base real de 2 por cento entregou poder de 42,0 por cento no desenho fixo e 77,8 por cento com recálculo às cegas, com a taxa de falso positivo permanecendo entre 4,37 e 5,08 por cento em todos os cenários testados. Isso não é espiar: espiar é usar a diferença entre A e B, e é isso que quebra o teste. Este guia mostra a diferença entre as duas coisas, mede o estrago de errar a taxa base, quantifica quando recalcular, e registra o único caso em que o método não é seguro. Faz parte do nosso guia completo de teste A/B e complementa quantos visitantes um teste A/B precisa e o problema do peeking.

O plano nasce em cima de um número que você chutou

Todo cálculo de amostra precisa de quatro coisas: o nível de significância, o poder desejado, o efeito mínimo que você quer detectar e a taxa base. As três primeiras são decisões do time. A quarta é uma medição do passado, e é a única que pode estar simplesmente errada.

Ela erra por motivos banais: o histórico veio de outra estação do ano, a página mudou desde a última medição, a campanha trouxe tráfego de qualidade diferente, o evento de conversão foi redefinido, o filtro de bot mudou. Na literatura de ensaios clínicos esse tipo de parâmetro tem nome: parâmetro de perturbação, um número que afeta a distribuição da estatística de teste mas não é o que você quer testar. Para desfecho binário, o parâmetro de perturbação é exatamente a taxa de resposta agrupada sobre os dois braços.

O trabalho de referência sobre o pacote blindrecalc, de Baumann, Pilz e Kieser, ilustra a incerteza com uma meta-análise de 13 estudos em que a taxa de morbidade agrupada relatada variou de 0,10 a 0,62. É a mesma ordem de erro que um time de produto comete quando estima a conversão de um checkout novo a partir do checkout velho.

O que a taxa base errada faz com o tamanho de amostra

Vamos tomar um plano concreto: base assumida de 5 por cento, efeito mínimo detectável de 10 por cento relativo, alfa de 5 por cento bicaudal, poder de 80 por cento. A calculadora devolve 31.234 usuários por variação e 11 dias a 40.000 visitantes por semana.

Agora suponha que a base real seja outra. Com o efeito mínimo mantido em 10 por cento relativo, que é o jeito como a maioria dos times pensa:

base real N realmente necessário N do plano poder real com o N do plano dias necessários
2% 80.682 31.234 41,4% 29
3% 53.211 31.234 57,4% 19
4% 39.475 31.234 70,3% 14
5% 31.234 31.234 80,0% 11
6% 25.740 31.234 87,0% 10
8% 18.872 31.234 95,0% 7
10% 14.751 31.234 98,3% 6

Errar a base para baixo em 3 pontos percentuais custa metade do poder. E o time nunca fica sabendo: o teste termina, dá “não significante”, e a conclusão registrada é que a variação não funcionou.

Vale notar que o sinal do erro se inverte se o seu efeito mínimo for pensado em pontos percentuais absolutos:

base real N necessário (MDE de 0,5 pp) poder real com o N do plano dias necessários
2% 13.809 98,8% 5
3% 19.743 94,1% 7
4% 25.551 87,2% 9
5% 31.234 80,0% 11
6% 36.791 73,3% 13
8% 47.528 62,2% 17
10% 57.763 54,0% 21

As duas tabelas apontam em direções opostas porque medem coisas diferentes. A lição prática é que você precisa saber qual das duas definições o seu time usa antes de discutir se a amostra está grande ou pequena. Mais sobre isso em efeito mínimo detectável.

O poder do teste desaba quando a taxa base real fica abaixo da assumidaGráfico de linha mostrando o poder estatístico real de um teste dimensionado para uma taxa base de 5 por cento, conforme a taxa base verdadeira varia de 2 a 10 por cento. A linha começa em 41 por cento de poder quando a base real é 2 por cento, sobe para 57 por cento em 3 por cento de base, 70 por cento em 4 por cento, cruza o alvo de 80 por cento exatamente quando a base real é 5 por cento, e continua subindo até 98 por cento quando a base real é 10 por cento. Uma linha tracejada horizontal marca o alvo de 80 por cento e uma linha vertical tracejada marca a base assumida de 5 por cento. A metade esquerda do gráfico, onde o poder está abaixo do alvo, está sombreada.Poder real de um plano feito para base de 5%, com efeito mínimo de 10% relativoalvo 80%base assumida41,4%57,4%70,3%95,0%98,3%2%5%8%10%taxa base VERDADEIRANa região sombreada o teste roda subdimensionado e ninguém percebe: ele simplesmente termina sem significância.
O plano não avisa quando está errado. Ele só entrega menos poder do que prometeu, e o resultado sai como “sem efeito”.

Recalcular às cegas não é espiar

A confusão é compreensível, porque as duas coisas envolvem olhar dados no meio do teste. A separação é limpa:

o que você olha no meio do teste carrega informação sobre o efeito? consequência
a diferença entre A e B, para decidir parar sim inflação séria do falso positivo, o problema do peeking
a conversão de cada braço separada, para redimensionar sim recálculo com o resultado à vista, exige correção formal
a conversão AGRUPADA dos dois braços somados não, sob a hipótese nula recálculo às cegas, sem correção necessária

O estimador às cegas para desfecho binário é trivial de calcular e está escrito assim no artigo do blindrecalc: some as conversões dos dois braços e divida pela soma dos visitantes dos dois braços. Ninguém abre a quebra por variação. Com essa taxa agrupada, as taxas por braço sob a alternativa assumida são reconstruídas aritmeticamente a partir do efeito que você já tinha declarado no plano, e o N sai do mesmo jeito de sempre.

O procedimento completo, na formulação de Baumann, Pilz e Kieser:

  1. Calcule o N inicial com a melhor estimativa disponível da taxa base.
  2. Defina o ponto do piloto interno como uma fração desse N (eles sugerem 0,25, 0,5 ou 0,75).
  3. Ao atingir esse ponto, estime a taxa agrupada e recalcule o N.
  4. O N final é o mínimo entre o teto pré-especificado e o máximo entre o N do piloto e o N recalculado.
  5. Colete o restante e rode o teste normal no total, sem correção de nível.

O ponto 4 esconde uma escolha de desenho. Se você também impõe o N inicial como piso, tem o desenho restrito, que só cresce. Se não impõe, tem o desenho irrestrito, que pode encolher.

O que a simulação mostrou

Simulamos 6.000 réplicas por célula, com o piloto interno em 50 por cento do N planejado, teto de 4 vezes o plano e desenho irrestrito. Todas as taxas foram lidas com a mesma função de significância que alimenta as calculadoras deste blog.

Sob a hipótese nula (efeito real igual a zero), taxa de falso positivo:

base real desenho fixo com recálculo às cegas N médio final
2% 5,12% 4,70% 80.628
3% 5,07% 4,57% 53.157
5% 5,03% 5,08% 31.212
8% 4,77% 4,37% 18.861

O erro-padrão de Monte Carlo em 5 por cento com 6.000 réplicas é de 0,28 ponto percentual, então todos esses valores estão dentro de duas barras de erro do nominal. Não há inflação de erro tipo I. Isso está de acordo com o que a literatura registra: no caso de superioridade, a re-estimativa às cegas pode ser feita sem inflação relevante do erro tipo I.

Sob a alternativa (efeito real de +10 por cento relativo), poder:

base real desenho fixo com recálculo às cegas N médio final
2% 42,00% 77,82% 76.851
3% 57,57% 77,98% 50.581
5% 80,28% 77,83% 29.663
8% 95,27% 77,15% 17.876

Essa é a tabela inteira do argumento. O desenho fixo entrega poder que varia de 42 a 95 por cento conforme a sorte da estimativa inicial. O recálculo às cegas entrega poder estável em torno de 77 por cento em todos os cenários, e o custo disso é tráfego a mais quando a base real é baixa e tráfego a menos quando ela é alta.

Poder do desenho fixo contra o desenho com recálculo às cegasGráfico de barras agrupadas com quatro grupos, um para cada taxa base real testada: 2, 3, 5 e 8 por cento. Em cada grupo há duas barras. A barra escura é o desenho fixo, cujo poder sobe de 42 por cento em base 2 por cento até 95 por cento em base 8 por cento. A barra clara é o desenho com recálculo às cegas, que fica praticamente na mesma altura nos quatro grupos, entre 77 e 78 por cento. Uma linha tracejada horizontal marca o alvo de 80 por cento de poder.Poder medido em 6.000 réplicas por célula, efeito real de +10% relativoalvo 80%42,077,8base 2%57,678,0base 3%80,377,8base 5%95,377,2base 8%desenho fixo (plano feito para base de 5%)com recálculo às cegas em 50% do plano
A barra clara é praticamente reta. É isso que significa proteger o poder: o teste entrega o que foi prometido independentemente de a estimativa inicial ter acertado.

Por que o poder para em 78 e não em 80

O recálculo não entrega exatamente os 80 por cento pedidos, e a causa é interessante o suficiente para valer uma seção.

Sob a hipótese nula, a taxa agrupada é uma estimativa não viesada da taxa do controle. Sob a alternativa, não é: ela fica no meio do caminho entre a taxa do controle e a taxa da variação, ou seja, um pouco acima da taxa base verdadeira. E como o N necessário cai conforme a base sobe, o recálculo devolve um N ligeiramente pequeno demais.

Medimos o tamanho exato desse viés com 3.000 réplicas por linha, com base verdadeira de 5 por cento:

efeito real taxa agrupada estimada N recalculado N realmente necessário desvio
0% 5,0049% 31.201 31.234 -0,11%
+5% 5,1305% 30.396 31.234 -2,68%
+10% 5,2550% 29.634 31.234 -5,12%
+20% 5,5055% 28.207 31.234 -9,69%
+50% 6,2540% 24.624 31.234 -21,16%

Sob a nula, o viés some. Sob um efeito de 10 por cento, o N sai 5,12 por cento curto, o que corresponde exatamente aos 2 pontos percentuais de poder que faltaram. E repare no lado bom: quanto maior o efeito real, mais o N encolhe, e é precisamente quando um efeito grande dispensa amostra grande. O viés trabalha na direção certa.

Se você quer blindar os 80 por cento, a correção é trivial: peça 82 ou 83 por cento de poder no recálculo, ou aplique a regra do desenho restrito descrita abaixo.

Restrito ou irrestrito: uma escolha de negócio

A diferença aparece quando a base real vem maior que a assumida. Rodamos os dois desenhos com base real de 8 por cento, plano feito para 5 por cento:

desenho falso positivo poder N médio por variação
irrestrito (pode encolher) 5,15% 77,23% 17.892
restrito (nunca abaixo do plano) 5,57% 94,92% 31.234

O irrestrito gastou 43 por cento menos tráfego e entregou o poder contratado. O restrito gastou o planejado e entregou poder de sobra. Nenhum dos dois está errado: são objetivos diferentes.

Declare a escolha no plano de análise pré-registrado antes do teste começar, junto do ponto do piloto e do teto. Isso é o que separa o recálculo às cegas de improviso.

Quando recalcular importa menos do que parece

Testamos o ponto do piloto interno em cinco posições, com base real de 3 por cento e plano feito para 5 por cento, 6.000 réplicas cada:

piloto em n1 por variação falso positivo poder N médio final desvio-padrão da taxa estimada
10% do plano 3.123 5,10% 78,28% 50.841 0,2235 pp
25% do plano 7.809 4,85% 78,87% 50.628 0,1398 pp
50% do plano 15.617 5,57% 77,78% 50.618 0,0996 pp
75% do plano 23.426 5,23% 77,75% 50.573 0,0803 pp
100% do plano 31.234 5,20% 78,72% 50.552 0,0704 pp

O N realmente necessário nesse cenário é 53.211, e o recálculo chegou perto disso em todas as posições. O falso positivo ficou entre 4,85 e 5,57 por cento, dentro de duas barras de erro do nominal em todas as linhas.

O que muda de verdade é a precisão da estimativa: o desvio-padrão da taxa agrupada caiu por um fator de 3 entre o piloto em 10 por cento e o piloto em 100 por cento. Na prática isso significa que recalcular cedo funciona desde que já exista dado suficiente para estimar a taxa com estabilidade. A regra prática de Baumann, Pilz e Kieser continua sensata: nem cedo demais, quando ainda há muita incerteza sobre o parâmetro, nem tarde demais, quando já não sobra espaço para ajustar porque o N recalculado já foi ultrapassado.

O caso em que isso NÃO é seguro

Existe uma exceção importante e ela tem nome: teste de não inferioridade e de equivalência.

Glimm e Läuter mostram por quê. Num teste de não inferioridade com margem, a variância total usada no recálculo é calculada sobre os dados deslocados pela margem, e isso faz com que ela carregue a diferença observada entre as médias dos braços. O resultado é que o recálculo dito às cegas se torna matematicamente equivalente a um recálculo com o resultado à vista, com todo o viés de erro tipo I que vem junto. Menos amostra extra é coletada quando a evidência do primeiro estágio favorece a alternativa, e mais quando ela desfavorece, o que é exatamente a receita para inflar o falso positivo.

Os mesmos autores registram, do outro lado, que no teste de superioridade a garantia assintótica existe: se o tamanho de qualquer um dos estágios cresce, a regra de recálculo fixa implicitamente o total de antemão e o nível alfa é mantido. As violações que eles constroem são extremamente pequenas e ocorrem em tamanhos de amostra que raramente têm relevância prática. A conclusão deles é explícita: o método pode ser usado com segurança na prática, para superioridade.

Se o seu caso é teste de equivalência, a saída é usar um nível nominal ajustado ou um método de combinação entre estágios, não o teste comum. E vale saber o preço da alternativa mais conservadora: nas simulações de Glimm e Läuter, com 1 milhão de rodadas, a combinação de valores-p de Fisher perde tipicamente de 3 a 4 pontos percentuais de poder quando o poder do teste comum está abaixo de 95 por cento, chegando a 7 pontos em alguns cenários (num deles, 76,4 por cento contra 69,6 por cento).

Rode o seu caso

Use a calculadora abaixo duas vezes: uma com a taxa base que você assumiu no plano e outra com a taxa agrupada que você mediu no piloto interno. A diferença entre os dois N é exatamente o ajuste que o recálculo às cegas manda fazer.

Calculadora de tamanho de amostra
-Visitantes por variação
-Total (2 variações)
-Duração estimada

Cálculo por aproximação normal de duas proporções, 2 variações (50/50). Mexa nos campos e veja o impacto ao vivo.

O roteiro, em oito linhas

  1. Calcule o N inicial com a melhor estimativa da taxa base e registre a fonte dessa estimativa.
  2. Escolha e escreva antes o ponto do piloto interno, o teto de amostra e se o desenho é restrito ou irrestrito.
  3. Defina quem faz o recálculo e garanta que essa pessoa receba apenas a taxa agrupada, nunca a quebra por braço.
  4. Ao atingir o ponto do piloto, calcule a taxa agrupada: conversões de A mais conversões de B, dividido por visitantes de A mais visitantes de B.
  5. Recalcule o N com essa taxa, mantendo alfa, poder e efeito mínimo exatamente como estavam.
  6. Aplique o teto e o piso do desenho escolhido e registre o novo N no mesmo documento do plano.
  7. Colete o restante e rode o teste comum sobre o total, sem correção de nível.
  8. No relatório final, declare que houve recálculo às cegas, em que ponto e qual taxa agrupada foi usada.

O passo 3 é o que mais falha na prática, porque o painel da ferramenta mostra a quebra por variação na primeira tela. Se não dá para esconder, a alternativa honesta é registrar no relatório que o recálculo foi feito com o resultado visível e tratar o teste com a desconfiança que isso merece.

Faça isso automático na Donnu

O recálculo às cegas é um procedimento simples que morre por causa de duas coisas: alguém abre o painel e vê a quebra por braço antes de recalcular, e ninguém registra que o recálculo aconteceu. Na Donnu o experimento carrega o plano junto (base assumida, alfa, poder, efeito mínimo, ponto do piloto, teto) e a leitura agrupada dos dois braços é uma visão separada da leitura por variação, então dá para redimensionar sem abrir o resultado. O novo N entra no histórico do experimento com carimbo de tempo, e o relatório final diz que houve recálculo e com qual taxa. Se a sua ferramenta atual não separa essas duas visões, esse é o item que precisa entrar antes de o método virar rotina.

Perguntas frequentes

As respostas curtas estão na seção de perguntas frequentes desta página, geradas a partir do mesmo material medido aqui.

Referências

Leia também

Read in English

Perguntas frequentes

Posso recalcular o tamanho de amostra depois que o teste A/B já começou?
Pode, desde que o recálculo use apenas informação que não separa controle de variação. A taxa de conversão AGRUPADA dos dois braços é o que a literatura de ensaios clínicos chama de parâmetro de perturbação, e recalcular a amostra a partir dela é o desenho de piloto interno com re-estimativa às cegas. Na simulação deste artigo, com 6.000 réplicas por célula, a taxa de falso positivo com recálculo ficou entre 4,37 e 5,08 por cento contra os 5 por cento nominais, enquanto o desenho fixo ficou entre 4,77 e 5,12 por cento. Não houve inflação.
Qual a diferença entre recalcular a amostra e espiar o resultado?
Espiar é olhar a diferença entre os braços e decidir com base nela, o que infla o falso positivo de 5 por cento para muito mais. Recalcular às cegas é olhar apenas a taxa agrupada dos dois braços somados, que sob a hipótese nula não carrega informação nenhuma sobre a diferença. Operacionalmente, a regra é dura: quem faz o recálculo recebe um único número, a soma de conversões dividida pela soma de visitantes, e nunca vê a quebra por variação.
O que acontece se eu não recalcular e a taxa base estava errada?
Você perde poder sem saber. No exemplo medido aqui, um plano feito para uma base de 5 por cento (31.234 usuários por variação) rodando sobre uma base real de 2 por cento entrega poder de 41,4 por cento em vez dos 80 por cento planejados. Ou seja, quase 6 em cada 10 testes com efeito real de verdade terminam sem significância, e a leitura errada é concluir que a variação não funcionou. Com recálculo às cegas, o poder medido no mesmo cenário foi de 77,8 por cento.
Em que momento do teste devo recalcular?
A hora importa menos do que parece. Medimos o recálculo em 10, 25, 50, 75 e 100 por cento da amostra planejada e o poder final ficou entre 77,7 e 78,9 por cento em todos os pontos, com a taxa de falso positivo entre 4,85 e 5,57 por cento. O que muda com o momento é a precisão da estimativa da taxa base: o desvio-padrão dela caiu de 0,2235 ponto percentual em 10 por cento da amostra para 0,0704 em 100 por cento. Recalcular cedo demais só é problema quando ainda não há dado suficiente para estimar a taxa com estabilidade.
O recálculo às cegas pode diminuir a amostra, e não só aumentar?
Pode, e é aí que a maior economia aparece. No cenário com base real de 8 por cento (plano feito para 5 por cento), o desenho irrestrito terminou com 17.892 usuários por variação e poder de 77,2 por cento, contra 31.234 e poder de 94,9 por cento do desenho que nunca desce abaixo do planejado. São 43 por cento menos tráfego para entregar exatamente o poder que o time pediu. Se o seu objetivo é blindar o poder e nunca reduzir a amostra, use o desenho restrito e aceite o excesso.
Existe algum caso em que o recálculo às cegas NÃO é seguro?
Sim: teste de não inferioridade e de equivalência. Glimm e Läuter mostram que, nesse contexto, o recálculo dito às cegas é matematicamente equivalente a um recálculo com o resultado à vista, porque a variância total sob a nula deslocada carrega a diferença observada entre os braços. A consequência é inflação de erro tipo I bem mais séria e que não desaparece com amostra grande. Para teste de superioridade comum, que é o caso do teste A/B típico, as violações são extremamente pequenas e só aparecem em amostras minúsculas.