Vídeo em Landing Page: como testar se ajuda ou atrapalha
Vídeo em landing page em teste A/B: o que o número de 80 por cento esconde, o custo em LCP, o que o autoplay permite e um exemplo com três braços.

📚 Este artigo faz parte do guia Otimização de Conversão (CRO): O Guia Completo 2026.
Colocar um vídeo numa landing page nunca é uma mudança só. É pelo menos quatro ao mesmo tempo: muda o que a página comunica, muda o tempo de carregamento, muda o que cabe na primeira tela e muda o esforço que o visitante precisa fazer para consumir a informação. Por isso os testes de vídeo saem tão contraditórios, e por isso o número de “80 por cento de aumento” que circula há uma década não tem fonte primária recuperável. Este guia mostra as quatro decisões escondidas dentro de “vamos colocar um vídeo”, o que a documentação do navegador e a norma de acessibilidade obrigam em autoplay, por que o vídeo entra no cálculo do LCP, e um exemplo trabalhado de três braços em que o vídeo em autoplay não move nada e o vídeo atrás de um botão fica 7,8 por cento acima do controle sem sobreviver à correção de múltiplas comparações. Este guia faz parte do nosso guia completo de otimização de conversão (CRO).
O número que circula sem fonte
Se você pesquisar sobre vídeo em landing page, vai encontrar em dezenas de páginas a afirmação de que vídeo aumenta a conversão em até 80 por cento, às vezes em 86 por cento, atribuída a uma empresa chamada EyeView. O número aparece em artigos de agência, em posts de fornecedores de vídeo e em listas de estatísticas de marketing.
O que não aparece é o relatório original. As citações remetem umas às outras e a posts de blog, não a um documento consultável com metodologia, amostra, período, desenho de experimento e definição de conversão. Sem isso, não dá para saber o mais básico: eram testes A/B com sorteio ou comparações antes e depois? O que era “conversão”? Quantas páginas? De que setores? Qual a dispersão em torno da média?
Pela regra de fact-check que usamos neste blog, um número sem fonte primária recuperável não entra como fato. Ele pode entrar como o que é: folclore de mercado que sobreviveu por ser conveniente para quem vende produção de vídeo. A afirmação honesta que a evidência disponível sustenta é bem mais modesta e bem mais útil: o efeito de vídeo varia muito de caso para caso, e a variação é explicada em boa parte por decisões de implementação que ninguém registra ao citar a média.
É o mesmo padrão que já documentamos em urgência e escassez e em selos de confiança: a média de mercado citada de segunda mão diz muito pouco sobre o que vai acontecer na sua página.
As quatro decisões escondidas em “vamos colocar um vídeo”
| decisão | opções | o que ela muda de verdade |
|---|---|---|
| Tipo de vídeo | demonstração do produto, depoimento, explicação da proposta, vídeo de marca | é a única das quatro que muda a informação da página; as outras três mudam a entrega |
| Posição | acima da dobra substituindo a imagem principal, abaixo da dobra, dentro de um bloco de prova | acima da dobra ele concorre com o texto pelo espaço de 57 por cento do tempo de atenção; abaixo, ele só existe para quem rolou |
| Início | autoplay sem som, autoplay com som, clique no botão de play | autoplay carrega o vídeo para todo mundo; clique carrega só para quem quis, e muda radicalmente o custo de performance |
| Peso e formato | arquivo próprio, incorporado de plataforma, imagem de pôster com carregamento tardio | define se o vídeo vira o maior elemento visível da página e, portanto, o LCP dela |
Um teste que troca “página sem vídeo” por “página com vídeo” mexe nas quatro de uma vez, e o resultado não ensina qual delas carregou o efeito. Essa é a mesma armadilha de confundimento que tratamos em texto longo x texto curto: é um teste de pacote legítimo, desde que o relatório não pretenda dizer “vídeo funciona”.
A decisão mais barata de isolar, e a mais frequentemente decisiva, é a terceira: autoplay ou clique. Ela não muda o conteúdo em nada e muda quase tudo em performance e em comportamento.
Vídeo em landing page entra no cálculo do LCP
Esta é a parte que quase nunca aparece na discussão de copy e que costuma explicar resultados negativos.
Segundo a documentação do web.dev sobre Largest Contentful Paint, o elemento video conta para a métrica: usa-se o tempo de carregamento da imagem de pôster ou o tempo de apresentação do primeiro quadro, o que vier antes. Um vídeo grande no topo da página quase sempre é o maior elemento visível dela, então ele passa a ser o LCP. E a meta publicada é clara: o site deve buscar LCP de 2,5 segundos ou menos, medido no percentil 75 dos carregamentos, segmentado entre celular e computador.
A consequência prática é que um teste de vídeo é sempre também um teste de performance, e sem medir isso você não consegue interpretar um resultado negativo. Se a versão com vídeo perdeu, foi o vídeo que não convenceu ou foi 1,5 segundo a mais de espera? Sem o LCP dos dois braços, a pergunta fica em aberto. O efeito de velocidade sobre conversão tem guia próprio em velocidade de página e conversão.
Autoplay: o que o navegador permite e o que a norma exige
Duas camadas de restrição, e as duas costumam ser descobertas depois que o teste já está no ar.
O navegador. A política de autoplay do Chrome, em vigor desde a versão 66 (abril de 2018, com a API Web Audio incluída na versão 71), estabelece que autoplay sem som é sempre permitido, e que autoplay com som só acontece se pelo menos uma destas condições valer: o usuário já interagiu com o domínio (clique, toque); no computador, o índice de engajamento de mídia dele foi atingido, o que significa que já reproduziu vídeo com som antes; o usuário adicionou o site à tela de início no celular ou instalou o aplicativo; ou o quadro superior delegou a permissão de autoplay ao iframe. Fora disso, a promessa retornada por play() é rejeitada com NotAllowedError, e cabe ao desenvolvedor oferecer um controle manual.
A acessibilidade. O critério 1.4.2 das WCAG 2.2, nível A, diz: se qualquer áudio numa página toca automaticamente por mais de 3 segundos, é preciso haver um mecanismo para pausar ou parar o áudio, ou um mecanismo para controlar o volume de forma independente do volume do sistema. E o critério 2.2.2, também nível A, exige que qualquer informação em movimento que comece automaticamente, dure mais de cinco segundos e esteja apresentada em paralelo com outro conteúdo tenha um mecanismo para pausar, parar ou ocultar, salvo quando o movimento é essencial para a atividade.
| decisão de autoplay | o navegador permite? | o que a norma exige | efeito prático no teste |
|---|---|---|---|
| sem autoplay, play por clique | sempre | nada além dos controles normais | não afeta LCP se o vídeo carregar depois do clique |
| autoplay sem som, em laço, curto | sim | controle de pausar, parar ou ocultar quando passar de 5 segundos e houver conteúdo em paralelo (2.2.2) | vira o LCP da página se estiver acima da dobra |
| autoplay com som | quase nunca, sem interação prévia | mecanismo de pausa ou de volume independente quando passar de 3 segundos (1.4.2) | na prática o visitante vê um vídeo mudo tocando sozinho, que é o pior dos dois mundos |
A linha do meio é onde quase todo mundo acaba: autoplay mudo, em laço, acima da dobra. Vale saber que essa escolha já vem com uma conta embutida de LCP e uma obrigação de controle de pausa, e que ela transforma o vídeo em elemento decorativo, porque um vídeo mudo tocando sozinho raramente comunica algo que o texto não comunicaria melhor.
O que medir, e o que é só diagnóstico
| sinal | papel no teste | armadilha |
|---|---|---|
| conversão principal da página | métrica primária | nenhuma, desde que declarada antes |
| LCP nos dois braços | métrica de guarda declarada | sem ela, um resultado negativo é ambíguo |
| taxa de play | diagnóstico | mede quem apertou, não quem comprou |
| percentual assistido | diagnóstico | útil para saber se o vídeo é longo demais, não para decidir vencedor |
| tempo na página | diagnóstico | sobe automaticamente com vídeo tocando, sem nada ter melhorado |
| profundidade de rolagem | diagnóstico | pode cair quando o vídeo prende o visitante no topo, sem que isso seja ruim |
A taxa de play merece um parágrafo próprio porque é o número que mais aparece em relatório de vídeo e o que menos decide. Ela responde “quantas pessoas se interessaram pelo vídeo”, que é uma pergunta de mídia, não de conversão. Um vídeo pode ter 40 por cento de taxa de play e conversão idêntica ao controle, e a leitura certa é que ele entreteve sem convencer. Pode também ter 8 por cento de taxa de play e mover a conversão, porque as 8 por cento eram exatamente as pessoas com a dúvida que o vídeo responde. Use taxa de play para decidir se vale produzir a versão 2, e a conversão para decidir o que fica no ar. Isso vale como métrica de guarda declarada antes, na linha do que descrevemos em métricas de guardrail.
Tamanho de amostra
| conversão da página | detectar +5% relativo | detectar +10% relativo | detectar +15% relativo |
|---|---|---|---|
| 2,0% | 315.206 por variação | 80.682 por variação | 36.693 por variação |
| 5,1% | 119.600 por variação | 30.588 por variação | 13.899 por variação |
| 10,0% | 57.763 por variação | 14.751 por variação | 6.693 por variação |
Cálculo por aproximação normal de duas proporções, 2 variações (50/50). Mexa nos campos e veja o impacto ao vivo.
Com três braços e 31 mil visitantes por variação, o teste leva 55 dias a 12 mil visitantes por semana, ou 33 dias a 20 mil por semana. Como três braços implicam duas comparações contra o controle, o limiar de significância precisa de correção: com Bonferroni a 5 por cento, cada comparação passa a exigir valor-p abaixo de 0,025. Veja teste A/B/n e correção para várias variações.
Exemplo trabalhado: imagem, autoplay e play por clique
Uma empresa de software roda uma landing page de captura de trial que converte 5,10 por cento. A hipótese é que um vídeo de 90 segundos explicando a proposta aumenta a conversão. Em vez de testar “com vídeo contra sem vídeo”, o time monta três braços com o mesmo vídeo, variando só como ele entra na página:
- A (controle): imagem estática acima da dobra, texto inalterado.
- B: vídeo em autoplay, mudo, em laço, ocupando o lugar da imagem.
- C: imagem de pôster com botão de play no mesmo lugar; o arquivo de vídeo só é baixado depois do clique.
O teste roda 55 dias a 12 mil visitantes por semana, com 31 mil visitantes por braço (acima dos 30.588 que a calculadora pede para 10 por cento relativo).
| braço | visitantes | trials | conversão | taxa de play | LCP (percentil 75) |
|---|---|---|---|---|---|
| A (imagem estática) | 31.000 | 1.581 | 5,10% | não aplicável | 1,9s |
| B (autoplay mudo) | 31.000 | 1.550 | 5,00% | 100% por construção | 3,4s |
| C (pôster e play) | 31.000 | 1.705 | 5,50% | 11,4% | 2,0s |
As duas comparações contra o controle:
| comparação | lift relativo | valor-p | IC 95% da diferença | limiar corrigido (Bonferroni, 2 comparações) | veredito |
|---|---|---|---|---|---|
| A contra B | -2,0% | 0,5697 | de -0,44 a 0,24 ponto percentual | 0,025 | empate |
| A contra C | +7,8% | 0,0262 | de 0,05 a 0,75 ponto percentual | 0,025 | não passa por pouco |
Teste z bilateral de duas proporções. "Sem significância" quase sempre quer dizer que falta amostra, não que as versões são iguais.
Cole 31000 e 1581 no lado A e 31000 e 1550 no lado B para reproduzir a primeira linha: valor-p de 0,5697, lift relativo de -2,0 por cento e intervalo de confiança de -0,44 a 0,24 ponto percentual, que atravessa o zero. Troque o lado B por 31000 e 1705 e a calculadora devolve valor-p de 0,0262 e intervalo de 0,05 a 0,75 ponto percentual.
A leitura honesta. O braço C foi o melhor dos três, mas o resultado não passa no limiar corrigido. Com três braços, o valor-p de 0,0262 fica acima dos 0,025 que o ajuste de Bonferroni exige, e declarar vitória aqui é exatamente o tipo de decisão que infla a taxa de falso positivo do programa inteiro. O que o time pode legitimamente fazer é uma das três coisas: estender o teste até o efeito se confirmar ou desaparecer; rodar uma confirmação de dois braços, A contra C, com o limiar cheio de 0,05; ou registrar como promissor e passar para a próxima hipótese. O que não dá para fazer é escrever “o vídeo aumentou a conversão em 7,8 por cento” no relatório.
E o que o teste já ensinou, mesmo sem vencedor declarado. O braço B fecha uma pergunta: o autoplay não ajuda, e custa 1,5 segundo de LCP, o que joga a página para fora da meta de 2,5 segundos. Isso é informação acionável independente do resto. Se a organização não fizer mais nada com este teste, ainda assim aprendeu a não colocar o vídeo em autoplay acima da dobra.
Repare também na taxa de play do braço C: 11,4 por cento. Dito de outro modo, quase nove em cada dez visitantes desse braço nem tocaram o vídeo. Para saber quanto do ganho passa pelo vídeo em si seria preciso comparar a conversão de quem deu play com a de quem não deu, o que o número agregado não responde. Se o efeito for real, boa parte dele pode vir do pôster e do botão, que mudam o visual da primeira tela e sinalizam “existe uma explicação aqui”, e não do conteúdo do vídeo. Esse é o tipo de hipótese que rende o próximo teste, e é barato: imagem com botão de play falso não, porque isso é enganar o visitante, mas imagem com uma chamada explícita para a explicação, sim.
Vídeo incorporado de plataforma: o que você deixa de controlar
A forma mais rápida de colocar vídeo numa página é incorporar o player de uma plataforma de vídeo. É também a que mais confunde o resultado do teste, porque você passa a depender de decisões de terceiros dentro do seu experimento.
Quatro consequências concretas, todas verificáveis na própria página antes de ligar o teste:
- Peso e requisições que você não escolheu. O player traz o próprio código, as próprias fontes e a própria telemetria. Num teste em que o braço de controle não carrega nada disso, a diferença de performance entre os braços não é “o vídeo”, é “o vídeo mais o player”.
- Cookies e consentimento. Muitos players gravam identificadores no primeiro carregamento. Dependendo do seu banner de consentimento, isso significa que o braço com vídeo pode ficar bloqueado até o visitante aceitar, e que parte dos seus dados de conversão se comporta diferente entre os braços. Isso é confundimento silencioso, do tipo descrito em perda de rastreamento por consentimento.
- Elementos que a plataforma decide. Sugestões de outros vídeos no fim, marca do serviço, botão de compartilhar, link para sair da sua página. Um vídeo que termina oferecendo três vídeos de outra pessoa é um vazamento de atenção que o seu controle não tem.
- Mudanças fora do seu calendário. A plataforma atualiza o player quando quiser, inclusive no meio do seu teste. Se um comportamento mudar no dia 20 de um teste de 55 dias, os dois braços deixam de ser comparáveis com o que eram no dia 1.
A alternativa de hospedar o arquivo você mesmo custa trabalho e banda, mas devolve as quatro decisões. O meio-termo que costuma resolver: imagem de pôster leve e nativa da sua página, com o player de terceiro carregado só depois do clique. Você fica com a primeira tela sob controle, mantém o LCP baixo e ainda oferece o vídeo a quem quiser. É exatamente o braço C do exemplo deste guia, e é por isso que ele aparece no teste.
Que pergunta o vídeo em landing page responde, e quando ele é a resposta errada
Vídeo é caro de produzir, caro de carregar e caro de manter atualizado. Antes de testar, vale checar se a dor que ele resolve existe na sua página.
| dor do visitante | vídeo ajuda? | alternativa mais barata que costuma empatar |
|---|---|---|
| “não entendi o que isso faz” | sim, uma demonstração de 45 a 90 segundos mostra o que o texto descreve mal | um bloco de três capturas de tela anotadas com legenda |
| “não sei se serve pro meu caso” | não diretamente, o vídeo genérico não fala do caso dele | uma seção de casos de uso nomeados, em texto |
| “parece complicado de instalar” | sim, mostrar a tela real resolve mais que prometer simplicidade | um gif curto ou uma sequência de capturas |
| “não confio nessa empresa” | em parte, se for depoimento de cliente identificável | prova social em texto, com nome, empresa e número |
| “quanto custa?” | não | mostrar o preço |
| “quero comparar com o concorrente” | não | uma tabela de comparação honesta |
A linha “quanto custa” existe porque é o caso mais comum de vídeo usado como cortina. Quando a página não responde a objeção principal, acrescentar mídia não resolve: adia. Se o teste de vídeo empatar, a hipótese seguinte raramente é “vamos produzir um vídeo melhor”, e quase sempre é “a objeção que trava a decisão é outra”.
Duração. Não existe um número universal, mas existe uma assimetria útil: o custo de um vídeo longo demais é alto e o de um curto demais é baixo. Um vídeo de 45 segundos que não convence deixa o visitante no texto; um de 6 minutos que não convence consumiu a atenção inteira e não sobrou nada. Se você tem só uma chance de produção, produza o curto. Se você tiver duas, o desenho mais informativo não é “curto contra longo” na mesma página: é curto acima da dobra, com o longo linkado logo abaixo para quem quiser, que é a mesma lógica de camadas que defendemos em texto longo x texto curto.
Legenda não é acessório. Como o vídeo na web começa mudo por padrão do navegador e por hábito do usuário, um vídeo sem legenda comunica praticamente nada nos primeiros segundos, que são exatamente os que decidem se alguém continua. Revisar o vídeo com som, no computador do time, esconde esse problema por completo. Reveja sempre mudo, no celular, com a página inteira em volta.
Como ler o resultado sem se enganar
- O LCP dos dois braços foi medido? Sem isso, um resultado negativo pode ser performance e não conteúdo.
- O limiar foi corrigido para o número de comparações? Três braços significam duas comparações contra o controle.
- A taxa de play está sendo usada como veredito? Se estiver, refaça a leitura pela conversão.
- O vídeo empurrou conteúdo para fora da primeira tela? Se empurrou, o teste também mexeu em hierarquia, não só em mídia.
- A versão com vídeo foi testada em celular de verdade? Vídeo é onde a diferença entre celular e computador mais aparece, em tela e em rede.
- Existe legenda? Como quase todo vídeo web começa mudo, um vídeo sem legenda comunica muito menos do que o time imagina ao revisá-lo com som no computador.
- O vídeo carrega de terceiro? Se sim, você acrescentou uma dependência externa à página, com efeito em performance e em consentimento de cookies; veja consentimento e perda de dados.
- A primeira semana foi mais forte? Vídeo novo chama atenção por ser novo; veja efeito novidade.
Checklist antes de ligar o teste
- Separe as quatro decisões e escolha qual delas é a variável do teste. Testar as quatro juntas responde outra pergunta.
- Declare o LCP como métrica de guarda, com o valor alvo, antes de ligar.
- Se for autoplay, que seja mudo, curto e com controle de pausa, conforme 1.4.2 e 2.2.2 das WCAG.
- Se for por clique, garanta que o arquivo não é baixado antes do clique. Pôster leve, vídeo sob demanda.
- Legende o vídeo. Mudo é o estado padrão da web.
- Meça taxa de play e percentual assistido como diagnóstico declarado, nunca como veredito.
- Corrija o limiar se houver mais de duas variações, e registre a correção no plano.
- Cheque a divisão de visitantes com o verificador de SRM antes de olhar o resultado.
Faça isso automático na Donnu
A dor específica de testar vídeo é que a mudança mexe em conteúdo e em performance ao mesmo tempo, o desenho bom precisa de três braços e a métrica mais visível, a taxa de play, é justamente a que não decide nada.
Na Donnu, o experimento pode ter uma variação C no plano Pro, que é o que permite separar autoplay de play por clique no mesmo teste em vez de rodar dois testes seguidos. A meta de conversão pode ser um clique, um envio de formulário, uma visita a página ou uma confirmação do seu servidor, o que mantém o veredito na conversão real. O relatório é bayesiano, avisa quando a divisão de visitantes se afasta do configurado e só declara vencedora com pelo menos 200 visitantes por variação e 7 dias de teste.
O que continua sendo seu: medir o LCP dos braços e decidir se o vídeo merece existir. Para o resto, a calculadora de tamanho de amostra, a calculadora de significância e a calculadora de impacto da velocidade na conversão fazem as contas deste guia com os seus números, de graça.
Referências
- web.dev (Google). Largest Contentful Paint (LCP). Documentação lida na íntegra. Fonte da lista de elementos considerados pela métrica, incluindo o elemento de vídeo pelo tempo de carregamento da imagem de pôster ou pelo tempo de apresentação do primeiro quadro, o que vier antes, e da meta de 2,5 segundos medida no percentil 75 dos carregamentos, segmentada entre celular e computador. Conferido em 21/09/2026. web.dev.
- Chrome for Developers (Google). Autoplay policy in Chrome. Post lido na íntegra. Fonte das regras de autoplay em vigor desde o Chrome 66 (abril de 2018) e do Chrome 71 para a API Web Audio: autoplay sem som sempre permitido; com som apenas mediante interação prévia com o domínio, índice de engajamento de mídia atingido no computador, site adicionado à tela de início ou instalado, ou delegação de permissão do quadro superior para o iframe; e da rejeição da promessa com NotAllowedError. Conferido em 21/09/2026. developer.chrome.com.
- W3C Web Accessibility Initiative. Understanding Success Criterion 1.4.2: Audio Control e Understanding Success Criterion 2.2.2: Pause, Stop, Hide, WCAG 2.2, ambos de nível A. Páginas lidas na íntegra. Fonte da regra dos 3 segundos para áudio automático e da regra dos 5 segundos para informação em movimento apresentada em paralelo com outro conteúdo. Conferido em 21/09/2026. w3.org (1.4.2) · w3.org (2.2.2).
- Sobre o número de 80 a 86 por cento atribuído à EyeView: a afirmação circula em artigos de agência e de fornecedores de vídeo, sem que exista um relatório original público com metodologia e amostra. Não a usamos como fato neste guia, e recomendamos o mesmo tratamento a qualquer estatística de conversão cuja fonte primária não seja recuperável.
Leia também: Otimização de conversão (CRO) · Velocidade de página e conversão · Texto longo x texto curto · Prova social em teste A/B · Teste A/B de landing page B2B SaaS · Teste A/B/n · Métricas de guardrail · Read in English
Perguntas frequentes
- Vídeo em landing page aumenta a conversão?
- Às vezes sim, às vezes não, e a resposta depende mais de como o vídeo entra na página do que do vídeo em si. Colocar um vídeo muda pelo menos quatro coisas ao mesmo tempo: o que a página comunica, o tempo de carregamento, o que a primeira tela mostra e o que o visitante precisa fazer para consumir a informação. No exemplo trabalhado deste guia, o mesmo vídeo em autoplay não move a conversão e o mesmo vídeo atrás de um botão de play fica 7,8 por cento acima do controle, com valor-p de 0,0262 que não sobrevive à correção para três braços.
- De onde vem o número de que vídeo aumenta a conversão em 80 por cento?
- Ele circula há mais de uma década atribuído à EyeView, uma empresa de vídeo, em versões de 80 e de 86 por cento. O que não existe publicamente é o relatório original: as citações levam umas às outras e a artigos de blog, não a um estudo consultável com metodologia, amostra e desenho. Pela nossa regra de fact-check, um número sem fonte primária recuperável não é usado como fato. Trate como folclore, não como referência.
- Vídeo prejudica o Core Web Vitals?
- Pode prejudicar, e o caminho é direto. Segundo a documentação do web.dev, o elemento video entra no cálculo do Largest Contentful Paint usando o tempo de carregamento da imagem de pôster ou o tempo de apresentação do primeiro quadro, o que vier antes. Um vídeo grande no topo da página costuma ser o maior elemento visível, então ele passa a ser o LCP da página, que deveria ficar em 2,5 segundos ou menos no percentil 75 dos carregamentos.
- O navegador deixa o vídeo tocar sozinho?
- Com som, quase nunca. A política de autoplay do Chrome, em vigor desde a versão 66 (abril de 2018), diz que autoplay sem som é sempre permitido, e que autoplay com som só é permitido se o usuário já interagiu com o domínio, se o índice de engajamento de mídia dele foi atingido no computador, se o site foi adicionado à tela de início no celular ou instalado como aplicativo, ou se o quadro superior delegou a permissão ao iframe. Fora desses casos, a promessa do play é rejeitada com NotAllowedError.
- Qual métrica usar num teste de vídeo?
- A conversão principal da página, com taxa de play, tempo assistido e LCP como diagnóstico e como métrica de guarda. Taxa de play é a armadilha clássica: ela mede quem apertou o botão, não quem comprou, e um vídeo pode subir muito a taxa de play e não mover nada na conversão, ou o contrário.
- Quanto tráfego é preciso para testar vídeo?
- Com 5,1 por cento de conversão, 95 por cento de confiança e 80 por cento de poder, detectar 10 por cento relativo exige 30.588 visitantes por variação e detectar 5 por cento relativo exige 119.600. Com três braços e 12 mil visitantes por semana, um teste de 31 mil por braço leva 55 dias.