CRO

Vídeo em Landing Page: como testar se ajuda ou atrapalha

Vídeo em landing page em teste A/B: o que o número de 80 por cento esconde, o custo em LCP, o que o autoplay permite e um exemplo com três braços.

Ilustração plana de uma janela de navegador com um símbolo de play triangular ao centro, ao lado de um cronômetro e de um ícone de alto-falante cortado, em fundo verde-menta

Colocar um vídeo numa landing page nunca é uma mudança só. É pelo menos quatro ao mesmo tempo: muda o que a página comunica, muda o tempo de carregamento, muda o que cabe na primeira tela e muda o esforço que o visitante precisa fazer para consumir a informação. Por isso os testes de vídeo saem tão contraditórios, e por isso o número de “80 por cento de aumento” que circula há uma década não tem fonte primária recuperável. Este guia mostra as quatro decisões escondidas dentro de “vamos colocar um vídeo”, o que a documentação do navegador e a norma de acessibilidade obrigam em autoplay, por que o vídeo entra no cálculo do LCP, e um exemplo trabalhado de três braços em que o vídeo em autoplay não move nada e o vídeo atrás de um botão fica 7,8 por cento acima do controle sem sobreviver à correção de múltiplas comparações. Este guia faz parte do nosso guia completo de otimização de conversão (CRO).

O número que circula sem fonte

Se você pesquisar sobre vídeo em landing page, vai encontrar em dezenas de páginas a afirmação de que vídeo aumenta a conversão em até 80 por cento, às vezes em 86 por cento, atribuída a uma empresa chamada EyeView. O número aparece em artigos de agência, em posts de fornecedores de vídeo e em listas de estatísticas de marketing.

O que não aparece é o relatório original. As citações remetem umas às outras e a posts de blog, não a um documento consultável com metodologia, amostra, período, desenho de experimento e definição de conversão. Sem isso, não dá para saber o mais básico: eram testes A/B com sorteio ou comparações antes e depois? O que era “conversão”? Quantas páginas? De que setores? Qual a dispersão em torno da média?

Pela regra de fact-check que usamos neste blog, um número sem fonte primária recuperável não entra como fato. Ele pode entrar como o que é: folclore de mercado que sobreviveu por ser conveniente para quem vende produção de vídeo. A afirmação honesta que a evidência disponível sustenta é bem mais modesta e bem mais útil: o efeito de vídeo varia muito de caso para caso, e a variação é explicada em boa parte por decisões de implementação que ninguém registra ao citar a média.

É o mesmo padrão que já documentamos em urgência e escassez e em selos de confiança: a média de mercado citada de segunda mão diz muito pouco sobre o que vai acontecer na sua página.

As quatro decisões escondidas em “vamos colocar um vídeo”

decisão opções o que ela muda de verdade
Tipo de vídeo demonstração do produto, depoimento, explicação da proposta, vídeo de marca é a única das quatro que muda a informação da página; as outras três mudam a entrega
Posição acima da dobra substituindo a imagem principal, abaixo da dobra, dentro de um bloco de prova acima da dobra ele concorre com o texto pelo espaço de 57 por cento do tempo de atenção; abaixo, ele só existe para quem rolou
Início autoplay sem som, autoplay com som, clique no botão de play autoplay carrega o vídeo para todo mundo; clique carrega só para quem quis, e muda radicalmente o custo de performance
Peso e formato arquivo próprio, incorporado de plataforma, imagem de pôster com carregamento tardio define se o vídeo vira o maior elemento visível da página e, portanto, o LCP dela

Um teste que troca “página sem vídeo” por “página com vídeo” mexe nas quatro de uma vez, e o resultado não ensina qual delas carregou o efeito. Essa é a mesma armadilha de confundimento que tratamos em texto longo x texto curto: é um teste de pacote legítimo, desde que o relatório não pretenda dizer “vídeo funciona”.

A decisão mais barata de isolar, e a mais frequentemente decisiva, é a terceira: autoplay ou clique. Ela não muda o conteúdo em nada e muda quase tudo em performance e em comportamento.

Vídeo em landing page entra no cálculo do LCP

Esta é a parte que quase nunca aparece na discussão de copy e que costuma explicar resultados negativos.

Segundo a documentação do web.dev sobre Largest Contentful Paint, o elemento video conta para a métrica: usa-se o tempo de carregamento da imagem de pôster ou o tempo de apresentação do primeiro quadro, o que vier antes. Um vídeo grande no topo da página quase sempre é o maior elemento visível dela, então ele passa a ser o LCP. E a meta publicada é clara: o site deve buscar LCP de 2,5 segundos ou menos, medido no percentil 75 dos carregamentos, segmentado entre celular e computador.

Onde o LCP cai em cada um dos três braços do exemploTrês barras horizontais sobre um eixo de tempo de zero a quatro segundos, com uma linha vertical tracejada marcando a meta de 2,5 segundos. O braço com imagem estática atinge o LCP em 1,9 segundo, dentro da meta. O braço com vídeo em autoplay atinge 3,4 segundos, fora da meta. O braço com imagem de pôster e botão de play atinge 2,0 segundos, dentro da meta, porque o vídeo só é baixado depois do clique.quem paga o vídeo no carregamento é o LCP da página0s1s2s3s4smeta: 2,5s no percentil 75A: imagem estática1,9sB: vídeo em autoplay3,4sC: pôster e botão de play2,0sValores do exemplo trabalhado deste guia. A regra geral é a da documentação: o vídeo conta para o LCP pelo pôster ou pelo primeiro quadro.
O braço C carrega o mesmo vídeo, mas só depois do clique. Por isso ele fica junto do controle na métrica de carregamento e ainda assim oferece o conteúdo a quem quiser. A diferença entre B e C não é de conteúdo, é de quando o arquivo é baixado.

A consequência prática é que um teste de vídeo é sempre também um teste de performance, e sem medir isso você não consegue interpretar um resultado negativo. Se a versão com vídeo perdeu, foi o vídeo que não convenceu ou foi 1,5 segundo a mais de espera? Sem o LCP dos dois braços, a pergunta fica em aberto. O efeito de velocidade sobre conversão tem guia próprio em velocidade de página e conversão.

Autoplay: o que o navegador permite e o que a norma exige

Duas camadas de restrição, e as duas costumam ser descobertas depois que o teste já está no ar.

O navegador. A política de autoplay do Chrome, em vigor desde a versão 66 (abril de 2018, com a API Web Audio incluída na versão 71), estabelece que autoplay sem som é sempre permitido, e que autoplay com som só acontece se pelo menos uma destas condições valer: o usuário já interagiu com o domínio (clique, toque); no computador, o índice de engajamento de mídia dele foi atingido, o que significa que já reproduziu vídeo com som antes; o usuário adicionou o site à tela de início no celular ou instalou o aplicativo; ou o quadro superior delegou a permissão de autoplay ao iframe. Fora disso, a promessa retornada por play() é rejeitada com NotAllowedError, e cabe ao desenvolvedor oferecer um controle manual.

A acessibilidade. O critério 1.4.2 das WCAG 2.2, nível A, diz: se qualquer áudio numa página toca automaticamente por mais de 3 segundos, é preciso haver um mecanismo para pausar ou parar o áudio, ou um mecanismo para controlar o volume de forma independente do volume do sistema. E o critério 2.2.2, também nível A, exige que qualquer informação em movimento que comece automaticamente, dure mais de cinco segundos e esteja apresentada em paralelo com outro conteúdo tenha um mecanismo para pausar, parar ou ocultar, salvo quando o movimento é essencial para a atividade.

decisão de autoplay o navegador permite? o que a norma exige efeito prático no teste
sem autoplay, play por clique sempre nada além dos controles normais não afeta LCP se o vídeo carregar depois do clique
autoplay sem som, em laço, curto sim controle de pausar, parar ou ocultar quando passar de 5 segundos e houver conteúdo em paralelo (2.2.2) vira o LCP da página se estiver acima da dobra
autoplay com som quase nunca, sem interação prévia mecanismo de pausa ou de volume independente quando passar de 3 segundos (1.4.2) na prática o visitante vê um vídeo mudo tocando sozinho, que é o pior dos dois mundos

A linha do meio é onde quase todo mundo acaba: autoplay mudo, em laço, acima da dobra. Vale saber que essa escolha já vem com uma conta embutida de LCP e uma obrigação de controle de pausa, e que ela transforma o vídeo em elemento decorativo, porque um vídeo mudo tocando sozinho raramente comunica algo que o texto não comunicaria melhor.

O que medir, e o que é só diagnóstico

sinal papel no teste armadilha
conversão principal da página métrica primária nenhuma, desde que declarada antes
LCP nos dois braços métrica de guarda declarada sem ela, um resultado negativo é ambíguo
taxa de play diagnóstico mede quem apertou, não quem comprou
percentual assistido diagnóstico útil para saber se o vídeo é longo demais, não para decidir vencedor
tempo na página diagnóstico sobe automaticamente com vídeo tocando, sem nada ter melhorado
profundidade de rolagem diagnóstico pode cair quando o vídeo prende o visitante no topo, sem que isso seja ruim

A taxa de play merece um parágrafo próprio porque é o número que mais aparece em relatório de vídeo e o que menos decide. Ela responde “quantas pessoas se interessaram pelo vídeo”, que é uma pergunta de mídia, não de conversão. Um vídeo pode ter 40 por cento de taxa de play e conversão idêntica ao controle, e a leitura certa é que ele entreteve sem convencer. Pode também ter 8 por cento de taxa de play e mover a conversão, porque as 8 por cento eram exatamente as pessoas com a dúvida que o vídeo responde. Use taxa de play para decidir se vale produzir a versão 2, e a conversão para decidir o que fica no ar. Isso vale como métrica de guarda declarada antes, na linha do que descrevemos em métricas de guardrail.

Tamanho de amostra

conversão da página detectar +5% relativo detectar +10% relativo detectar +15% relativo
2,0% 315.206 por variação 80.682 por variação 36.693 por variação
5,1% 119.600 por variação 30.588 por variação 13.899 por variação
10,0% 57.763 por variação 14.751 por variação 6.693 por variação
Calculadora de tamanho de amostra
-Visitantes por variação
-Total (2 variações)
-Duração estimada

Cálculo por aproximação normal de duas proporções, 2 variações (50/50). Mexa nos campos e veja o impacto ao vivo.

Com três braços e 31 mil visitantes por variação, o teste leva 55 dias a 12 mil visitantes por semana, ou 33 dias a 20 mil por semana. Como três braços implicam duas comparações contra o controle, o limiar de significância precisa de correção: com Bonferroni a 5 por cento, cada comparação passa a exigir valor-p abaixo de 0,025. Veja teste A/B/n e correção para várias variações.

Exemplo trabalhado: imagem, autoplay e play por clique

Uma empresa de software roda uma landing page de captura de trial que converte 5,10 por cento. A hipótese é que um vídeo de 90 segundos explicando a proposta aumenta a conversão. Em vez de testar “com vídeo contra sem vídeo”, o time monta três braços com o mesmo vídeo, variando só como ele entra na página:

O teste roda 55 dias a 12 mil visitantes por semana, com 31 mil visitantes por braço (acima dos 30.588 que a calculadora pede para 10 por cento relativo).

braço visitantes trials conversão taxa de play LCP (percentil 75)
A (imagem estática) 31.000 1.581 5,10% não aplicável 1,9s
B (autoplay mudo) 31.000 1.550 5,00% 100% por construção 3,4s
C (pôster e play) 31.000 1.705 5,50% 11,4% 2,0s

As duas comparações contra o controle:

comparação lift relativo valor-p IC 95% da diferença limiar corrigido (Bonferroni, 2 comparações) veredito
A contra B -2,0% 0,5697 de -0,44 a 0,24 ponto percentual 0,025 empate
A contra C +7,8% 0,0262 de 0,05 a 0,75 ponto percentual 0,025 não passa por pouco
Calculadora de significância estatística
Controle (A)
Variação (B)
Controle (A) · Taxa-
Variação (B) · Taxa-
Melhora relativa-
valor-p-
IC 95% da diferença-

Teste z bilateral de duas proporções. "Sem significância" quase sempre quer dizer que falta amostra, não que as versões são iguais.

Cole 31000 e 1581 no lado A e 31000 e 1550 no lado B para reproduzir a primeira linha: valor-p de 0,5697, lift relativo de -2,0 por cento e intervalo de confiança de -0,44 a 0,24 ponto percentual, que atravessa o zero. Troque o lado B por 31000 e 1705 e a calculadora devolve valor-p de 0,0262 e intervalo de 0,05 a 0,75 ponto percentual.

A leitura honesta. O braço C foi o melhor dos três, mas o resultado não passa no limiar corrigido. Com três braços, o valor-p de 0,0262 fica acima dos 0,025 que o ajuste de Bonferroni exige, e declarar vitória aqui é exatamente o tipo de decisão que infla a taxa de falso positivo do programa inteiro. O que o time pode legitimamente fazer é uma das três coisas: estender o teste até o efeito se confirmar ou desaparecer; rodar uma confirmação de dois braços, A contra C, com o limiar cheio de 0,05; ou registrar como promissor e passar para a próxima hipótese. O que não dá para fazer é escrever “o vídeo aumentou a conversão em 7,8 por cento” no relatório.

E o que o teste já ensinou, mesmo sem vencedor declarado. O braço B fecha uma pergunta: o autoplay não ajuda, e custa 1,5 segundo de LCP, o que joga a página para fora da meta de 2,5 segundos. Isso é informação acionável independente do resto. Se a organização não fizer mais nada com este teste, ainda assim aprendeu a não colocar o vídeo em autoplay acima da dobra.

Repare também na taxa de play do braço C: 11,4 por cento. Dito de outro modo, quase nove em cada dez visitantes desse braço nem tocaram o vídeo. Para saber quanto do ganho passa pelo vídeo em si seria preciso comparar a conversão de quem deu play com a de quem não deu, o que o número agregado não responde. Se o efeito for real, boa parte dele pode vir do pôster e do botão, que mudam o visual da primeira tela e sinalizam “existe uma explicação aqui”, e não do conteúdo do vídeo. Esse é o tipo de hipótese que rende o próximo teste, e é barato: imagem com botão de play falso não, porque isso é enganar o visitante, mas imagem com uma chamada explícita para a explicação, sim.

Vídeo incorporado de plataforma: o que você deixa de controlar

A forma mais rápida de colocar vídeo numa página é incorporar o player de uma plataforma de vídeo. É também a que mais confunde o resultado do teste, porque você passa a depender de decisões de terceiros dentro do seu experimento.

Quatro consequências concretas, todas verificáveis na própria página antes de ligar o teste:

  1. Peso e requisições que você não escolheu. O player traz o próprio código, as próprias fontes e a própria telemetria. Num teste em que o braço de controle não carrega nada disso, a diferença de performance entre os braços não é “o vídeo”, é “o vídeo mais o player”.
  2. Cookies e consentimento. Muitos players gravam identificadores no primeiro carregamento. Dependendo do seu banner de consentimento, isso significa que o braço com vídeo pode ficar bloqueado até o visitante aceitar, e que parte dos seus dados de conversão se comporta diferente entre os braços. Isso é confundimento silencioso, do tipo descrito em perda de rastreamento por consentimento.
  3. Elementos que a plataforma decide. Sugestões de outros vídeos no fim, marca do serviço, botão de compartilhar, link para sair da sua página. Um vídeo que termina oferecendo três vídeos de outra pessoa é um vazamento de atenção que o seu controle não tem.
  4. Mudanças fora do seu calendário. A plataforma atualiza o player quando quiser, inclusive no meio do seu teste. Se um comportamento mudar no dia 20 de um teste de 55 dias, os dois braços deixam de ser comparáveis com o que eram no dia 1.

A alternativa de hospedar o arquivo você mesmo custa trabalho e banda, mas devolve as quatro decisões. O meio-termo que costuma resolver: imagem de pôster leve e nativa da sua página, com o player de terceiro carregado só depois do clique. Você fica com a primeira tela sob controle, mantém o LCP baixo e ainda oferece o vídeo a quem quiser. É exatamente o braço C do exemplo deste guia, e é por isso que ele aparece no teste.

Que pergunta o vídeo em landing page responde, e quando ele é a resposta errada

Vídeo é caro de produzir, caro de carregar e caro de manter atualizado. Antes de testar, vale checar se a dor que ele resolve existe na sua página.

dor do visitante vídeo ajuda? alternativa mais barata que costuma empatar
“não entendi o que isso faz” sim, uma demonstração de 45 a 90 segundos mostra o que o texto descreve mal um bloco de três capturas de tela anotadas com legenda
“não sei se serve pro meu caso” não diretamente, o vídeo genérico não fala do caso dele uma seção de casos de uso nomeados, em texto
“parece complicado de instalar” sim, mostrar a tela real resolve mais que prometer simplicidade um gif curto ou uma sequência de capturas
“não confio nessa empresa” em parte, se for depoimento de cliente identificável prova social em texto, com nome, empresa e número
“quanto custa?” não mostrar o preço
“quero comparar com o concorrente” não uma tabela de comparação honesta

A linha “quanto custa” existe porque é o caso mais comum de vídeo usado como cortina. Quando a página não responde a objeção principal, acrescentar mídia não resolve: adia. Se o teste de vídeo empatar, a hipótese seguinte raramente é “vamos produzir um vídeo melhor”, e quase sempre é “a objeção que trava a decisão é outra”.

Duração. Não existe um número universal, mas existe uma assimetria útil: o custo de um vídeo longo demais é alto e o de um curto demais é baixo. Um vídeo de 45 segundos que não convence deixa o visitante no texto; um de 6 minutos que não convence consumiu a atenção inteira e não sobrou nada. Se você tem só uma chance de produção, produza o curto. Se você tiver duas, o desenho mais informativo não é “curto contra longo” na mesma página: é curto acima da dobra, com o longo linkado logo abaixo para quem quiser, que é a mesma lógica de camadas que defendemos em texto longo x texto curto.

Legenda não é acessório. Como o vídeo na web começa mudo por padrão do navegador e por hábito do usuário, um vídeo sem legenda comunica praticamente nada nos primeiros segundos, que são exatamente os que decidem se alguém continua. Revisar o vídeo com som, no computador do time, esconde esse problema por completo. Reveja sempre mudo, no celular, com a página inteira em volta.

Como ler o resultado sem se enganar

  1. O LCP dos dois braços foi medido? Sem isso, um resultado negativo pode ser performance e não conteúdo.
  2. O limiar foi corrigido para o número de comparações? Três braços significam duas comparações contra o controle.
  3. A taxa de play está sendo usada como veredito? Se estiver, refaça a leitura pela conversão.
  4. O vídeo empurrou conteúdo para fora da primeira tela? Se empurrou, o teste também mexeu em hierarquia, não só em mídia.
  5. A versão com vídeo foi testada em celular de verdade? Vídeo é onde a diferença entre celular e computador mais aparece, em tela e em rede.
  6. Existe legenda? Como quase todo vídeo web começa mudo, um vídeo sem legenda comunica muito menos do que o time imagina ao revisá-lo com som no computador.
  7. O vídeo carrega de terceiro? Se sim, você acrescentou uma dependência externa à página, com efeito em performance e em consentimento de cookies; veja consentimento e perda de dados.
  8. A primeira semana foi mais forte? Vídeo novo chama atenção por ser novo; veja efeito novidade.

Checklist antes de ligar o teste

  1. Separe as quatro decisões e escolha qual delas é a variável do teste. Testar as quatro juntas responde outra pergunta.
  2. Declare o LCP como métrica de guarda, com o valor alvo, antes de ligar.
  3. Se for autoplay, que seja mudo, curto e com controle de pausa, conforme 1.4.2 e 2.2.2 das WCAG.
  4. Se for por clique, garanta que o arquivo não é baixado antes do clique. Pôster leve, vídeo sob demanda.
  5. Legende o vídeo. Mudo é o estado padrão da web.
  6. Meça taxa de play e percentual assistido como diagnóstico declarado, nunca como veredito.
  7. Corrija o limiar se houver mais de duas variações, e registre a correção no plano.
  8. Cheque a divisão de visitantes com o verificador de SRM antes de olhar o resultado.

Faça isso automático na Donnu

A dor específica de testar vídeo é que a mudança mexe em conteúdo e em performance ao mesmo tempo, o desenho bom precisa de três braços e a métrica mais visível, a taxa de play, é justamente a que não decide nada.

Na Donnu, o experimento pode ter uma variação C no plano Pro, que é o que permite separar autoplay de play por clique no mesmo teste em vez de rodar dois testes seguidos. A meta de conversão pode ser um clique, um envio de formulário, uma visita a página ou uma confirmação do seu servidor, o que mantém o veredito na conversão real. O relatório é bayesiano, avisa quando a divisão de visitantes se afasta do configurado e só declara vencedora com pelo menos 200 visitantes por variação e 7 dias de teste.

O que continua sendo seu: medir o LCP dos braços e decidir se o vídeo merece existir. Para o resto, a calculadora de tamanho de amostra, a calculadora de significância e a calculadora de impacto da velocidade na conversão fazem as contas deste guia com os seus números, de graça.

Referências

Leia também: Otimização de conversão (CRO) · Velocidade de página e conversão · Texto longo x texto curto · Prova social em teste A/B · Teste A/B de landing page B2B SaaS · Teste A/B/n · Métricas de guardrail · Read in English

Perguntas frequentes

Vídeo em landing page aumenta a conversão?
Às vezes sim, às vezes não, e a resposta depende mais de como o vídeo entra na página do que do vídeo em si. Colocar um vídeo muda pelo menos quatro coisas ao mesmo tempo: o que a página comunica, o tempo de carregamento, o que a primeira tela mostra e o que o visitante precisa fazer para consumir a informação. No exemplo trabalhado deste guia, o mesmo vídeo em autoplay não move a conversão e o mesmo vídeo atrás de um botão de play fica 7,8 por cento acima do controle, com valor-p de 0,0262 que não sobrevive à correção para três braços.
De onde vem o número de que vídeo aumenta a conversão em 80 por cento?
Ele circula há mais de uma década atribuído à EyeView, uma empresa de vídeo, em versões de 80 e de 86 por cento. O que não existe publicamente é o relatório original: as citações levam umas às outras e a artigos de blog, não a um estudo consultável com metodologia, amostra e desenho. Pela nossa regra de fact-check, um número sem fonte primária recuperável não é usado como fato. Trate como folclore, não como referência.
Vídeo prejudica o Core Web Vitals?
Pode prejudicar, e o caminho é direto. Segundo a documentação do web.dev, o elemento video entra no cálculo do Largest Contentful Paint usando o tempo de carregamento da imagem de pôster ou o tempo de apresentação do primeiro quadro, o que vier antes. Um vídeo grande no topo da página costuma ser o maior elemento visível, então ele passa a ser o LCP da página, que deveria ficar em 2,5 segundos ou menos no percentil 75 dos carregamentos.
O navegador deixa o vídeo tocar sozinho?
Com som, quase nunca. A política de autoplay do Chrome, em vigor desde a versão 66 (abril de 2018), diz que autoplay sem som é sempre permitido, e que autoplay com som só é permitido se o usuário já interagiu com o domínio, se o índice de engajamento de mídia dele foi atingido no computador, se o site foi adicionado à tela de início no celular ou instalado como aplicativo, ou se o quadro superior delegou a permissão ao iframe. Fora desses casos, a promessa do play é rejeitada com NotAllowedError.
Qual métrica usar num teste de vídeo?
A conversão principal da página, com taxa de play, tempo assistido e LCP como diagnóstico e como métrica de guarda. Taxa de play é a armadilha clássica: ela mede quem apertou o botão, não quem comprou, e um vídeo pode subir muito a taxa de play e não mover nada na conversão, ou o contrário.
Quanto tráfego é preciso para testar vídeo?
Com 5,1 por cento de conversão, 95 por cento de confiança e 80 por cento de poder, detectar 10 por cento relativo exige 30.588 visitantes por variação e detectar 5 por cento relativo exige 119.600. Com três braços e 12 mil visitantes por semana, um teste de 31 mil por braço leva 55 dias.